
A Taina. No primeiro dia, a coisa é fácil. Tudo junto no palco Taina, o mais bonito de todos. Aconselho os amantes do pensamento livre e do ruído a reservarem lugar para os Canzana. O duo Bruno Silva e Pedro Sousa toca Santa Catana por volta das 19h40 e não se fica por aqui: 40 minutos depois junta-se aos Cangarra de Ricardo Martins e Cláudio Fernandes para um duelo sónico que não deixará sobreviventes (espero). Já depois da hora do Vitinho, os inigualáveis Holocausto Canibal (que prazer será vê-los em Barcelos) são o aquecimento perfeito para o destilar dos corpos capitaneado por um Sabre movido a batida contagiante — que é como quem diz "é para dançar". Já que lá vamos estar, é OBRIGATÓRIO ficar para ver os DJs da casa e dar um abraço a cada um deles. 26 DE JULHO
O primeiro dia a sério. Se sobreviverem ao primeiro dia, não acordem cedo. A cerveja não acaba no café e há donuts que cheguem para nos alimentar até ao fim do fim-de-semana. Se ainda assim quiserem muito ir passear, há escolhas difíceis a fazer: na piscina, os Adorno vão, com toda a certeza, espalhar apoteose por tudo o que é ser humano que se acerque deles. Não vão querer perder os JUBA e o seu sol tropical, sem esquecer que logo a seguir Yonatan (Monotonix) e Igor (Throes) vão estar a experimentar umas malhas com guitarra e bateria. Se preferirem ficar por terra, de volta ao palco Taina, a armada nacional arranca com os Quelle Dead Gazelle e só pára nos Mr. Miyagi, de regresso a terras secas depois de virarem a piscina do avesso em 2011. Pelo meio, cabe aos dUAS sEMIcOLCHEIAS iNVERTIDAS (espero ter escrito isto bem) mostrar a muita gente como é que se faz música. Depois do sol se pôr, de escaldão ou com marcas de um bronzeado tímido, é hora de rumar ao palco Milhões: os Papir, que alguém me garantiu fazer lembrar Causa Sui, são a banda ideal para viajar para outras paragens. Como já é hábito, o palco VICE entra em acção logo a seguir e vale a pena ouvir o que Mikal Cronin tem para cantar entre guitarras e psicadelias vocais. De um lado para o outro, parem por cinco minutos para espreitar Jacco Gardner e preparar a mente e o corpo para a junção entre Black Bombaim e La La La Ressonance (será que eles cabem todos num palco?), com a promessa de uma bofetada de insanidade musical, daquelas que marca. No final, agradeçam a coça. Em melhores ou piores condições, importante mesmo é que fiquem para outros dois pontos altos: a arte teutónica dos Camera (palco VICE) e o arrastar altivo dos Ufommamut (palco Milhões). 27 DE JULHO
Sobrevive! Sabendo que ao terceiro dia já ninguém se levanta a 100 por cento, aproveitem para comprar um folhado misto e (mais) um donut. Vão precisar da energia para viajar ao lado dos 10.000 Russos e dos Dreamweapon, uma das melhores surpresas do ano que, quando dermos por isso, já está a acabar. Se ainda tiverem tempo, corram até à piscina para assistir ao purgar da Besta. Depois, é regressar ao recinto para três de seguida: o ritual intenso dos HHY & The Macumbas, a bofetada de mão aberta dos Process of Guilt e a festa psicadélica dos Loosers. Quando recuperarem, percam a cabeça e partam para a festa com os ZA! aos ombros. Se as pernas aguentarem, vai valer a pena assistir de perto ao regresso dos Eyehategod, sem esquecer que a seguir Octapush e DJ Marfox botam sonoro até o sol raiar. 28 DE JULHO
O último suspiro… Arrependidos de alguma coisa? Claro que não. Mas, pelo sim pelo não (e para fugir ao calor, caso o tempo esteja bom), é hora de mergulhos e "chap chap" na piscina na companhia dos Torto. O trio portuense tem nas mãos um dos discos mais aguardados do ano e é o prato principal de uma tarde em que a sobremesa é etérea: os Evols actuam com o sol a cair no palco Taina e não há desculpas para não ir. Se a fome começar a apertar e as pernas ainda derem sinal de vida, escolham sabiamente entre a pizza com batatas do Cristo Rei e o panadão do Xispes. Enfim, qualquer um dos dois vai bem com o digestivo espacial servido pelos The Partisan Seed e Riding Pânico, ambos no palco Milhões. Pelo meio, os Dirty Beaches distribuem sujidade, escuridão e um mundo muito próprio, naquele que será, adivinho eu, um concerto com mais destaque do que aquele que o Alex deu há dois anos. Como este é o último dia, festejar é imperativo, logo há que fugir ao sono e ao cansaço. A partida é com os Orange Goblin, o checkpoint faz-se com os franceses Zombie Zombie e a chegada à meta é com o Óscar Silva em modo Jibóia Experience, a tomar conta do palco Milhões para uma festa pintada com cores deste e de outro mundo. Na meta final, Mykki Blanco e El G esperam por nós e ajudam a fechar mais um Milhões com chave de ouro. Metaforicamente, claro. As saudades começam a partir do momento em que a última nota deixar de soar em Barcelos, às primeiras horas de segunda-feira.