Identidade

As 1001 noites de Salvador da Bahia

A cidade mais negra do Mundo fora de África transpira sexualidade e juventude. O fotógrafo Matheus Thierry capta tudo isto com um olhar único.

Por Débora Lopes
20 Outubro 2016, 11:43am

Foto por Matheus Thierry

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Brasil.

É nas noites quentes e abafadas dos inferninhos e clubes de Salvador, na Bahia, Brasil, que o fotógrafo Matheus Thierry cumpre a sua função: registar jovens a divertirem-se. Do twerk ao cigarrinho na boca, os seus fotografados transpiram tesão e calor, posam em cima da mota de outros, fazem caretas, bocas, vão ao chão. Hormonas. Coisas da noite.

O ofício é recente. Matheus tem 20 anos e há três que carrega as suas câmeras ao pescoço. A primeira ganhou-a de presente do namorado da mãe. Desde o dia em que fotografou uma festa mais ou menos sem querer, nunca mais parou. "A fotografia foi uma paixão muito rápida", comenta. E, assim, a noite transformou-se na sua maior aliada.

Foto por Matheus Thierry

"Passei a gostar de fotografar festas pelo lado documental. A adrenalina de apanhar um momento espontâneo interessante, fotografar cenas e pessoas que eu não vejo de dia na rua...", define o fotógrafo, integrante do colectivo Deu Zebraa, especializado na cobertura da movida nocturna local, como a Batekoo, ou eventos que acontecem na Casa da Luz Vermelha. "As festas que fotografo geralmente fogem da cultura heteronormativa, branca e elitista, que ainda é muito predominante na noite da cidade", assinala.

Salvador é um paraíso, claro. Já falámos sobre isso. A cidade mais negra do Mundo, fora de África transpira negritude e Matheus capta isso com um olhar único. Às vezes também analógico. Trata-se de alguém muito novo a fotografar pessoas igualmente novas. Nos anos 90, Harmony Korine fez isso em Kids e causou o escândalo geral. Com Larry Clark na realização, o então jovem guionista de 22 anos levou aos ecrãs de todo o Mundo o que, na vida de parte dos adolescentes norte-americanos e do resto do Planeta, era normal: sexo, relacionamentos estranhos, festas e drogas. E repetiu a dose em Gummo, outro filmaço.

Foto: Matheus Thierry

Apesar de estudar artes na Universidade Federal da Bahia (UFBA), Matheus nunca estudou fotografia propriamente — o que não o impede de passar horas e horas a ler e a pesquisar sobre o assunto. "Gosto muito de fazer o que eu faço", frisa.

Nós também gostamos muito de ver o que tu fazes, Matheus. Portanto, continua a mandar umas fotos loucas de Salvador, que nós continuamos a seguir-te daqui.

Abaixo, podes ver mais registos de hormonas palpitantes.

Foto por Matheus Thierry

Foto por Matheus Thierry

Foto por Matheus Thierry

Foto por Matheus Thierry

Foto por Matheus Thierry

Foto por Matheus Thierry

Foto por Matheus Thierry

Foto por Matheus Thierry

Foto por Matheus Thierry

Foto por Matheus Thierry

Foto por Matheus Thierry

Fotopor Matheus Thierry

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