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'Procrasturbação' É o Último Refúgio do Trabalhador Sobrecarregado e Insatisfeito

Talvez isso possa ser mais eficaz do que os livros de colorir.

Foto via usuário do Flickr Johan Larsson.

Enquanto eu escrevia este texto, fiz cinco começos falsos, entrei no Twitter oito vezes, recarreguei a página do meu e-mail outras quatro, troquei mensagens no celular com dois amigos fique no chat com um terceiro, fiquei sem café quatro vezes e me masturbei – duas vezes. Todas essas são formas de procrastinação. Mas só uma é uma forma de procrasturbação.

Procrasturbação, diz o Urban Dictionay, é "procrastinar se masturbando". Um pouco mais obscuro é um artigo do Psychology Today destacando que "adiar a realização de uma tarefa é tão bom que isso resulta em… euforia", uma definição que me levou a imaginar se o autor algum dia se masturbou direito. Em abril de 2013, Jon Stewart sugeriu que isso é "usar da masturbação para se ocupar enquanto questões mais importantes esperam".

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Pode parecer simplesmente uma questão de por que deixar para depois se você pode acariciar a gatinha agora, mas procrasturbação é muito mais que isso. É substituir tormentos – ou pelo menos tédio – por prazer. E, como o nome sugere, isso é um pouco ofensivo. Procrasturbação é um ato juvenil num mundo adulto. É rabiscar fisicamente os muros do mundo corporativo, pichando com tinta que só pode ser lida com Luminol. Mais pertinente, procrasturbação é algo que você, eu e todo mundo aprendemos a fazer quando éramos adolescentes.

Como você, eu já fui uma adolescente com todo o tempo do mundo. Minha adolescência foi bem escrota: parte disso por motivo particular para mim, mas muito não. Ser adolescente é perturbador e difícil: é atravessar uma nova paisagem num corpo sempre em mutação que atira pelos e hormônios, e é tentar estabelecer sua maturidade enquanto luta com o abraço persistente da infância. Espinhas, raiva. Menstruação, confusão, ereções inesperadas e alienação. A adolescência é horrível.

A única coisa que se salva nessa idade é a masturbação. Orgasmos curam muitos males: a eu de 11 anos aprendeu lendo Meu Jardim Secreto, de Nancy Friday, e O Relatório Hite, dos meus pais. Esses dois livros seminais dos anos 70 me ensinaram a me tocar. Por mais ocupada que eu esteja agora, ao espremer orgasmos apressados entre o final de um longo dia de trabalho e a maratona de Arrow no Netflix, penso naqueles tempos tranquilos quando eu era uma adolescente e tinha muito tempo para gozar.

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Aprender a se masturbar transforma seu corpo adolescente de um aparelho de tortura para um playground, mas isso também demarca seu corpo como seu. Masturbação é algo divertido porque você faz isso em segredo, como roubar cigarro e cabular aulas, e você faz isso porque é a melhor maneira de mostrar que você é sua própria pessoa. É a primeira vez que o humano faz do prazer um ato político – mas não é a última.

Assista a nosso documentário sobre a indústria do amor digital:

Aos 12 anos, eu achava que a vida adulta seria o fim da encheção de saco, do tédio e da supervisão. Eu nem conseguia imaginar cubículos, prazos, executivos de microgerenciamento e listas. Como adulta, no entanto, me reconciliei com o fato de que, de algumas maneiras, nunca vou deixar a adolescência para trás, e uma dessas maneiras é a masturbação. Especificamente a procrasturbação, um ato possível unicamente graças à tecnologia de hoje.

Trabalho em casa, assim como certa parte da população – algo entre 2,5% e 30% dos trabalhadores dos EUA trabalha em casa pelo menos uma vez por semana, dependendo da estatística que você encontrar. Acrescente estudantes a esse grupo, e o número de procrasturbadores em potencial decola. A internet de banda larga permite trabalhar em casa, mas também que você leia aquele artigo, e aquele artigo te faz considerar a ideia de se tocar. Não minta.

Apesar de permitir trabalhar mais, mais rápido e melhor do que antes, a internet também foi feita para a pornografia, e a pornografia leva à masturbação. Humanos são animais astutos na busca do prazer. Alguns (de nós) adiam a gratificação para conseguir dois marshmallows depois, mas a maioria enfia aquele único marshmallow inteiro na boca agora. É um passo curto ir do trabalho para a punheta quando seu navegador completa "Y" com "YouPorn".

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Os smartfones encurtaram ainda mais essa distância. Por um momento, vamos remover o ato físico de esfregar ou acariciar da equação masturbatória. Vamos considerar apenas devaneios eróticos como um ato de procrasturbação. Quantos não pararam no meio de uma tarefa para olhar o Tinder, o Grindr ou o seja-lá-que-aplicativo-você-usa? Quantos não passaram pelo fluxo do Instagram atrás de armadilhas como as aves de rapina sedentas e excitadas que somos? Quem nunca mandou mensagens eróticas durante o horário de trabalho que jogue a primeira pedra.

A possibilidade de procrasturbação mostra quão difusa nossa divisão entre trabalho e prazer se tornou. Se o e-mail da sua firma pode ser baixado no celular, você nunca mais sai do trabalho. A tecnologia corroeu as barreiras entre trabalho e vida privada, apagando a divisão 8-8-8 entre trabalho, lazer e sono. Sim, vivemos numa realidade em que o Grande Irmão está sempre te observando, mas também vivemos num mundo em que os chefes substituíram nossos pais. Nesse contexto, argumento que a procrasturbação é mais do que uma perda de tempo. É tanto um ponto de prazer quanto de resistência. Em termos marxistas, quando somos alienados pelo nosso próprio trabalho – e quem não é? –, masturbação no expediente é um ato político. É tomar de volta seu tempo vendido e tornar isso seu de novo, é reivindicar essa elisão entre trabalhador e indivíduo da maneira mais primitiva e prazerosa possível.

Como camadas geológicas cravejadas de fósseis e escombros de civilizações passadas, adultos carregam em si os vestígios de seus antigos eus. Nem sempre sabemos disso: não podemos sempre ver, mas nossa história está lá. Aquela pessoa de 11 ou 12 anos que se tranca no quarto com uma revista Playboy e papel higiênico pode estar escondida, mas não desapareceu. Assim como o autoprazer definiu a identidade adolescente como sua, pois era separada dos seus pais, da sua família, da sua fé e da sua escola, assim também a procrasturbação marca território como seu. Naqueles minutos doces de diversão, você não é seu emprego. Você não é suas obrigações. Você não é seus ressentimentos, suas listas, sua roupa suja ou seu tédio. Você tem 12 anos e ainda é livre.

Faça isso agora como você fazia antes. E agora – como na época – tente não ser pego no flagra.

Chelsea G. Summers escreve para a Adult Magazine e muitas outras publicações. Siga-a no Twitter.

Tradução: Marina Schnoor