arte urbana

Os "Destroços" de Vhils espalham-se por Macau até Novembro

É a primeira exposição do artista português neste país asiático e inclui mais de 20 trabalhos, entre os quais quatro novos murais públicos.

Por Sérgio Felizardo
30 Maio 2017, 2:53pm

Todas as fotos por José Pando Lucas. Cortesia Vhils Studio

Depois de Hong Kong, em 2016 (vê o vídeo abaixo), a exposição "Destroços – Obras de Alexandre Farto aka Vhils" é apresentada pelo Instituto Cultural de Macau neste antigo território português. São mais de 20 trabalhos, incluindo quatro novos murais públicos inspirados em Macau, que podem ser vistos nas Oficinas Navais Nº 1 – Centro de Arte Contemporânea, a partir de 31 de Maio e até 5 de Novembro.

"Destroços" é a primeira exposição individual em Macau de Alexandre Farto, conhecido nas paredes (e não só) de todo o Mundo como Vhils e, de acordo com a nota de apresentação enviada à imprensa, "irá aprofundar a reflexão que o artista tem vindo a desenvolver sobre a intricada relação entre as paisagens urbanas contemporâneas e os seus habitantes".

Nos últimos anos, Vhils tem ganho reconhecimento a nível global e é hoje um nome incontornável da arte de rua contemporânea. A sua "singular poesia visual, que exemplifica a relação de interdependência entre a vida contemporânea e o seu contexto urbano", bem como a "sua inovadora técnica de escultura em baixo-relevo, com base na remoção das camadas superficiais de paredes e outros suportes com ferramentas não convencionais", trouxeram-lhe uma aclamação generalizada. "Da pintura com stencil à escultura de paredes, de aglomerados de cartazes à serigrafia, de explosões pirotécnicas a luzes néon, Vhils tem explorado o seu conceito da estética do vandalismo numa multiplicidade de suportes, alargando continuamente os limites da expressão artística", salienta ainda a nota de apresentação.

Em Macau, o artista português há muito que encontra inspiração e, em 2016, inscreveu nas paredes do Consulado Português o retrato do poeta Camilo Pessanha. Com "Destroços", essa ligação vai mais além, numa reflexão sobre a convergência de tempo e história, construção e demolição, através de composições e das suas diversas camadas, que de certa forma incorporam o microcosmos da condição humana, no âmbito do estímulo único que aporta a identidade macaense.

O público vai poder ver novos cartazes feitos a partir de posters recolhidos nas ruas de Macau, bem como gravuras em portas, também elas oriundas da região. Fora do espaço da galeria, "Destroços" manifesta-se na forma de quatro novos murais espalhados por vários locais: dois na Escola portuguesa de Macau, um na Rua dos Clérigos, em Old Taipa, e outro na KEI TAC Grocery. "Através destas intervenções, Vhils desenha uma linha que une a cidade e as obras e liga firmemente a sua prática artística às suas origens enquanto artista a deixar marcas nas ruas".

Abaixo podes ver algumas imagens do trabalho de Vhils em Macau. Todas as fotos são da autoria de José Pando Lucas.

A exposição pode ser vista até 5 de Novembro, em Macau. A entrada nas Oficinas Navais Nº 1 – Centro de Arte Contemporânea, é gratuita. A mostra é organizada pelo ICM e co-organizada pela Hong Kong Contemporary Art (HOCA) Foundation, com o apoio da Fundação Oriente, Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, e Casa de Portugal em Macau.