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Confisco de Rádios
O ZANU-PF tem invadido vilarejos na calada da noite e confiscado rádios. Os rádios foram distribuídos por organizações de direitos humanos para que “comunidades rurais tivessem um meio de saber exatamente o que está acontecendo em seu país”, Barry me disse. “O ZANU-PF sabe disso, por isso faz o que faz.” Primeiro, o ZANU-PF disse que estava fazendo isso porque os rádios estavam sendo usados para transmitir discursos de ódio. Depois mudou de ideia e disse que os rádios tinham sido trazidos ilegalmente como carga diplomática. Uma desculpa muito melhor, agora eles podem prender monitores de organizações de direitos humanos por envio ilegal de rádios.A pior parte é que o partido está aparentemente usando crianças para descobrir e delatar donos de rádios. Barry disse: “Não posso dizer com certeza se essas alegações são verdadeiras, mas isso não me surpreenderia. O ZANU-PF já explorou crianças no passado e provavelmente fará isso de novo. As milícias jovens sempre foram um fator crucial nas táticas de intimidação do ZANU. Infelizmente, muitos desses garotos vêm de áreas rurais onde nunca foram expostos a nenhuma mídia externa e sofrem lavagem cerebral desde muito jovens para acreditar que o ZANU-PF é o começo e o fim da política”.
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Por todo o Zimbábue, as pessoas têm sido forçadas a comparecer a reuniões noturnas pela juventude pró-Mugabe. Barry me disse: “O ZANU-PF não tem o apoio da maioria da população, então o partido recorre a esse tipo de tática”. Nas reuniões, informações sobre as pessoas são coletadas e elas passam a ser consideradas partidárias do ZANU-PF. Quem não comparece é marcado como possível “opositor” do regime de Mugabe — tradicionalmente, oponentes do regime não têm uma vida muito fácil no Zimbábue.

Barry me contou que “há rumores de que o ZANU-PF vai usar propaganda psicológica. Ao invés de usar de violência como fez em 2008, o partido vai lembrar de forma subliminar o que aconteceu na época”. Mas a violência já começou. As milícias já estão mobilizadas para ganhar votos através do medo. O ataque mais divulgado provocou a morte de Christpower Maisiri, de 12 anos, filho de um aspirante a candidato do MDC-T, que foi queimado vivo em sua cabana no final de fevereiro.“Esse não é o primeiro caso em que uma criança morre por causa de forças políticas”, disse Barry. “Certas pessoas não têm fronteiras quando se trata de violência e não veem problema em ferir mulheres e crianças.”O Zimbábue também tem visto incontáveis prisões não justificadas de pessoas politicamente influentes para “mandar uma mensagem para o resto do país”. Assessores de Tsvangirai foram presos recentemente, e quando a proeminente advogada pelos direitos humanos Beatrice Mtetwa veio ajudar, ela também foi jogada na cadeia. Beatrice é uma das figuras mais inspiradoras da nação e sua prisão chocou o país, o que é bem impressionante, considerando que todo mundo lá já está acostumado com injustiça perpétua depois de quase 35 anos vivendo sob o comando de Mugabe.
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Ninguém tem qualquer pista de quando a eleição realmente acontecerá. Mugabe quer isso o mais rápido possível, mas o MDC-T quer mais tempo para a organização. Eles querem trazer mais observadores depois que o ZANU-PF baniu monitores da União Europeia e dos Estados Unidos por imporem sanções “injustas”. Barry explica: “Quanto mais tempo tivermos para trazer observadores, maior a possibilidade de uma eleição justa. Se realmente for livre e justa, pelo menos até certo ponto, temos certeza que o ZANU-PF não terá chance de voltar ao poder”.Mas mesmo quando (e se) eles chegarem a um acordo, a nova constituição ainda precisa passar pelo parlamento, que vai mudar muito das regras sobre quem decide quando a eleição acontecerá.O Zimbábue também anunciou recentemente um saldo bancário quase inacreditável de míseros $217 dólares, levando o Ministro das Finanças a admitir que não sabe como o governo poderá financiar a eleição. E isso ainda é um mistério. Barry acha que a China vai interferir: “Há informações na mídia de que os chineses devem financiar grande parte da eleição. Isso é alarmante, todo mundo sabe que muitas companhias chinesas têm sustentado o regime Mugabe em troca do direito de extrair as ricas reservas de diamantes e ouro do país, entre muitos outros recursos”. Se a China ajudar a financiar a eleição, Mugabe provavelmente a terá no bolso mais uma vez.
