Número de mortos nos deslizamentos de terra na Colômbia sobe para 254
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Número de mortos nos deslizamentos de terra na Colômbia sobe para 254

“Ainda há muitos desaparecidos.”
3.4.17

Esta matéria foi originalmente publicada na VICE NEWS.

Foto via REUTERS/Jaime Saldarriaga.

O número de mortos nos deslizamentos de terra na Colômbia subiu para 254, com dezenas de crianças entre os mortos, disse o presidente Juan Manuel Santos no último domingo.

Santos declarou estado de emergência em Mocoa no sábado, com mais de mil soldados e policiais trabalhando em condições precárias como parte de uma grande operação de socorro.

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As equipes de emergência enfrentam condições desafiadoras, já que os deslizamentos cortaram estradas e a chuva continua, aumentando o risco de novos deslizamentos. Vários mortos ainda não foram identificados e muitas ruas ainda estão cobertas por uma camada grossa de lama.

O que aconteceu?

Mocoa, a capital da província de Putumayo na bacia amazônica colombiana, foi atingida por torrentes poderosas de lama e detritos que arrastaram casas e veículos, e inundaram bairros inteiros.

Os deslizamentos aconteceram quando a maioria dos 40 mil moradores da cidade estavam dormindo, não dando chance para que as pessoas fugissem.

Os deslizamentos foram provocados por chuvas pesadas que aumentaram dramaticamente os níveis do Rio Mocoa e seus afluentes, causando queda dos barrancos.

Carlos Ivan Marquez, diretor da Unidade Nacional de Gerenciamento de Desastres, disse a AFP que 12 centímetros de chuva – cerca de um terço do esperado para o mês – caíram na noite de sexta.

Quantas pessoas foram afetadas?

Santos colocou o número de mortos em 254 no final do domingo, mas apontou que o número deve subir.

"Ainda há muitos desaparecidos. Não sabemos onde eles estão", ele disse. "O sistema está tentando localizá-los e vai continuar até que encontremos a última pessoa." Ele disse que 43 crianças estão entre os mortos, com mais 22 hospitalizadas.

A Cruz Vermelha colombiana disse que 300 famílias foram deslocadas e mais de 20 casas foram destruídas.

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Cerca de 600 sobreviventes passaram o domingo em abrigos improvisados em Mocoa. As condições para os moradores são precária, não há eletricidade, gás e as linhas de telefone foram interrompidas, o suprimento de água potável é limitado, e a chuva continua. Santos disse no domingo que os esforços para restaurar a energia elétrica em Mocoa podem levar 10 dias.

A Cruz Vermelha está trabalhando para ajudar pessoas a localizar familiares desaparecidos, enquanto a Força Aérea envia suprimentos e tem transportado feridos por ar. O governador de Putumayo Sorrel Aroca disse à rádio estatal colombiana, Rádio Caracol, que os hospitais estão com dificuldade para atender todos os feridos.

Deslizamentos são comuns na Colômbia?

Deslizamentos são razoavelmente comuns, mas esse foi particularmente mortal. Em novembro, nove pessoas morreram num deslizamento de terra em El Tambo, a cerca de 145 km de Mocoa, depois de chuvas fortes; no mês anterior, seis pessoas morreram em outro acidente do tipo perto de Medellím. Em 2015, um deslizamento em Salgar, a cerca de 97 km a sudeste de Medellím, matou mais de 80 pessoas.

Cientistas dizem que fatores como chuvas pesadas, desmatamentos, densidade populacional e construções clandestinas podem ter agravado o risco de deslizamentos. Santos culpou as mudanças climáticas por contribuírem com o desastre em Mocoa, uma visão compartilhada por Martin Santiago, o chefe da ONU da Colômbia.

"As mudanças climáticas estão gerando dinâmicas e agora estamos vendo os resultados tremendos disso em termos de intensidade, frequência e magnitude desses efeitos naturais, como o que aconteceu em Mocoa", ele disse.

Adriana Soto, diretora regional da The Nature Conservancy e ex-ministra do Meio Ambiente da Colômbia, disse a Rádio Caracol que acredita que mudanças climáticas foram um fator, assim como a construção de casas perto dos rios e desmatamento, que reduz a resistência natural da paisagem a deslizamentos. "Quando as bacias são desmatadas, elas se dissolvem. É quase como se tivéssemos removido a proteção contra deslizamentos", ela disse.

Tradução do inglês por Marina Schnoor.