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A BANCA DE BOLSONARO

Floriano Peixoto: disciplina militar para apagar o incêndio Bebianno

Na série que apresenta os ministros do presidente do Brasil, a VICE conta a história do dono da pasta de Secretaria Geral da Presidência.
25.2.19

Floriano Peixoto é o oitavo ministro de origem militar nomeado pelo governo Jair Bolsonaro e o terceiro a ter passado pelo comando da Minustah, a força de paz das Nações Unidas que tentou reorganizar o Haiti após um período de grave instabilidade política acompanhada por tragédias naturais. Com a experiência de quem estava no posto durante o terremoto de 2010, que deixou um número estimado de 200 mil mortos, Floriano assume a Secretaria Geral da Presidência com o objetivo de apagar o incêndio deixado pelo antecessor, Gustavo Bebianno, demitido no começo da semana passada após protagonizar uma troca de farpas com o presidente e seus filhos.

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O nome já impõe autoridade: Floriano Peixoto foi o segundo presidente do Brasil, entre 1891 e 1895. Republicano de última hora, governou de forma autoritária, o que lhe rendeu o apelido de “marechal de ferro”. Hoje é relembrado em 297 nomes de rua por todo o país, de acordo com este levantamento feito pelo Nexo em 2016.

O ministro atual não carrega, no entanto, nenhum parentesco com o ex-presidente. Mineiro de Tombos, o segundo Floriano entrou no exército no começo dos anos 70 e formou-se na turma de dezembro de 1976 da Academia Militar de Agulhas Negras, a mesma do atual ministro da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva, e praticamente contemporâneo a Bolsonaro, que se formou oficial no ano seguinte.

Peixoto fez carreira como parte da elite formadora de novos oficiais, sendo depois instrutor em Agulhas Negras e na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército. Fez cursos nos Estados Unidos e serviu como assessor brasileiro junto à academia de West Point, a tradicional academia de formação de oficiais do exército norte-americano. Como parte da “turma do Haiti”, foi colocado como secretário-executivo da Secretaria Geral como uma espécie de observador de Bebianno, um fã de Bolsonaro novato em política e alçado aos arredores do poder no embalo da inesperada eleição do ex-capitão.

Mas Bebianno não resistiu à crise do “laranjal do PSL”, como ficou conhecida a denúncia da Folha de S.Paulo de que a legenda do presidente destinou dinheiro do fundo partidário a candidatas de pouca expressão, o que despertou suspeitas de que a campanha era laranja, ou seja, feita apenas para completar a cota obrigatória de mulheres candidatas. No período da eleição, Bebianno atuou como presidente interino do PSL, no lugar de Luciano Bivar, “dono” da legenda e que se licenciou para se candidatar (com sucesso) a deputado federal por Pernambuco.

Crise que se alongou por mais de uma semana, com direito a tuite do segundo filho da República, Carlos Bolsonaro, retuitado pelo próprio presidente, acusando Bebianno de mentir; uma demissão anunciada no fim de semana que só se concretizaria na noite de segunda-feira; e a resposta do ex-ministro, revelando a Veja os áudios enviados por Jair Bolsonaro por WhatsApp. A crise ainda rendeu uma trapalhada extra: o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, se deixou gravar numa ligação do jornal O Globo conversando com o presidente sobre como contornar de vez a crise.

Onyx, agora, é o único ministro civil com gabinete no Palácio do Planalto, pronto para despachar com Bolsonaro a qualquer momento. Os outros são justamente os militares que passaram pelo comando da missão no Haiti: Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Santos Cruz (Secretaria de Governo) e agora Floriano Peixoto. Num governo que em menos de dois meses já deu tantas cabeçadas, a trinca militar tenta acalmar os ânimos, apagar os incêndios e tocar os projetos prometidos por Bolsonaro, principalmente a reforma da Previdência. Prontos, no entanto, para que uma crise exploda a qualquer momento, movida pelos bytes do Twitter ou do WhatsApp.

Nome: Floriano Peixoto
Idade: 64
Ministério: Secretaria Geral da Presidência
Formação: Oficial do Exército pela Academia Militar de Agulhas Negras (AMAN)
Partido: nenhum

Acompanhe os perfis de todos os ministros do Brasil na série A Banca de Bolsonaro . Novos textos às quartas e sextas-feiras. Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube .