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O YouTube vai finalmente banir nazis e negacionistas do Holocausto e outros eventos violentos

O YouTube garante que vai passar a “remover conteúdos que neguem a ocorrência de eventos violentos que estão bem documentados”.

Por Mack Lamoureux
06 Junho 2019, 3:01pm

Foto via Shutterstock.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Canadá.

O YouTube anunciou que vai banir negacionistas do Holocausto e outros conteúdos que tentem negar eventos violentos já comprovados, no âmbito de um esforço de renovação das políticas da plataforma no que diz respeito a discurso de ódio e conteúdo falacioso.

A plataforma também vai "proibir especificamente vídeos que aleguem que um grupo é superior para justificar discriminação" e vai apagar vídeos nazis, de acordo com uma declaração publicada na quarta-feira, 5 de Junho. O YouTube vai "remover conteúdo que negue a ocorrência de eventos violentos bem documentados, como o Holocausto ou o tiroteio na Escola Secundária de Sandy Hook, nos Estados Unidos. A imposição dessas mudanças acontecerá de imediato, garante a plataforma, mas levará vários meses para entrar completamente em vigor.


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Estas mudanças acontecem depois de o YouTube ter enfrentado um enorme escrutínio sobre o tratamento que Steven Crowder, um youtuber de extrema-direita, tem dado ao jornalista do Vox, Carlos Maza. Na semana passada, Maza publicou no Twitter que há mais de dois anos que é assediado por Crowder, com o YouTuber a chamá-lo de “um pequeno gay furioso”, “gay mexicano”, “gay latino do Vox”, entre outras coisas. Crowder também usava regularmente uma voz de gozo para com a comunidade homossexual ao imitar Maza.

Quando Crowder fazia um vídeo sobre Maza, o que acontecia regularmente, os seus fãs começavam imediatamente a assediar o jornalista. Isso incluía ter o seu número de telefone exposto e ser inundado de mensagens a dizer "debate com Steven Crowder". Este assédio só se tornou pior desde que Maza tornou o assunto público.

Na terça-feira, o YouTube informou Maza que, após uma "análise detalhada", os vídeos que ele tinha denunciado não violavam as suas políticas. Num tweet dirigido a Maza, a empresa escreveu que “as opiniões podem ser profundamente ofensivas, mas se elas não violarem as nossas políticas, permanecerão no nosso site”. Maza criticou essa decisão e apontou imediatamente que o facto de a publicarem no mês do orgulho LGBTQ+ só reforçava a hipocrisia da empresa, "eles realmente, realmente não se importam", disse.

Maza diz ter algumas dúvidas em relação a esta recente posição do YouTube e não sabe se a empresa vai, de facto, cumprir estas novas políticas. "O YouTube não está interessado em acabar com o abuso, está interessado em enganar os jornalistas e os anunciantes, para que estes acreditem que eles importam minimamente com a questão e que querem mesmo parar o abuso", realça. E acrescenta: "O YouTube oferece uma plataforma a estes monstros, envia-lhes milhões de novos recrutas e, depois, recusa-se a agir quando eles se tornam demasiado grandes".

O YouTube garante à VICE que estas mudanças estão há meses a ser planificadas e que não estão correlacionadas com o caso de Maza e Crowder.

O YouTube também diz estar a tentar reduzir as recomendações de vídeos que chegam "quase ao limite", mas que por pouco não são proibidos. Em Janeiro, a empresa testou um programa-piloto nos Estados Unidos que fazia exactamente isso, reduzir a recomendação de vídeos que estiveram no limiar de serem proibidos. O sistema de recomendações usado pelo Youtube tem sido criticado por ser um buraco negro que leva a vídeos mais extremos e pode ajudar a radicalizar os espectadores e criadores.

"Esta mudança depende de uma combinação de machine learning e pessoas reais", diz o post publicado pela empresa. E acrescenta: “Trabalhamos com avaliadores humanos e especialistas de todos os Estados Unidos para nos ajudarem a treinar os sistemas de machine learning que gera recomendações”.

O YouTube diz ainda que "o número de visualizações que este tipo de conteúdo recebe provenientes de recomendações, caiu mais de 50 por cento nos EUA" e que a plataforma espera levar o sistema a outros países antes do final do ano. A empresa afirma também que os canais que seguem o limite do discurso de ódio, mas não o cruzam explicitamente, enfrentarão penalizações monetárias, como a retirada da possibilidade de terem anúncios ou usarem a ferramenta Superchat.


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