Fotografias do quotidiano num campo de refugiados sobrelotado
Fotos cortesia de um refugiado anónimo, residente no campo de Moria, em Lesbos, Grécia.
crise dos refugiados

Fotografias do quotidiano num campo de refugiados sobrelotado

Há cerca de mil e 500 pessoas a viver em condições deploráveis no campo de Moria, na ilha grega de Lesbos, que, no total, alberga mais de seis mil refugiados. Uma delas documentou a sua vida ao longo de um mês.
18.12.17

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Grécia.

Cerca de seis mil pessoas vão passar o Inverno no campo de refugiados de Moria, na ilha grega de Lesbos. De acordo com as Nações Unidas, pelo menos mil e 500 delas - incluindo mulheres e crianças - vivem em tendas improvisadas, sem isolamento, chão ou aquecimento. Numa entrevista dada este Verão ao jornal francês "Le Figaro", o primeiro-ministro da Grécia, Alexis Tsipras, não se alongou sobre estas horríveis condições. "Recebemos mais de 60 mil refugiados no continente e estão a viver em boas condições, com acesso a cuidados médicos e educação", garantiu. E acrescentou: "Estou orgulhoso disso - apesar de a situação continuar a ser difícil".

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Para percebermos como é realmente viver em Moria, um refugiado concordou em documentar o seu quotidiano ao longo de um mês, com a única condição de se manter anónimo.

Quarta-feira, 1/11/2017

Hoje cedo, chegaram ao nosso campo dois camiões com refugiados. Moria está já completamente cheio e, como está, a situação é intolerável. Há tantas crianças a viver em condições terríveis, expostas e vulneráveis a todo o tipo de doenças. Eis algumas imagens das nossas condições de vida.

Vista sobre algumas das tendas improvisadas

Sexta-feira, 3/11/2017

Um exemplo das filas para conseguir uma refeição em Moria.

Uma refeição habitual consiste numa laranja, queijo, um pedaço de pão e sopa de legumes.

Domingo, 5/11/2017

É habitual tentarmos cozinhar a nossa própria comida, devido à pouca qualidade das coisas que nos dão. Se tivermos dinheiro, há um mercado de peixe e carne na zona onde podemos comprar produtos. Para cozinhar e para nos aquecermos fazemos fogueiras com a lenha que recolhemos na floresta próxima.

Segunda-feira, 6/11/2017

A noite passada, houve pancadaria entre sírios e afegãos, mas a razão ainda não é clara. Depois houve um período de tensão com a polícia. Algumas pessoas ficaram gravemente feridas e foi chamada uma ambulância. A violência deixou marcas no exterior de um dos contentores.

Hoje, o pequeno-almoço foi uma maçã, pão e uma garrafa de água.

Ao princípio da noite, um homem da Guiné subiu a um telhado e tentou cometer suicídio, mas a polícia conseguiu convencê-lo a descer. Infelizmente, este tipo de coisas está sempre a acontecer.


Vê também: "Luz em lugares sombrios"


Quarta-feira, 8/11/2017

Uma das coisas mais complicadas com que lidamos num campo de refugiados é o aborrecimento. Há pessoas que passam o tempo a jogar jogos de tabuleiro, outras passam o dia nos bares que entretanto surgiram no campo, onde podem comprar álcool, ou, por vezes, até pagar os serviços de prostitutas.

Terça-feira, 14/11/2017

Esta manhã, agentes da polícia juntaram-se em Moria para protestarem em nome dos seus colegas que foram acusados e sofreram sanções disciplinares por terem ajudado alguns migrantes a fugirem do campo.

Polícias a apoiarem os seus colegas

Segunda-feira, 20/11/2017

Hoje, houve um protesto na capital de Lesbos, Mytilene, por causa das condições de vida dos refugiados. Os africanos não participaram - evitamos protestos como este, porque, quando alguma coisa não corre bem, a polícia local culpa sempre os africanos. E quando somos detidos sem razão, as ONGs e os oficiais governamentais não nos ajudam.

Sábado, 25/11/2017

Está um frio tremendo, mas continuamos a viver em tendas.

Segunda-feira, 27/11/2017

Moria tem condições completamente insalubres. Os sacos de lixo são frequentemente deixados nas ruas.

Como o campo está tão sobrelotado, não há sítio onde os possamos refugiar quando chove. E chove frequentemente agora que nos aproximamos de Dezembro.


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