No mês do Veganismo, podes aproveitar a inspiração e mudar de vida

"Já se fala do papel das emoções que sentimos ao comer, pensa-se que podem influenciar a nossa digestão e metabolismo".

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02 Novembro 2018, 9:40am

Foto cortesia Juicy.

Porque há dias mundiais para tudo, também existe o Dia Mundial do Veganismo e, claro está, foi ontem, 1 de Novembro! O dia 31 de Outubro, marcou o último dia do mês do Vegetarianismo e no feriado de Todos os Santos arrancou o Mês Vegan – sim, um só dia não chega quando a causa é boa e todos nós (assim como metade dos memes alguma vez feitos) sabemos o quanto a malta que não come animais gosta de falar sobre o tema.

Há uns tempos, inspirada por uma Ted Talk sobre desafios pessoais, eu própria decidi elevar o meu já conseguido pescetarianismo uns níveis acima e comer vegan durante 30 dias (como podem ver, só vou no segundo parágrafo e já vos contei que não como carne). Foi bastante mais complicado do que a minha dieta normal, especialmente no que toca a ir almoçar e jantar fora com amigos quando não te cabe a ti escolher o restaurante. Por isso, esses 30 dias de experiência chegaram-me. Contudo, a curiosidade manteve-se de como seria comer e viver 100 por cento vegan porque, quando há três anos decidi deixar a carne, fi-lo como degrau de passagem para chegar a vegetariana. Ainda não consegui lá chegar, exactamente pelas jantaradas fora a dividir pratos - única altura, aliás, em que como peixe, numa de facilitar a partilha de tapas.


Vê: "A controversa tradição da caça às focas no Canadá"


Aproveitando esta curiosidade reforçada pela celebração destes meses do Vegatrianismo e do Veganismo, falei com a nutricionista Maria Novais da Fonseca, para tentar perceber mais detalhadamente as diferenças entre os dois regimes e a que tipos de possíveis carências devemos estar atentos. Também lhe perguntei sobre como é criar filhos num regime vegan desde muito pequenos, porque sigo várias bloggers que o fazem e o mundo do Instagram é muito mais bonito que a realidade. Tudo isto para que retires as informações necessárias, caso estejas tentado a mudar de regime alimentar.

“O veganismo vai muito além da alimentação, é um modo de vida que inclui o vegetarianismo”, começa Maria Novais. A diferença primordial entre vegetarianismo e veganismo é que o primeiro não come animais, mas come produtos derivados dos mesmos, enquanto o segundo exclui o consumo de todo e qualquer produto animal. Dentro do vegetarianismo existem três tipos: ovolactovegetariano, que não come nem carne nem peixe, mas come ovos e produtos lácteos, os lactovegetarianos, que não comem nem animais nem leite, mas sim lacticínios e os ovovegetarianos, que excluem da dieta os animais e os lacticínios, mas mantêm os ovos. Para a nutricionista, os ovolacteovegetarianos são os mais saudáveis porque, ao serem os que menos produtos animais excluem, têm menor probabilidade de sofrer de carências alimentares.

Em qualquer uma das dietas, é necessário prestar atenção a estas possíveis carências proteícas ou de vitaminas, com a ajuda de uma nutricionista. “Pessoalmente, acredito que comer bem não depende só do que comemos, mas da maneira como comemos - já se fala do possível papel das emoções que sentimos ao comer, pensa-se que podem influenciar a nossa digestão e metabolismo, levando-nos, por exemplo, a comer mais ou menos”, salienta a especialista. E remata: “Na minha opinião, não existem alimentos que, por si só, sejam pouco saudáveis. Comer é um acto feito de escolhas e essas escolhas alimentares são muito pessoais, vão de encontro à religião, ao modo de vida e às preferências de cada um”.

Em relação às crianças que são criadas vegan desde bebés, faltam aos vegetais nutrientes essenciais para os organismos em crescimento, como é o caso da vitamina B12, que só se encontra na carne e no peixe e, por isso, quem não os come deve tomar suplementos da mesma; e do cálcio e do ferro que, nos produtos de origem vegetal, têm uma absorção mais lenta. Quando se é pequeno, carências deste tipo podem afectar a produção de glóbulos vermelhos e o desenvolvimento do cérebro. “Não é um caminho fácil criar filhos com uma dieta limitada,” explica-me Maria, “mas é perfeitamente fazível, só requer mais cuidados, mais atenção e acompanhamento”.

Se este artigo te tiver dado o empurrãozinho de informação que te faltava para o salto de fé em direcção à comida à base de plantas, deixo-te ainda sugestões de alguns restaurantes, no Porto e em Lisboa, onde nem sequer precisas de ir fisicamente. Sim, estão todos, por exemplo, na Uber Eats pelo que, desde o conforto do teu sofá e na ressaca prolongada do Halloween, podes começar já a tua nova vida. Na Invicta há O Macrobiótico, o Cultura dos Sabores, o I Love Bio, o Fixebowl e o Boa Vida. Por outro lado, na capital tens o Jardim dos Sentidos, o Juicy, o Foodprintz, o The Paleo Kitchen, o Verde Healthy Fusion e o Quintal de Santo Amaro Lunch Box. Dá muita vontade de rematar com uma gracinha sobre o comprimento de alguns destes nomes, mas há tanto por onde pegar que deixo para outro dia.


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