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Pegação em Shows Não é Legal

Demonstrações públicas de afeto podem ser excessivas em qualquer lugar. Mas num espaço público fechado onde as pessoas pagam pra entrar, o fato de vocês ficarem alegremente trocando fluidos corporais não é legal.

De forma geral, curto muito ir a shows. Um bom show, seja de uma banda que conheço bem ou uma que estou vendo pela primeira vez, me faz sentir vivo. A não ser que uma coisa estrague tudo. Ou, mais especificamente, duas coisas grudadas e gosmentas.

Se vou a um show, é pra ver uma banda tocando. Claro, vou beber e socializar, mas, sério, eu quero ver a banda porque, bom, é a razão pela qual estou lá. Então imagine a costernação - ou melhor, o total e absoluto horror - que senti na outra noite quando estava no Studio da Webster Hall, vendo um show do Foxing, e percebi (como se fosse possível não perceber) o casal bem na minha frente se pegando como dois adolescentes bobos alegres que acabaram de transar pela primeira vez. Talvez tivessem mesmo recém transado - não perguntei - mas pareciam ter seus trinta anos e deveriam ter mais discernimento.

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De repente, estava hipnotizado pelo casal que dançava sensualmente, rebolando em câmera lenta, arremetendo os quadris e a bunda um contra o outro. Tudo totalmente fora de ritmo com o som melancólico e sonhador da banda, mas, mesmo que eu quisesse muito, não conseguia parar de olhar pra eles. Ficavam se acariciando as costas, mordendo as orelhas, dançando de ladinho e lambendo o pescoço. Uma hora o cara estava puxando a namorada pelos anéis do cinto (talvez fosse algum ponto de pressão que dá prazer) e a perna dela reagia com um reflexo automático, como um cachorro quando a gente coça no lugar certo. Olha, eu gosto de casais, jovens ou velhos, que parecem estar realmente apaixonados. Acho fofo quando marido e mulher vão juntos a um show. Mas galera, tem limites! Não quero ver vocês reencenando aquilo que fazem quando estão pelados entre quatro paredes, e acho que mais ninguém quer.

Demonstrações públicas de afeto podem ser excessivas em qualquer lugar. Mas num espaço público fechado onde as pessoas pagam pra entrar, o fato de vocês ficarem alegremente trocando colheradas de saliva (e quem sabe mais alguns fluidos corporais) não é legal. Acredite, ninguém precisa ver as mãos do seu namorado mergulhando em suas calcinhas, passando pelo seu cofrinho suado até chegar naquela coisa melada que você tem lá embaixo, nem conferir a reencenação mal feita da última vez em que ele te comeu por trás. Mesmo assim, por alguma razão, as pessoas fazem isso. Aquela não foi a primeira vez em que uns idiotas egoístas com tesão estragaram uma boa banda pra mim, mas o fato é que daqui pra frente toda vez que eu ouvir Foxing é desses dois que vou lembrar.

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Podemos abrir uma exceção quando o próprio artista resolve se envolver.

Quando você está com a língua enfiada na boca de alguém durante um show, está sendo incrivelmente mal educado e insuportável com todo mundo à sua volta. É pior ainda se estiver numa casa de shows pequena onde até a banda consegue te ver, mas mesmo num estádio enorme, vendo a Miley Cyrus cavalgar um cachorro-quente, é melhor não fazer.

Vocês não ficariam se masturbando mutuamente numa parada de ônibus, então porque seria diferente num show? É um espaço público. Não é difícil ver a diferença. Talvez as pessoas que passam tanto dos limites da decência a ponto de afetar a experiência do show devessem ser expulsas do local. Tinha uma ótima casa de shows em Londres chamada The Luminaire onde as pessoas eram repreendidas (e se não adiantasse, expulsas) por falar durante os shows, então talvez esse tipo de regra devesse ser implementada com relação à pegação excessiva.

E ainda - ainda que pareça meio idiota ter que dizer - ver uma banda ao vivo é bem diferente de ouvir o álbum. É uma experiência interativa. Os músicos se mexem e falam e fazem coisas interessantes e emocionantes. Às vezes contam histórias antes das músicas, pulam, e geralmente se envolvem com a plateia. Cada canção ganha personalidade e significado na execução ao vivo e, se você estiver com os olhos fechados e a língua ou os dedos enfiados onde não deviam, está perdendo isso. Sem falar que está estragando a experiência para quem quer que esteja ao seu redor. Se eu quisesse ver gente dando uma, tem lugares onde posso pagar especialmente para isso. Ou poderia ligar o computador, onde tem pessoas peladas e bem mais bonitas.

Quando vou a um show, quero ver a banda. É algo que escolhi fazer exatamente naquela hora e naquele lugar específico pra isso. Presumo que vocês estejam lá pelo mesmo motivo, ou não teriam comprado um ingresso e ido até lá. E durante a banda de abertura que vocês não curtem? Sabe o que mais? Tem pessoas lá que curtem e vocês não precisam estragar o show delas. Se realmente precisam se pegar naquele instante porque foram tomados por um incontrolável e repentino surto de luxúria, vão pra porra do banheiro e deixem seus fluidos por lá. Senão, respeitem as pessoas ao seu redor e respeitem a banda que está tocando. E o mais importante, tenham respeito por si próprios. Nunca se sabe, mas se vocês realmente prestarem atenção na banda, podem até acabar gostando.

Mischa Pearlman é o cara que passa os shows treinando beijo de língua com a própria mão. Ele está no Twitter