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Comemos um Churrasco com o Claude VonStroke no Aniversário de Dez Anos da Dirtybird

O DJ/produtor e criador da gravadora fala sobre os 10 anos da label que dança entre o underground e o mainstream.
Tony 'Tk' Smith

Dirtybird é a label de house e techno que te ajudou a sair daquela onda errada de ouvir Skrillex e te fez conhecer o que você hoje chama convictamente de 'house music boa de verdade'. Fundada em 2005, seu elenco conta com Claude VonStroke, Worthy, Justin and Christian Martin, J. Philip e vários outros artistas influentes. O Barclay Crenshaw — também conhecido como Claude VonStroke — criou e liderou a label autodenominada Dirtybird que foi porta de entrada para hits como "Who's Afraid Of Detroit" e "Make a Cake".

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Na noite em que encontramos o VonStroke, ele estava se preparando para celebrar o décimo aniversário da label enquanto tocava o seu catálogo completo num set de seis horas. Antes disso, entretanto, bebemos algumas águas de coco e falamos sobre os Dez Anos da Dirtybird, churrascos e o futuro da label.

Foto por Tony 'Tk' Smith

THUMP: E aí, dez anos na ativa com a Dirtybird… Como você se sente?
Claude VonStroke: Muito bem. Sempre foi um desafio, mas é tão gratificante quanto desafiador. É uma daquelas labels que fizemos porque não gostávamos de nada do que estava rolando na cena e me sinto bem por termos focado nisso. Continuamos fazendo a nossa parada e sinto que a galera consegue identificar que somos nós quando ouve a música. Desenvolvemos uma identidade muito boa. É um grupo de pessoas incrível, todos os artistas são amigos, é uma comunidadezinha muito massa.

Sim, a Dirtybird parece se importar mais em se divertir do que parecer descolada ou algo do tipo, o que no fim das contas é mais descolado de qualquer forma.
Bom, nós temos esse lance no nosso escritório ou onde quer que seja, que uma coisa que não queremos é que ela seja uma label-piada. Queremos apenas nos divertir, somos sérios em relação à música, mas não somos pessoas sérias. Somos sérios quando o assunto é produzir, mas definitivamente não somos sérios em geral.

Como é a cena de house aqui do Reino Unido se comparada com a dos Estados Unidos?
Não acredito que estou prestes a falar isso… Mas não é tão grande. Por aqui ela não é tão grande, mas provavelmente é um pouco mais cool.

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Então ao menos nisso nós saímos ganhando.
Algo aconteceu nos Estados Unidos e tudo ficou muito louco. Tipo, quero dizer isso rolou na house music regular, não pra gente como o… Skrillex.

Sim, então o que você acha do remix da Rihanna? Eu curto.
Ah, você curtiu?

Sim, e você?
Sim, eu curti, mas quando você é alguém como eu e faz algo tão absurdamente comercial, a reação pode ser 'vai se fuder' ou 'eu amei isso'.

Divisivo, hein?
Algumas pessoas falam: "Você é um idiota, por que você fez isso, você está arruinando a sua label", e do outro lado elas estão tipo, "Eu amei isso, não acredito que você não faz mais coisas desse tipo". É simplesmente o que acontece quando você faz músicas que não são uma house music super underground. Todos têm algo a dizer, mas gosto disso.

Você acha que a maior parte da música pop contemporânea acaba se transformando num remix de house?
Talvez… Tipo, eu acabei de fazer um remix do Chemical Brothers que será lançado em breve. E o Q-Tip está nele.

Massa. Isso parece ser bem condizente com a label, manter essa influência do hip-hop.
Bom, você poderia dizer que é uma música meio comercial… Não tanto quanto a da Rihanna, entretanto. Estou prestes a fazer outro remix que não posso contar muito, mas vai ser muito irado. Acho que se você puder fazer algo único… Tipo, lembra quando o Switch estava remixando uma galera louca, underground sujo mesmo, antes das paradas do Major Lazer… É tipo isso. Se você consegue fazer algo único, eu acho isso legal.

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Você está conscientemente tentando manter uma integridade enquanto aborda músicas mais populares?
Sou muito consciente quanto a manter uma integridade. Acho que penso nisso demais até. Sempre tentamos ficar no meio. Então quando acho que estamos indo muito para uma ponta ou para outra, sempre tento nos levar para a direção oposta. Porque ninguém realmente está no meio, não há muitas pessoas entre as paradas realmente grandes e a galera que odeia tudo. Gostamos daquele espacinho no meio, é isso que queremos. Queremos ser a porta de entrada entre quando você era criança e ouvia drum and bass hardcore e quando estava começando a ouvir house e techno.

Então, eu queria perguntar sobre os churrascos. Agora eles são praticamente sinônimos da Dirtybird, quem teve essa ideia?
O irmão mais velho do Justin Martin, o Christian Martin, era muito obcecado com essas festas tipo a Moon Tribe, essas festas gigantescas na praia de San Francisco… Ou será que elas chamavam Full Moon? Sei lá… alguma coisa com moon… há vários anos. Ele estava realmente decidido a fazer um evento a céu aberto, então comprou várias caixas de som no cartão de crédito e começou a arrumar o som no parque Golden Gate. Isso rolou antes da Dirtybird, e aí começamos a fazer uns churrascos lá, de graça, e alguns anos depois eu inaugurei a label. Mas o churrasco chamava Dirtybird.

Massa. E quem fazia?
Sempre foi o mesmo chef. Chris Wilson aka Chef Grillson.

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O que você tem planejado para esse ano?
Uma das melhores coisas que estamos fazendo esse ano é que estamos levando a coisa toda um pouco mais além. Vamos fazer um acampamento na Califórnia, nos Estados Unidos, com pesca, arco e flecha, cabo de guerra, shows de comédia, um grande elenco com artistas dos grandes palcos e também uma pequena after party com a galera do hip-hop. Todos nós estaremos vestidos de conselheiros do acampamento, com uma faixa colorida no braço, colocando as equipes umas contra as outras…

Você tem um lugar favorito para tocar nos Estados Unidos?
Às vezes, muda todo ano. Eu costumava achar Nova York horrível, e agora isso mudou.

Quando?
Acho que quando as pessoas começaram a curtir house music de novo, tipo dois ou três anos atrás. Durante uma época, nós éramos populares em tudo quanto é lugar, mas em Nova York ficávamos hospedados num albergue com camas beliche em todos os quartos porque era isso que conseguíamos pagar. As pessoas gritavam com a gente nos shows porque a nossa música era muito alta, isso há uns seis anos. Mas agora tem tipo uns oito clubes incríveis, sistema de som, todo mundo está competindo com as festas em depósito… Nova York mudou muito. San Francisco é legal mas o sistema de som não é tão bom.

Posso perguntar sobre o clipe de "Make a Cake"? Eu assisto várias vezes num só dia, de onde ele saiu?

Então, esses caras entraram em contato comigo, eles eram da Capture This NYC, uma agência de publicidade em Nova York e estavam tipo, 'a gente não tá nem aí pro que você faz, apenas queremos fazer um clipe para você', e eu fiquei tipo, 'bom, isso é massa, vamos fazer'. Eles me encontraram em Nova York e durante o café da manhã tivemos várias ideias, e uma delas foi tipo aquele clipe [o de "Make A Cake"], mas eu achei que precisava de algo a mais, precisava ter um quê mais esquisitão, old school, uma vibe mais Mr. Oizo/Dirtybird e aí acabou rolando, mas eles fizeram tudo. Foi assim que aconteceu.

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Obrigada, Claude!

Algumas horas depois, fui ver o seu set na BLOC. Desde o início, fica claro por que ele esteve na linha de frente do gênero por mais de uma década. Claude é um daqueles DJs seguros de si o suficiente para sorrir e visivelmente curtir o que está fazendo — e por que ele não estaria? Celebrar dez anos de vida do seu trabalho é uma ótima forma de começar o dia.

Antes de ir embora decidi me aventurar na área de fumantes e ver qual tipo de pessoa o Claude VonStroke atrai, ansioso para desvendar a visão de uma outra pessoa. Bebi uma cerveja sentado num pneu de borracha enquanto tentava falar com uma garota que possivelmente estava chorando. Em pouco tempo nossa busca por interesses em comum chegou ao fim e então resolvi seguir a trilha brilhante que levava até a porta principal. De volta à balada, esperava encontrar um caracol gigante e ao invés disso dei de cara com um cara vendendo comprimidos, MDMA e aparentemente uma porrada de glitter. Conversamos por apenas dois minutos — o que pareceu uma eternidade — e voltei para o set de seis horas. As coisas evoluíram consideravelmente e ao menos duzentas pessoas se esmagavam no depósito intimista da Hackney. Meu cérebro, que agora estava bombando de serotonina, me enviou diretamente para frente do palco onde o Barclay deu o primeiro soco na minha mente. Isso provocou uma sensação típica de conexão sonora. "Make A Cake" estava prestes a começar a tocar. 'Foi sobre essa música que falamos, isso é tudo para mim', eu pensei, suando pra cacete.

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Tradução: Stefania Cannone