O que diabos está acontecendo na Arábia Saudita?
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O que diabos está acontecendo na Arábia Saudita?

A prisão de príncipes e ministros numa operação de combate à corrupção marca o que pode ser uma ofensiva do príncipe herdeiro para controlar o poder no país.
7.11.17

Matéria originalmente publicada na VICE News.

O príncipe herdeiro da Arábia Saudita Mohammed bin Salman ordenou, no último fim de semana, a prisão de onze príncipes, dezenas de ministros e oficiais de alto escalão do país numa ofensiva contra a "corrupção", vista amplamente como um plano para consolidar seu poder.

Horas depois de ser apontado como chefe do comitê anticorrupção, o príncipe Mohammed bin Salman, o filho favorito de 32 anos do Rei Salman, prendeu 11 príncipes além de vários membros de alto escalão do governo do país.

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O príncipe Alwaleed bin Talal, um grande investidor do Twitter e do Citigroup, é o detido mais famoso; o magnata é acusado de lavagem de dinheiro, suborno e extorsão, segundo informa a Reuters.

Autoridades sauditas anunciaram na segunda-feira (6) o congelamento das contas bancárias dos suspeitos, informou a rede estatal Al-Arabiya. O caso fez o preço do petróleo disparar, com barris de petróleo cru atingindo a marca de US$62,55, o valor mais alto desde julho de 2015.

O que você precisa saber:

  • Autoridades sauditas ainda não deram os nomes de todos os detidos, mas oficiais confirmaram à Reuters que o príncipe Miteb bin Abdullah, ex-chefe da Guarda Nacional Saudita, foi preso, assim como o ministro da economia Adel Fakeih; o governador de Riade príncipe Turki bin Abdullah, e o ex-ministro das finanças Ibrahim al-Assaf.

  • A Reuters informou que alguns dos detidos estão presos no hotel Ritz Carlton no bairro diplomático de Riade.

  • Mohammad bin Salman, ou MbS como ele é conhecido, quer reformar a sociedade saudita e acabar com sua dependência das fontes de petróleo. Depois de uma ascensão dramática ao poder nos últimos anos, MbS é o principal tomador de decisões do Reino em políticas que vão de segurança a economia. Ele liderou a guerra de dois anos do país contra o Iêmen, e recentemente teve uma desavença diplomática com o Catar.

  • Apesar de implementar medidas de austeridade, MbS não dispensa opulência. Ano passado, enquanto estava de férias no sul da França, ele viu um superiate de um magnata russo e o comprou por US$550 milhões.

  • Para acrescentar ao clima de instabilidade nacional, o príncipe Mansour Bin Muqrin morreu no domingo (5) num acidente de helicóptero próximo à fronteira com o Iêmen. Ainda não está claro o que provocou o acidente, mas apenas 24 horas antes o governo saudita afirmou ter interceptado um míssil do Iêmen perto do aeroporto internacional de Riade.

  • Outro fator que complica a situação é a renúncia, no sábado (4), do primeiro-ministro libanês Saad al-Hariri. Alegando que havia uma conspiração para matá-lo, al-Hariri culpou o Hezbollah e seus apoiadores iranianos pela instabilidade na região. O Hezbollah respondeu, acusando a Arábia Saudita de obrigar al-Hariri a renunciar. Na segunda (6), al-Hariri se encontrou com o Rei Salman em Riade.

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