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Noisey

Inventar um idioma pra sua banda é uma boa ideia

Tudo que você fala nas suas letras alguém já disse um dia. Então por que não inovar e inventar seu próprio idioma?
8.8.14

Dá uma olhadinha nas letras das músicas da sua banda. Mas olha direitinho, esquece que foi você que escreveu, imagina que quem tá escrevendo aquilo ali é um artista que você acha chato pra caralho. Isso ajuda um tanto na imparcialidade

As letras da sua música falam de amor? Relacionamentos? Críticas sociais? Crítica ao comportamento humano? Bom, já deve existir um bocado de canções falando a mesma coisa que você tá tentando passar. Aliás, imagina você dando uma entrevista e falando que através da sua música você quer “passar uma mensagem para o público”. Foi legal a cena?

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“Ok, minhas letras são uma porcaria e tudo mais do mesmo!” Que bom que você chegou a essa conclusão!" É, mas eu não sou muito chegado em música instrumental, e eu sou o vocalista da banda e não sei nem o que é um acorde de sexta germânica.” Calma, eu não vou te deixar na mão, tem uma maneira de você continuar sendo vocalista e assim ter uma maior porcentagem de groupies chovendo na sua horta do que o resto da banda.

Você vai inventar um idioma p’ra sua banda. Dá um certo trabalho, mas o maneiro é que vai soar como um idioma exótico em qualquer lugar do planeta, o que não aconteceria, por exemplo, se você fizesse músicas em catalão, já que numa possível turnê na Catalunha todo mundo ia entender suas letras e sacar que são um lixo.

Uma banda que inventou um idioma chamado p’ro seu álbum foi o Kalisia. Mas na verdade o idioma (chamado kal) é só p’ra uma espécie de alienígenas do enredo, ou seja, é um bagulho meio Senhor dos Anéis, que tem uma língua só dos elfos, outra só dos anões, sei lá não vi esse filme todo, dormi. Enfim, dá uma ouvida no disco:

Outro exemplo clássico de idioma inventado p’ra música é o kobaïan, inventado por Christian Vander e utilizado nos discos de sua banda, o Magma.

Se você preferir, as letras não precisam nem ter sentido algum, vai só juntando umas sílabas que fiquem agradáveis e sai cantando. Pode ser tipo um Edmottês ou como o vonlenska, “linguagem” usada no álbum ( ) da banda islandesa Sigur Rós.

Ainda na onda de não significar nada, tem o idioma do The Sims, o simlish, que tive a impressão geral de ser bem tchongo. Não que eu tenha lido muita coisa em simlish, foi só de ouvir essa versão de “Last Friday Night”, da Katy Perry.

Se essa não foi suficientemente estranha tenta essa do Andy Kaufman.

Ainda na linha do nonsense completo temos Damo Suzuki, que ficou conhecido por ser vocalista da banda de krautrock Can. Nela ele começou a mostrar sua técnica de improvisar não somente as melodias vocais como também as palavras, como você pode ver nesse vídeo em que ele faz mais de uma hora de jam session com a banda Pond.

Bom, está dada a dica, só não caia na besteira de usar idiomas artificiais já existentes, tipo uns bagulhos de Star Wars ou do já citado Senhor dos Anéis. E tente não usar essas técnicas p’ra pregar a palavras de Deus na tevê.

O Evandro Morellato tem seu próprio idioma. Você pode conferir em mais posts dele aqui no Noisey:

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