
Paulo Silva, da Pastelaria Conselheiro, não se queixa. “[O festival] É muito bom. Trabalha-se, não se descansa. Quase não há tempo para dormir. É passar duas horinhas pelas brasas e está a andar”, revela. Pela madrugada fora, estarão os festivaleiros nas últimas cervejas ou em sono profundo, Paulo andará de volta dos fornos a fazer bolos — entre os quais o típico courense, uma espécie de travesseiro composto por “massa folhada feita de maneira diferente, chila e amêndoa”. No restaurante homónimo, a uns passos dali, pode-se provar outra delícia local, os formigos de Coura. No Café Courense, Sílvia Gomes já se habituou ao corrupio dos dias de festival. “É um esforço extra. Temos de ter um bocadinho de paciência”, diz a funcionária. “É diferente, é animado, é bom.” Os locais elogiam os croissants do Courense, bem como as suas sandes americanas. Ali perto (tudo é perto em Paredes de Coura), Natália Cerqueira, da Papelaria Nova Coura, vende jornais e tabaco ao povo do rock. “Os festivaleiros fazem fila”, descreve Natália, que nunca foi ao festival. “Trabalhamos muito mais, mas eu prefiro assim. Não vemos as horas passar.” SEGREDOS
Pedi à Natália que partilhasse um segredo courense. Mandou-nos para os arredores, para Insalde, freguesia do concelho de Paredes de Coura. É lá que está o restaurante Casa do Xisto (não provámos e já adoramos: nas especialidades há "arroz das matanças", acompanhado por rojões de bísaro ou costelinhas de javali). O espaço “tem umas lagoas, dá para pescar”, diz. Outra dica de Natália, para quem tiver automóvel: rumar à paisagem protegida do Corno de Bico. Sílvia Gomes puxa a brasa à sua sardinha. “Para quem tem carro, nas aldeias há sítios bonitos. Eu gosto da minha aldeia, que é Padornelo”, aponta. Há lá “um grande santuário”. “No ano passado, tivemos um grupo de rapazes que tinham uma rulote e foram aí pelo concelho. É uma ideia. Há sempre coisas bonitas para fazer.”