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Conheça a Jovem de 20 Anos que Compôs “Bitch Better Have My Money”, da Rihanna

Bibi Bourelly é uma garota de Berlim que está surfando no bom momento de sua vida, dando rolê com Kanye, Pharrell e Usher, e compondo pra Rihanna.

Abençoada seja. Rihanna voltou e seu novo álbum, R8, pode chegar destruindo tudo na cara sem expressão do pop atual.

O primeiro single, “Bitch Better Have My Money”, foi lançado no fim da semana retrasada. Com Rihanna à frente e Kanye como produtor executivo, é fácil esquecer um nome não tão conhecido mas igualmente talentoso que fez parte da criação da pedrada trap platinada que é a faixa. Sendo mais claro: estamos falando da menina que compôs a parada.

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Antes de #BBHMM ter virado uma estreia mundial para Rihanna, era obra de uma menina de 20 anos de Berlim chamada Bibi, reclamando sobre seu péssimo humor com batidas não finalizadas de Deputy, produtor da Roc Nation, em um estúdio de Los Angeles.

Antes que você vá pensando que se trata de mais uma nova compositora no ramo de criação de hits para grandes gravadoras, devo mencionar que Bibi Bourelly tem feito seu corre também. Se você quer saber mais sobre isso antes do mundo todo, dê um confere em seu Instagram, que pode ter desde trechos de músicas que Bibi está criando até covers acústicos de Oasis ou um quem-é-quem dos VIPs do mundo.

Stu.

A photo posted by Bibi Bourelly (@bibibourelly) on Aug 11, 2014 at 8:51pm PDT

Conversei com Bibi a respeito de Rihanna, como é ter a atenção do mundo voltada para si e o que pretende fazer com isso em mãos.

Noisey: Oi Bibi! Onde você está agora?
Bibi Bourelly: Estou em… [silêncio] LA. Foi difícil dizer isso, por algum motivo.

Sempre que falo agora, parece que vão sair as palavras “bitch better…”
Demais! Bom, é um trecho importante… Porque os manos não vão estar com a sua grana.

Como você compôs essa música?
Estava numa jam com o Deputy em um dos estúdios que gravo. Isso bem na época em que eu criava batidas, coisa que não faço mais. Ele botou o som pra rolar, cheguei lá e mandei algo tipo “BITCH BETTER HAVE MY MONEY!” [É MELHOR QUE A VADIA ESTEJA COM A MINHA GRANA!], porque estava me sentindo meio da quebrada naquele dia. Terminamos tudo em três horas, daí Dep foi pra casa e mexeu mais um pouco na faixa. Ficou daquele jeito e parece que a galera curtiu.

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Sempre piro o cabeção quando ouço falar de faixas animais que foram criadas em menos de um dia.
Uma hora pode mudar a sua vida. Eu só estou no esquema há um ano e meio, então é ainda mais doido pra mim. É estranho, mas só me sinto sortuda. Tudo isso aconteceu tão rápido. Sou grata.

#freestyle #stu #BIBI2015 #drunkaf

A video posted by Bibi Bourelly (@bibibourelly) on Mar 31, 2015 at 10:40am PDT

Então você foi contratada pra compor esta música especificamente para Rihanna?
Na verdade nós fizemos tudo na zoeira, e pensamos “vamos tentar fazer algo pra Rihanna”. Não fazíamos ideia se ela ouviria a coisa mesmo ou a tomaria pra si, daí decidimos fazer mesmo assim. Demorou uns mil anos pra conseguir mandar pra ela, e quando ela ouviu, curtiu. Antes de tudo sou uma artista, saca? Os únicos projetos de composição que tive foram com a Rihanna. E sendo bem sincera, ela é a única pessoa pra quem me importaria em compor algo. Ela gostou das minhas músicas e do que eu estava fazendo porque amo fazer música. E ela as escolheu.

Dando uma olhada no seu Instagram, te vi de rolê com Kanye, Usher, Pharrell. Mesmo que nós não saibamos quem você é, parece que a galera que importa sabe.
Esse contraste é esquisito.

Você trabalhou com algum dos três?
Com o Kanye. Ele ouviu “BBHMM” e adorou. Ele estava lá quando tocamos pela primeira vez. Daí ele me levou pra encontrar a Rihanna e ela adorou também.

Mas e a sua história, Bibi? Sinto que um monte de gente vai querer saber.
Meu pai é músico profissional. Cresci em meio a baixistas do Senegal e Gana lá na cozinha de casa falando sobre teorias da conspiração. Viajei em turnê com meu pai logo cedo também, então tudo está nos meus genes. É o que eu faço. Não acordei um dia e decidi fazer. Sempre fui assim. Escrevo músicas há 16 anos, e tenho 20. É como me comunico.

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Você nasceu em Berlim, certo?
Isso, sou alemã. Berlim é quem eu sou. Berlim é minha música, como me visto, como falo. Cresci correndo nos metrôs e ruas daquela cidade. Pichando, ouvindo música massa, sentada nos terraços de prédios abandonados e passando pouco tempo em casa. Aí deu ruim e vim para os EUA.

Deu ruim como?
Eu estava quase reprovando na merda da escola, tive que fazer recuperação e não me formei a tempo. Era aquela moleca treteira. Eu nunca nem tentei fazer parte daquilo, porque com certa idade vi que me conhecia bem mais do que outras pessoas da minha idade. Eu sabia o que adorava – na real, foda-se – eu sabia o que me definia, e era a música. Mandei a escola pro caralho, fiz as malas e vim pra Los Angeles. Eu disse que faria isso, que faria música, e fiz. Um ano depois, tenho um single gravado pela Rihanna.

Não tem muito como discutir com esses resultados.
Sei o quanto me esforcei com a música quando era criança e o tanto que conheço do assunto. Então não trabalhar nem passou pela minha cabeça. Algumas pessoas acham que ser músico ou artista é um objetivo não-realista, mas a música é minha realidade. Eu sabia que eventualmente compensaria. O lance é confiar em si o suficiente para ser você mesmo.

Você também compôs “Higher” para o disco de Rihanna?
Sim, é uma baita música, muito querida pra mim, e ela mandou ver. “Higher” parece mais com o que eu mesma gravaria.

@badgalriri

A video posted by Bibi Bourelly (@bibibourelly) on Mar 5, 2015 at 12:25pm PST

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Quando você começou a trabalhar com ela, foi difícil decidir o que deveria ficar com você e o que deveria abrir mão?
Tudo acontece por uma razão. Trabalhar com Rihanna mudou minha vida. Os 20 minutos que levei para compor “Higher” é que mudaram minha vida mesmo, porque, por mais que tenhamos criado “Bitch Better Have My Money” primeiro, ela ouviu a outra antes.

Como você se sente com a atenção que vai ganhar, inevitavelmente?
De cara, fiquei com medo do excesso de atenção e o que ele acarretaria para mim. Mas estou mais segura de mim, e entendo que para conseguir grandes feitos, você tem que se sacrificar um pouco. Sou grata de fazer o que amo. Desde que minhas músicas ajudarem a molecada a ter um dia melhor na escola, no trabalho, o que for.

O que mais vem por aí?
Ninguém viu nada ainda. Tenho umas coisas novas. Logo logo.

As pessoas vão te encarar como compositora até que seu material saia. Isso te incomoda?
Sou uma artista e não uma compositora. De cabeça, de coração. Escrevo não para que as músicas saiam em um disco, não escrevo para serem vendidas. Escrevo para abrir meu coração, se estou sofrendo ou feliz. Sabe aquilo que dizem de você ter que fazer 10.000 horas de alguma coisa para ser mestre nela? Eu fiz isso e nem pareceram 10.000 horas, porque amo essa parada. Da mesma forma que um jogador de futebol ama jogar futebol. Quando você tem que fazer algo, aquilo toma conta de você. É a sensação mais absurda do mundo. Não farei nada além de música. É uma chapação, um vício, é loucura, é foda, é uma obsessão.

Isso aí. Obrigado Bibi!

Tradução: Thiago “Índio” Silva