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Para Russ Hamstring, o fundador e admnistrador do Zitmeister.com, o sentimento indirecto de limpeza é o que o leva a rebuscar a net à procura destes vídeos. “Pessoalmente, só quero deitar fora as impurezas. A satisfação é grande quando vejo a explosão final. E é ainda melhor quando há som”.O Russ também admite que para alguns dos utilizadores do seu site, o rebentamento de borbulhas é um fetiche que roça o sexual. “Tive uma mulher que se ofereceu para apanhar um avião e vir ter comigo só para me rebentar as borbulhas. Prometeu que me enchia de presentes e que me levava para hotéis caros”, afirma. “Mas não fico assim tão maluco com as borbulhas. Um casamento temático com borbulhas não me parece uma coisa muito atractiva. (O Russ acrescenta ainda que 35% dos utilizadores do Zitmeister.com são mulheres entre os 40 e os 50 anos.)Ainda assim, a estrutura de um vídeo de borbulhas realmente satisfatório reside no clímax final. Um dos utilizadores do subreddit /r/popping explica que a estrutura narrativa de um bom vídeo deve ter um início, meio e fim. “Quanto maior o quisto, mais pus de lá sai e mais rapidamente se dá a acção. Um ponto negro do tamanho de uma unha, enterrado há 25 anos, tem um enredo atroz enquanto os rebentadores tentam tirar a porcaria, que no fim sai gloriosamente”, explica-nos. Claro que isto só acontece quando a pessoa a segurar a câmara tem estômago para aguentar aquilo. “Não aguento quando a pessoa que está a gravar resolve filmar o chão enquanto o pus sai de um quisto perfeito”, queixa-se outro Redditor.
Mas nem todos os voyeurs das borbulhas o fazem pelo amor à porcaria. Alguns – nos quais eu me incluo – ficam simultaneamente enojados e empolgados com estes vídeos, o que resulta de um interesse mórbido em relação a fenómenos do corpo humano sujeitos a situações extremas. O Dr. Harris B. Stratyner, professor associado no departamento de psiquiatria de Mount Sinai, demonstra claramente a sua repulsa: “Vi alguns vídeos e senti-me mal. As pessoas andam a fazer coisas que são simplesmente nojentas. Já trabalhei em emergências de hospitais… E nem tudo me deixa enojado. Mas tenho de admitir que isto me deixou mal. Isto é simplesmente repugnante.”De onde vem esta repulsa do Dr. Stratyner em relação a estes vídeos nojentos? Bem, a teoria da morte de Freud pode ser a chave. Segundo os seus escritos, “se subires ao topo do Empire State Building e olhares para baixo, há sempre uma parte de ti que gostaria de saltar. Não porque queres morrer, mas porque há um forte impulso para o conceito desconhecido da morte — que nós não compreendemos”. De igual forma, somos instintivamente atraídos em relação ao mistério daquilo que vive dentro de nós. O que é que estamos a extrair? O que é este corpo estranho por debaixo da nossa pele? Como o meu comentário preferido do Reddit tão eloquentemente conclui, estes vídeos lembram-nos de que, no final de tudo, somos todos feitos de merda.
