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Este lago artificial de resíduos tóxicos na Sibéria está a fazer as delícias de milhares de Instagrammers

Um colorido lago poluído na cidade siberiana de Novosibirsk tornou-se um destino popular para os utilizadores russos do Instagram.

Por Sarah Emerson; Traduzido por Sérgio Felizardo
12 Julho 2019, 11:53am

Imagem: Instagram/tweezer_nsk.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE US.

As autoridades russas da cidade siberiana de Novosibirsk estão a pedir para as pessoas pararem de fazer sessões de fotos perto de um lago de resíduos tóxicos de uma central de energia. O lago artificial, apelidado de “Maldivas de Novosibirsk” por causa da sua água de cor azul, tornou-se um fundo pitoresco para fotógrafos que parecem não se importar que essa cor se deva a uma mistura tóxica de sais de cálcio e óxidos de metais.

Dezenas de milhares de pessoas já visitaram o local, de acordo com um blogger russo entrevistado pelo Siberian Times na última terça-feira. Posts no Instagram marcados na localização revelam fotos de recém-casados e bebés, além de mulheres de biquíni a posarem junto ao local tóxico. Numa foto, vê-se um homem a flutuar no lago numa bóia unicórnio. “As minhas pernas ficaram vermelhas e tive comichão durante dois dias”, escreveu.

Todavia, duas pessoas que se aventuraram nas águas em pranchas de paddle comentaram que uma recente “análise química” mostrou que o lago “não é assim tão perigoso”. Entretanto, foi criada uma conta no Instagram chamada “Maldivas de Novosibirsk”, que está a pedir que as pessoas enviem as suas fotos.

Mas, as águas azuis não são um oásis. A proprietária do lago, a Siberian Generating Company, apelida o local de “depósito de cinzas” numa recente publicação na rede social russa VK. “Por causa disso”, diz o post, “pedimos encarecidamente que não venham tirar selfies num depósito de cinzas!”.

A empresa diz que o lago é altamente alcalino, com um pH maior que 8 – aproximadamente o mesmo nível da água do mar. Também garantem que a água não é radioactiva nem venenosa, mas que pode causar irritações de pele. A empresa atribui a cor azulada a uma mistura em particular de sais de cálcio e óxidos de metais – subprodutos das cinzas de queima de carvão de uma central termoeléctrica local – que se dissolvem num reservatório de 0,6 a 1,8 metro de profundidade depois de passarem por vários canos. A empresa avança ainda que outro lago de depósitos recebe resíduos da queima de um tipo diferente de carvão e, “geralmente, tem uma cor normal”.

“Nadar no depósito de cinzas é PROIBIDO”, salienta o post da empresa no VK. E acrescenta: “O fundo do lago é lamacento! Sair da água sozinho é praticamente impossível”.

Como escreveu um comentador do VK, há placas ao redor do lago que avisam explicitamente que a entrada é proibida. A central até tem tentado fechar as estradas que levam ao local, aponta o Guardian, mas ainda não é claro se isso está realmente a impedir a entrada de visitantes.

No que respeita a lugares perigosos, uma certa lei da Internet diz que as pessoas vão ir, vão tirar fotos e vão postar nas redes sociais. Recorde-se que ainda recentemente, utilizadores do Instagram foram criticados por tirarem fotos em Chernobyl, na cidade ucraniana abandonada de Pripyat.

Pessoalmente, acho que ficar com o corpo todo irritado e cheio de comichão em troca de um punhado de likes não vale assim tanto a pena.


Dane Maximov contribuiu na tradução do russo para este artigo.

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