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Percebi que realmente já tinha visto este gajo antes. Careca, cara de lunático, um olho meio torto. O Ahmed era a personagem principal de um vídeo elaborado minutos depois do assassinato do Khadafi. Nesse vídeo, um grupo de rebeldes cercava Ahmed enquanto lhe beijava a cabeça. Coisas que se ouviam: “estava lá quando ele o matou” ou “há bocado, vi este tipo matar o Khadafi com as suas próprias mãos”. O Ahmed sorria timidamente e depois erguia as suas armas — os verdadeiros instrumentos que sintetizam a justiça líbia. Olhei para a arma na mesa e para a outra, à cinta do Ahmed— as mesmas do vídeo.Mesmo num país cheio de armas, estas são muito raras. Fabricadas pela FN Herstal, da Bélgica, só 360 é que foram enviadas para a Líbia, todas destinadas a uma brigada de elite comandada por um dos filhos de Khadafi e aos seguranças pessoais do ditador. Conclusão: só se encontrava este tipo de armas perto do próprio Khadafi. Ou seja, tudo parecia bater certo e decidi sentar-me com o gajo para conversarmos um pouco.
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