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Os últimos dias dos Capacetes Brancos na Síria

Antes, estavam no terreno milhares destes voluntários que tomaram as rédeas da ajuda humanitária quando as agências estatais falharam. Agora, se o regime os capturar, enfrentam a morte certa.
17.6.19

Este artigo foi originalmente publicado na VICE News.

Restam apenas algumas centenas de Capacetes Brancos em Idlib, a última cidade síria que não está sob o controlo de Bashar Assad. E os seus dias podem estar contados: o Exército Sírio e os seus aliados russos já iniciaram uma campanha de bombardeamento, tendo morto 25 pessoas nesta cidade de cerca de três milhões.

Antes, havia milhares destes voluntários por toda a Síria, muitos deles carpinteiros, padeiros e estudantes de medicina, que assumiram a responsabilidade quando as agências estatais deixaram de conseguir proteger e resgatar os civis presos em áreas do conflito sírio controladas pelos rebeldes. Eles responderam a algumas das mais brutais campanhas de bombardeamentos do século XXI. Mas, é frequente que o regime tenha como alvo os Capacetes Brancos (a Defesa Civil Síria), empregando uma táctica de “ataque duplo”: bombardeiam uma área e, quando os paramédicos entram em cena, voltam a bombardeá-la.

Moaaed Hafi, de 27 anos, enfrenta esse perigo desde que se alistou nos Capacetes Brancos em Ghouta Oriental, há cinco anos. Nas suas acções de resgate, salvou dezenas de crianças dos escombros. “O medo existe. Mas, isso não faz com que vires as costas e te vás embora. Porquê? Porque vês os civis a chamar por ti”, salienta Hafi à VICE News. E acrescenta: “Eles vêem-nos como os seus anjos salvadores. É impossível abandoná-los e fugir.

Hafi foi evacuado do leste de Ghouta no ano passado, no auge da ofensiva naquele último enclave. Agora, está preso em Idlib, com a sua esposa e filha bebé. Ainda assim, continua a responder aos ataques aéreos diários. "Se, Deus nos livre, o regime conseguir o controlo de Idlib, o nosso destino já é conhecido", diz Hafi. E conclui: "Se o regime capturar qualquer um de nós vivos, irão matar-nos - seremos presos primeiro e depois mortos, de certeza".

O vídeo acima foi filmado por Amer al-Sayd Ali e editado por Jeb Banegas. Reportagem adicional por Amer Almohibany.


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