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Todas as imagens por Dora Papanikita.

Esta fotógrafa explora a forma como os nudes mudaram o sexo feminino

Em "Sex in the Digital Age", a fotógrafa Dora Papanikita discute como o Instagram, Snapchat e outras aplicações transformaram a maneira como as mulheres se expressam sexualmente.
07 January 2019, 9:20am

Este artigo foi originalmente publicado na VICE UK.

A fotógrafa Dora Papanikita acredita que os smartphones alteraram a forma como nos comunicamos sexualmente - uma opinião com que muita gente que usa telemóvel vai concordar. Para ela, a tecnologia mudou as nossas necessidades - e meios - de receber satisfação, para além de permitir que nos possamos envolver em relacionamentos sexuais com pessoas que estão do outro lado do Mundo.

O seu projecto, Sex in the Digital Age, foca-se no lado feminino dessas relações e explora a forma como a expressão sexual tem vindo a mudar com o advento de aplicações como o Snapchat e o Instagram. Falei com ela para saber mais.

VICE: Como é que te interessaste por este tema?
Dora Papanikita: Há algum tempo que queria fazer um trabalho sobre isto e, depois de ter uma conversa com algumas amigas, fiquei inspirada para começar. Mas, há aqui uma história em particular: uma amiga minha estava numa relação de exclusividade com alguém que morava na mesma cidade que ela, mas nunca se tinham encontrado. A relação deles era através do telemóvel. Fiquei chocada ao pensar na maneira como a tecnologia afectou não só nossa vida quotidiana, mas a nossa vida sexual.

O projecto também vai um pouco mais além e abordo a questão dos nudes - será que são um impulso para a auto-estima? É algo que as raparigas gostam de fazer, ou não? Como é que isso afecta a comunicação sexual entre um casal, especialmente se há uma distância física entre eles?

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Foto: Dora Papanikita

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Foto: Dora Papanikita

Como achas que a tecnologia afectou a comunicação da nossa geração?
A tecnologia criou uma comunicação constante na nossa geração. Acho que essa é a primeira coisa. Basicamente, hoje em dia já não sentes realmente saudades de alguém, se é que isso faz sentido? Podes ouvir a voz da pessoa, ver a sua cara rosto ou ler as suas palavras todos os dias. As distâncias estão cada vez menores; não importa se o teu amigo ou amor está noutra cidade ou até noutro continente. Vocês podem comunicar constantemente.

As redes sociais também criaram uma cultura de se querer saber o que toda a gente anda a fazer a toda hora, o que pode ser um problema, porque quando conversam, não têm muito do que falar — sabes o que a pessoa andou a fazer. Os telemóveis também afectaram a comunicação sexual, já que permitem que interajas com teu parceiro de forma sexual, não importa a distância entre vocês. Já nem sentes falta do teu parceiro num sentido sexual. Os telemóveis tornaram isso demasiado fácil.

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Foto: Dora Papanikita

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Foto: Dora Papanikita

Há alguma razão em especial para te teres focado em mulheres para o projecto?
Não foi por uma razão em particular - queria focar-me num só lado da comunicação. Além disso, como sou mulher e as histórias que ouvi eram aquelas que queria contar, não tive essa conversa com homens.

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Foto: Dora Papanikita

Achas que a tecnologia é uma força positiva ou negativa nas relações?
Acho que ambos. A tecnologia é óptima e estamos muito envolvidos nela. Se nos tirassem os telemóveis e wifi, não saberíamos como funcionar. Mas, acho que é uma questão de como a usas. Acho que para a comunicação sexual de um casal, é OK, é bom, é fofo, funciona. Mas não uses demasiado, porque também é muita informação sempre a entrar.

Isso é algo que vem com os telemóveis: uma abundância de imagens atiradas à nossa cara constantemente, o dia inteiro. Mantém as coisas um pouco especiais; se ficam a mandar imagens um para o outro o dia inteiro, acabam dessensibilizados. Mas, é como com qualquer coisa - estamos tão cansados de ver fotos, roupas, pessoas e tudo mais. A tecnologia é boa para aproximar pessoas, mas também acho que ajuda as pessoas a cansarem-se umas das outras muito rapidamente. Sentir a falta de alguém é importante.

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Foto: Dora Papanikita

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Foto: Dora Papanikita


theodorapapanikita.com

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