Hushup: Ficando por Dentro das Festas Secretas de Hong Kong — Parte 3
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Hushup: Ficando por Dentro das Festas Secretas de Hong Kong — Parte 3

Uma festa feita para orientais descobrirem a maravilha que é beber e dançar em plena luz do dia.

A quantidade de milionários per capita de Hong Kong está entre as mais altas do mundo. Diferentemente do que um típico ocidental imaginaria, os ricaços da cidade não são apenas um monte de velhos asiáticos que dormem de terno e reclamam da República Popular da China enquanto se empanturram de trufa negra. Essa rapeize de alto poder aquisitivo ama pra a zueira e curte festas secretas tanto quanto os adolescentes rebeldes da cidade. Você, porém, não encontrará essa turma ricaça em festas em estacionamentos ou prédios assombrados. Você irá encontrá-los tomando sol em terraços, saboreando champagne e cerveja cara.

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Todas as fotos foram feitas pelo autor.

Comprei um ingresso na internet para a inauguração de um Clube de Brunch Secreto, um evento descontraído que aconteceu durante uma tarde junto com a galera mais bem relacionada de Hong Kong. O rolê foi produzido pela empresa baseada em Hong Kong Hushup Events e os ingressos chegaram a custar a bagatela de 650 dólares cada. Depois que recebi a confirmação do PayPal, a Hushup levou quase duas semanas para se manifestar. Num e-mail de última hora, fui instruído a estar na zona portuária central embaixo da Roda da Observação de Hong Kong às 13:30 em ponto. Lá haveria uma garota usando uma faixa vermelha à minha espera, junto de um aglomerado de balões preto e branco.

Leia: Por Dentro das Festas Secretas de Hong Kong — Parte 2

Como tinha ido à outra pop-up na noite anterior, me arrumei e fui meio grogue até o ponto de encontro. De fato, uma garota que correspondia a descrição do e-mail estava lá para recepcionar os convidados. Depois de alguns drinks de boas-vindas e um briefing, fomos levados até o Armani/Privé, um lounge e bar no terraço de um shopping de luxo a uns 10 minutos dali. Três andares acima, caminhamos pelo edifício enquanto o sol da tarde nos cegava. Fomos conduzidos até o terraço pelos garçons que levavam bandejas com diversas garrafas de espumante empilhadas. Assim que fui carimbado e peguei minha pulseira, virei um copo daquela bebida e me encaminhei até a comida.

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E não era qualquer coisa. Uma seleção de sushis, tempurás, rolinhos primavera, espetinhos de frango, carnes e queijos foram distribuídos ao longo do balcão de mármore preto do bar. Melohman, residente da Pacha Dubai, tocava um deep afro e tech house enquanto a galera ia chegando. Quando as garotas não estavam ocupadas pintando umas as outras com cores psicodélicas, elas se revezavam para pintar uma tela com o logo do evento. Outras dançavam com bambolês e criavam guirlandas de flores para a cabeça. Faixas apresentando trompetes freestyle e bolhas gigantes flutuavam até as ruas congestionadas lá embaixo.

A multidão diminuiu gradualmente a medida que o sol foi se pondo, esticando as sombras em torno de taças de champagne e abrindo os guarda sóis. A galera começou a migrar para o andar de baixo até o bar luxuoso que sediaria o afterparty.

Rachel Frost é a fundadora e atual diretora administrativa da Hushup Events. "Sempre tive uma espécie de plano a longo prazo", ela fala sobre a origem do Clube de Brunch Secreto. "Apesar dos ingressos terem preços mais altos, acho que o que está incluso no valor justifica o preço. A ideia por trás do evento é uma cultura de beber durante o dia, um costume com o qual as pessoas de Hong Kong estão pouco familiarizadas, mas nós queremos intensificá-la".

A estratégia da Rachel tem sido atrair seguidores fiéis para cada conceito antes de introduzir um novo. A Hushup se estabilizou em cinemas pop-up, teatros temáticos imersivos, e agora o Clube de Brunch Secreto, mas um festival de música e arte conhecido como Secret Island Party foi o que deu início a isso tudo. "Na verdade, não me mudei para Hong Kong com a intenção de abrir uma empresa, disso não há dúvida", ela diz ao THUMP. "Meio que aconteceu por acaso".

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Rachel veio pela primeira vez para Hong Kong com o intuito de buscar uma mudança na gestão de eventos em Manchester. Depois de trabalhar aqui por um ano e considerar abrir uma empresa de concierge, ficou claro para ela que o que realmente queria fazer era um festival. "Fiz uma festa, só para me divertir, porque estava com saudade", ela diz. "Nunca planejei que a Secret Island Party fosse um sucesso a longo prazo. Apenas sentia falta de produzir".

O espaço ideal chegou até Rachel enquanto procurava um retiro de yoga em Hong Kong. Ela encontrou um site antigo escrito em cantonês e com um pouco de inglês fragmentado e arrastou alguns de seus amigos até uma aldeia abandonada em uma ilha próxima. "Quando chegamos lá, não havia yoga", ela diz rindo. "Essa senhora aleatória nos fez um grande churrasco e nos alocou numas casinhas. Acho que todo mundo estava bem chocado de ver expatriados chegando na ilha".

Com uma ajudinha da Bunker Club, Rachel produziu uma festa pequena que eventualmente se transformaria na Secret Island Party e, em seguida, resultaria na Hushup Events. "Minha ideia para a Secret Island Party é a de criar uma marca global", Rachel prossegue. "A forma como está acontecendo este ano, e com as nossas estimativas, esta é provavelmente a maior proporção que a festa tomará em Hong Kong. Mas quero levá-la a outros países para que se torne uma comunidade de festivais pop-up global".

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A empresa atualmente está com Bali e Reino Unido em vista para expandir potencialmente o festival. "Nós tentamos ter um elemento interativo em cada um de nossos eventos. Queremos criar uma comunidade onde todo mundo meio que se conhece e troca ideia. Isso é importante para mim — o púbico que nós atraímos para a Secret Island Party. São pessoas que estão buscando algo que você não encontra numa balada chiquetosa. Eles estão mais atrás de uma experiência. Os que vão para a nossa festa são mais abertos e aventureiros".

E ela não está brincando. O lugar só é acessível por barco seguido de uma caminhada pela floresta. Neste ano, a Secret Island Party acontecerá em outubro, então você ainda tem chance de conseguir ingressos.

A Secret Island Party e todas as festas pop-up que estão rolando em Hong Kong deixaram claro que há muita demanda do oriente para o festival ocidental. Tipo, é claro que tem o Cockenflap e o Electric Run do ano passado, mas agora Hong Kong gira em torno da vida noturna. Há pessoas demais e festivais de menos. Até o dia em que os festivais forem mais presentes e a cena de música contemporânea mais forte, a cidade se apoiará nas pop-ups para satisfazer sua necessidade de aventura e experiências musicais baseadas na comunidade.

Parker Buckley está no SoundCloud.

Tradução: Stefania Cannone