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Um Sucinto Porém Jovial Glossário da Música Eletrônica: Letras J, K e L

Seguimos no encalço de gêneros, termos técnicos, referências culturais e piadinhas internas para te ajudar a entender o complexo e maravilhoso mundo da eletrônica.

O grande gênero da música eletrônica visto de fora pode parecer uma confusão sem tamanho. Olhando de dentro também é um pouco, pra falar a verdade. De qualquer forma, preparamos este pequeno glossário para você entender um tanto melhor esse estilo de som em suas inúmeras encarnações. Alternamos em ordem alfabética alguns termos técnicos com verbetes que tentam explicar sucintamente também os distintos gêneros, subgêneros e derivações, para viabilizar uma superficial organização mental do que foi produzido em toda a história da música eletrônica. A ideia não é dar um guia definitivo, mas sim elucidar alguns pontos específicos dentro dessa cósmica e plástica sonoridade às vezes dançante. Nesta semana continuamos a jornada com as letras J, K e L.

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J-POP: Não é um gênero eletronico em si, mas muito da instrumentação e ritmo desse maldito gênero musical feliz, que até tem coisas boas, vem diretamente de gêneros de música eletrônica como o house, techno e do infernal happy hardcore.

JAPANOISE: Na ativa desde os anos 80, existe este estilo que, embora não possa facilmente ser chamado de um gênero musical, ao menos esboça uma corrente bem prolífica dos artistas do barulho (literalmente) japoneses. Comporta barulhos distindos, desde o mais abrasivo e digital Merzbow, com suas camadas de texturas de distorção ao mais orgânico, e jazzistico Hijokaidan, esse segundo tendo bastante referência da música concreta francesa. É em geral um som que se você ouvir muito, é bem provavel que você esqueça regras básicas de como se viver em sociedade.

Ouve isso daqui inteirinho pro seu cérebro virar geleia.

JUNGLE: Melhor conhecido como oldskool jungle, é um estilo de música eletrônica que surgiu a partir do break beat, dancehall e do ragga, ou seja, da sopa maluca que era a Inglaterra nos anos 90. Foi a origem para o tão amado e surrado drum and bass. Mais rápido do que seus gêneros fundadores, o jungle funde as viradas quebradas do break beat com o baixo pronunciado do reggae e dancehall.

Não se engane pela música no começo, isso daqui é uma hora seguida da melhor batida inglesa/jamaicana/caribenha.

KAZANTIP: É um festival ucraniano de música eletrônica criado em 1992. Até a edição de 1999 ele rolava dentro de uma usina de energia nuclear abandonada (antes de ficar pronta). Imagina a vibe do negócio por volta de 95, com aqueles clubbers do leste europeu todos? Como um verdadeiro festival realizado na Crimeia, região recentemente anexada pela Rússia, o idealizador do KaZantip já demonstrou apoio aos irmãos russos e estranha que Vladimir Putin ainda não tenha visitado essa verdadeira casa de alegria e curtição. Depois da recente mudança geopolítica no local, o festival teve que mudar para a cidade de Anaklia na Georgia, mas tudo indica que a curtição continuou a mesma.

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KORG: Uma das principais marcas de instrumentos eletrônicos de nossos tempos, que desde os anos 60 produz orgãos e sintetizadores. Inclusive o nome original da empresa é Kaio e o nome Korg vem de Kaio Organ. Dentre as inovações criadas pela empresa estão as teclas de transposição, que permitem alterar a oitava disponível para quem toca o instrumento e já colocar efeitos e envelopes pré programados em seus sintetizadores. Essas vantagens fazem parte do cardápio ténico da empresa desde seu Korg 700, lançado em 1973 e que tinha entre seus fãs os magos dos teclados Vangelis e Kitaro. A empresa desde então só vem crescendo e hoje em dia produz sintetizadores, amplificadores, guitarras e pedais de efeito.

KRAUTROCK: O krautrock é um termo um pouco mais amplo do que um mero gênero musical, até porque ele não encerra um estilo completamente definido, mas sim um movimento que rolou na Alemanha nos anos 70. A importância dessa turma para a música eletrônica veio em suas crias como o Kraftwerk, que a principio era uma banda de instrumental livre, mas que aos poucos se tornou um grupo de música eletrônica. A coisa ficou séria a partir de seu terceiro disco de estúdio, Autobahn, lançado em 1974. Outros grupos ligados ao krautrock como o Neu! também usavam intrumentos e técnicas eletrônicas em suas músicas e, embora tenham sido importantes em servir de referencia para outros gêneros, não tiveram a força seminal que o Kraftwerk teve para outros gêneros puramente eletrônicos.

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KUDURO: O mito fundador do kuduro não poderia ser mais interessante. O auto proclamado inventor e rei do Kuduro, o angolano Tony Amado, a partir de uma cena do filme protagonizado por Jean Claude Van Damme, Kickboxer, onde o lutador bêbado dança todo travadão, como o esperado de um carateca belga. A partir dessa cena, o dançarino e produtor musical Tony Amado fez uma base para acompanhar um estilo de dança que ele chamou de kuduro, referindo-se ao estilo travadão de dançar do lutador, e o resto é história. Se isso tudo é verdade eu não sei, mas prefiro acreditar que sim. Dá pra sacar a declaração do Rei do Kuduro em carne e osso nesse video. Na prática, o ritmo tem referências no também angolano semba, no house americano, kizomba e do caribenho zouk. Tendo sucesso moderado e regional em Angola até os anos 2000, a partir do final da década teve propagação internacional através do apoio e incorporação de seus ritmos por grupos como Buraka Som Sistema e M.I.A.

KWAITO: Nascido na África do Sul no começo dos anos 90, o kwaito é um gênero que a partir de um house mais lento incorpora elementos da música tradicional africana para gerar um som bem gostosinho mesmo. O primeiro hit do gênero é atribuido à música Kaffir do sul africano Arthur Mafokate, que foi um dos maiores responsáveis por estabelecer o tom da música sulafricana eletrônica a partir de 1995 com seu hit Vuvuzela. As letras das músicas também refletiam muito do clima político na África do Sul da época, com a subida ao poder de Nelson Mandela e o recente fim do Apartheid. Hoje em dia o kwaito não se restringe à África do Sul, mas também contaminou a nação vizinha da Namíbia, que tem seus artistas próprios como The Dogg.

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LATIN HOUSE: Bienvenido a la musica del futuro THUM THUM THUM THUM calienteeeee, HOT, calieeenteeeeeee, HOT! O começo dessa faixa do produtor Pizarro diz tudo. Essa derivação da house music foi produzida nos anos 90, especialmente pelas comunidades sul americanas e caribenhas dos Estados Unidos, adaptando o estilo americano ao gosto, timbres e letras dos latinos. Bem ao gosto dos anos noventa mesmo.

LENTO VIOLENTO: Estilo Italiano que a partir de um techno/trance bem lentinho, por volta de 70 BPM, trabalha com um minimalismo que permite distinguir os elementos que compõe as músicas bem distintamente. Traço característico é o bumbo bem pronunciado, como no hardcore e hardstyle.

LFO (Oscilador de Baixa Frequência): Um oscilador usado para alterar as propriedades de uma onda sonora inicial introduzindo uma outra faixa de som não audível para o ser humano, mas que altera a onda audível inicial. Através da alteração desta faixa de baixas frequências é possível criar efeitos como o tremolo, o phaser, entre outros. LFO também era o nome de uma dupla inglesa de produtores constituida por Gez Varley (que deixou a dupla em 1996) e Mark Bell, falecido recentemente. Bell foi um renomado produtor, reconhecido por suas experimentações, mas mais conhecido por fazer parte da produção dos discos de estúdio da islandesa Björk desde o disco de 97, Homogenic.

LOOP: Técnica de reproduzir repetidamente um sample, a princípio indeterminadamente. É a base de grande parte da música eletrônica, especialmente as que não tem sua base ritmica feita em bateria eletrônica. A técnica de fazer loops que baseiam uma música em trechos ritmicos relativamente curtos, foi o fundamento do break beat, por exemplo.

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