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Finalmente fizeram uma camiseta piratona da Cyclone com o box logo da Supreme

Três jovens paulistanos criaram a camiseta inspirada em um som do rapper Diomedes Chinaski.
17.3.17

*Foto por Michael Alves/Divulgação.

"Cês não sabem nada da gente/ Pra nós não importa o kit Supreme/ Isso é Pernambuco/ Cyclone é o crime, Supreme é o creme," canta o rapper Diomedes Chinaski na faixa "Dexunego", dando uma discreta voadora na garganta de alguns rappers brasileiros que acham que comprar o lifestyle é a mesma coisa de ter o lifestyle. Enfim. Orelhadas à parte, essa passagem de Chinaski virou hit. Ou melhor, virou um novo meme para se referir à marca carioca Cyclone, uma das mais famosas nas quebradas Brasil à fora, citada há pelo menos uma década em inúmeros funks cariocas e responsável por produzir os conjuntinhos de bermudão e casaco de veludo mais chave do país. Em contrapartida, existe a Supreme, a marca mais amada pelos paga-pau do Instagram por cobrar uma fortuna em qualquer peça graças ao logo vermelho. No meio de tudo isso, três paulistanos fizeram uma camiseta baseada na letra de Diomedes para a marcas dele de streetstyle chamada CHAMARUA.

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Os estudantes e moradores da periferia de São Paulo, Daniely Oliveira, Janaina de Freitas e Tiago Oliveira criaram a marca CHAMARUA em conjunto graças à paixão pelo rap. O Diomedes Chinaski, claro, não falta nas playlists dos jovens. "Utilizar uma rima dele para fazer uma crítica social na nossa primeira estampa chegando com o pé na porta, apresentando ao nosso público a identidade da marca. Descaracterizando uma marca elitizada, onde seus preços não permitem o acesso e consumo aos nossos. E valorizar uma marca registrada dos moradores dos cantos mais extremos da cidade", afirmam.

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Pegando carona nessa recente volta da moda anos 2000, a Cyclone acabou tomando a atenção de um ou outro queridinho da moda que exalta a marca para dar aquele toque de ironia insuportável. Porém, muito antes dessa galera, a Cyclone era, e continua sendo, um objeto de desejo nas periferias do Brasil e um item de ostentação. Faz tanto sucesso desde os anos 90/00 que muitos gostam de relacionar a marca com o crime, comparação constantemente criticada por quem usa as peças da marca.

"Ser morador da periferia é encarar diariamente uma inferiorização dos nossos hábitos, vestimentas e modo de falar", explicam os donos da marca. "Longe dos madeirites rosas o preconceito existe, mas não é com a Cyclone e sim com o público que ela representa. Porém, dentro da periferia é diferente. É a conquista e satisfação do jovem periférico de estar "trajado de Cyclone", gritando ao mundo sua identidade. "

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Assim que a camiseta foi postada em um grupo de vendas do Facebook, choveram críticas sobre a estampa da camiseta, vendida por R$ 60,00. "Uma das nossas colaboradoras sofreu comentários machistas de cunho sexual extremamente abusivos. Afinal, além de todas as barreiras que enfrentamos diariamente, ainda o fato de sermos mulheres mostrando o nosso trabalho incomoda", contam.

No entanto, segundo as donas, a resposta nas ruas tem sido bastante positiva e já garantiu reservas da camiseta.

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