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A fotógrafa que retrata o belíssimo universo negro em imagens intimistas

O trabalho de Deana Lawson é como um álbum de fotos intemporais da diáspora negra.

Por Antwaun Sargent
27 Novembro 2018, 10:17am

Todas as fotos por Deana Lawson.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE UK.

No Verão de 2016, quando Dev Hynes lançou Freetown Sound, o seu terceiro disco de estúdio enquanto Blood Orange, escolheu para a capa a foto de um jovem casal negro apaixonado. Bem vestido, em tons de verde-amarelado, os braços em torno da sua namorada, um jovem sentado na cama olha directamente para a câmara, numa fotografia de interior em grande formato.

“Binky & Tony Forever”, título da imagem, foi encenada em 2009 pela fotógrafa Deana Lawson no seu próprio quarto. Na vida real, Binky e Tony são amigos, não amantes, mas o objectivo da foto altamente estilizada é retratar o amor negro, pouco representado, como jovem, feminino e livre.

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Deana Lawson, "Kingdom Come", Addis Abeba, Etiópia, 2015. Impressão a jacto de tinta, em moldura Sintra, 55 x 44 polegadas. Edição 1 de 3, com duas provas para a autora. Cedida pela artista/ Rhona Hoffman Gallery, Chicago.

Visualizar uma negritude muitas vezes invisível é um tema que surge recorrentemente ao longo da obra fotográfica de Lawson, que viaja pelo Mundo e cria imagens de negros em locais como Haiti, Congo, Jamaica, Etiópia, o sul dos EUA e a sua vizinhança em Bed-Stuy, Brooklyn.

Em Deana Lawson, a exposição individual que esteve patente em 2017 no Contemporary Art Museum em St. Louis, tornou-se ainda mais claro que, por mais que as fotos da artista de 36 anos sejam captadas em lugares distantes e envolvendo completos desconhecidos, o esforço de todos os envolvidos vai contra clichés culturais. É como se Lawson fosse a responsável pela composição de um álbum de fotos familiar intimista, que retrata os detalhes internos vívidos e significativos de um universo negro contemporâneo.

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Deana Lawson, "Kingdom Come", Addis Abeba, Etiópia, 2015. Impressão a jacto de tinta, em moldura Sintra, 55 x 44 polegadas. Edição 1 de 3, com duas provas para a autora. Cedida pela artista/ Rhona Hoffman Gallery, Chicago.

As fotos altamente encenadas dão a impressão de que Lawson começa tudo com um conceito. No caso de “Kingdom Come”, tirada em 2015 em Addis Abeba, Etiópia, esta poderia muito bem ser encarada como um retrato de linhagem e tradição. Já “Otisha”, tirada em Kingston, na Jamaica, conta uma história diferente, uma história de negritude, que subverte noções clássicas de beleza enquanto objecto a ser usado somente pelos brancos.

Usando a Vénus como inspiração, Lawson cria, a partir da negritude, a sua própria definição, criticando os estreitos monopólios estéticos que a branquitude impõe sobre o corpo, a sexualidade e os cânones do retrato. A sua figura resiste a reclinar-se, usando o sofá branco da sala para manter uma pose assimétrica, elevando-se. A porção inferior do corpo da modelo angula-se para fora do sofá, comunicando assim uma ruptura no posicionamento da beleza, feminilidade e força negras.

Vê mais fotos de Deana Lawson abaixo e aqui.

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Deana Lawson, "Otisha", Kingston, Jamaica, 2013. Impressão a jacto de tinta em moldura Sintra, 35 x 45 polegadas. Cedida pela artista/Rhona Hoffman Gallery, Chicago.

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Deana Lawson, "Congregation", Porto Príncipe, Haiti, 2012. Impressão a jacto de tinta em moldura Sintra, 34 x 45 polegadas. Edição 1 de 3 com duas provas da autora. Cedida pela artista/Rhona Hoffman Gallery, Chicago.


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