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Direitos Humanos

Breve história das mortes de activistas dos direitos humanos no Brasil

No país do Mundo que mais mata defensores dos direitos humanos, o homícidio de Marielle Franco é mais um caso entre as dezenas que ocorrem por ano.

Por Amanda Cavalcanti
18 Março 2018, 11:11am

José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo, os "sucessores" de Chico Mendes, foram executados por pistoleiros em Maio de 2011, no Pará.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Brasil.

Infelizmente, o assassinato de Marielle Franco na última quarta-feira, 14 de Março, não foi um caso isolado. Num relatório publicado pela Amnistia Internacional em Dezembro de 2017, o Brasil encontra-se como o país que, a nível mundial, mais mata defensores dos direitos humanos.

De Janeiro a Setembro de 2017, foram contabilizadas pelo menos 62 mortes, de acordo com dados do Comité Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos. Em Maio de 2017, o Brasil chegou mesmo a ser citado pelo alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein, como um país cujo nível alarmante de violência contra estas pessoas preocupa as Nações Unidas.

A morte de Marielle foi uma excepção, porém, em alguns aspectos: os assassinatos de activistas acontecem, normalmente, em áreas rurais, na sequência de conflitos por terras ou recursos naturais e, mais importante de tudo, passam despercebidas. A própria Amnistia reconhece que o número de mortes possa ser, provavelmente, muito maior que o oficial. No entanto, são mortes que não são reportadas e acabam por ser esquecidas.

Por isso, a Amnistia, juntamente com outras organizações de direitos humanos nacionais e internacionais, lideradas pela Front Line Defenders, criou o HDR Memorial. O site compila casos de activistas assassinados desde 1998, frisando que, em muitas situações, ninguém foi condenado ou mesmo acusado pelas mortes. Abaixo, damos conta de 10 casos de líderes comunitários, activistas ambientais e defensores da causa indígena, entre outros, que foram mortos no Brasil desde o começo da década.

Vilmar Bordin e Leomar Bhorback

Membros do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), a dupla foi morta depois de um confronto com a Polícia militar em Quedas do Iguaçu, no noroeste do Paraná, em Abril de 2016. Tanto a PM como os Sem Terra dizem ter sido vítimas de uma emboscada. – Folha de S. Paulo

Luiz Antônio Bonfim

Aos 45 anos, o presidente do PCdoB e activista pela reforma agrária, foi assassinado em Fevereiro de 2016, enquanto estava à frente de uma ocupação de sem terra em São Domingos do Araguaia, no Pará. – G1

Jaison Caique Sampaio

Morto no meio de uma disputa de terras entre uma comunidade indígena local e a empresa multinacional Trindade Desenvolvimento Territorial (TDT), Jaison foi assassinado a tiro por dois polícias militares, a 2 de Junho de 2016. – HRD

Luiz Carlos da Silva e Cleidiane Alves Teodoro

Luiz Carlos da Silva e Cleidiane Alves Teodoro eram líderes de um acampamento da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), em Monte Negro, Rondônia. O casal foi encontrado morto no rio Candeira, no dia 22 de Maio de 2016, com tiros na cabeça e golpes no abdómen. – HRD

Paulo Sérgio Almeida Nascimento

Um dos líderes da Associação dos Caboclos, Indígenas e Quilombolas da Amazônia (Cainquiama), que denunciava crimes ambientais em Barcarena (PA), foi assassinado a tiro na segunda-feira 12, de Março de 2018. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do estado, um pedido de protecção chegou a ser feito pelos representantes da associação, mas foi negado. – G1

Nilce de Souza Magalhães

"Nicinha", como era conhecida, era pescadora e activista do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB). Depois de dada como desaparecida durante cinco meses, o corpo foi encontrado a 23 de Junho de 2016 no lago do complexo fabril de Jirau (RO), com as mãos e braços amarrados a pedras pesadas. Nilce era filha de seringueiros e denunciava irregularidades na actividade pesqueira e construções de hidroelétricas no Rio Madeira. – Folha de S. Paulo

José Claudio Ribeiro e Maria do Espírito Santo

Considerados "sucessores de Chico Mendes", o casal deixava o Projecto de Assentamento Agroextrativista (PAE) da Praia Alta Piranheira (próximo do município de Nova Ipixuna) quando se viu cercado por pistoleiros e acabou executado em Maio de 2011. – iG

José Conceição Pereira

Líder comunitário no Maranhão, José foi morto no bairro de Coroadinho, na capital do estado, com um tiro na nuca. Foi a quarta de uma série de mortes de líderes comunitários no estado no fim de 2016/começo de 2015: Antônio Isídio Pereira da Silva, Ivanildo da Silva Coutinho e Ana Cláudio Barros também foram assassinados. – G1

João Natalício Xukuru-Kariri

Seu João, como era conhecido, era líder indígena no Alagoas e defendia o direito do seu povo às suas terras ancestrais. A 11 de Outubro de 2016, foi atacado à frente de sua casa por dois homens com armas de fogo e facas. – HRD

Luís Cesar Santiago da Silva

Assassinado a tiro em Abril de 2017, Luís era líder sindical e concorreu a vereador do município de Brejo Santo nas eleições de 2016. – G1


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