


Délia Carvalho: Cortinados novos em algumas casas [risos]. Este ano houve imensas inscrições. Temos o dobro dos projectos, artistas e espaços. A participação de artistas estrangeiros também foi muito maior (são à volta de 50). Por tudo isto, o horário teve de ser alargado, embora seja flexível, para os donos das casas. Na abertura, dia 5, às 17 horas, haverá também uma surpresa, no Largo da Oliveira, que é de arrepiar. Literalmente. Há espaços que nunca antes tinham sido abertos ao público, que este ano vão abrir portas. Cá no norte, há a tradição das “limpezas de Páscoa”. Em Guimarães, temos as “limpezas do G noc noc”. Este ano, o G noc noc conta com muitas participações estrangeiras. Descontando os emigrantes de 2.ª geração, como explicam este interesse?
Também ficámos surpreendidos. Creio que o facto de a cidade ser Capital da Cultura ajuda bastante. No ano passado, o evento correu muito bem, tivemos muita cobertura e partilha pelas redes sociais. Acho que isso ajudou a “exportar” o G noc noc para além fronteiras e despertou o interesse de muita gente. Li algures por ai que vão contar com uma grande delegação japonesa. Queres explicar-me como isto aconteceu?
Puseram-nos em contacto com uma fundação cultural japonesa chamada Eu-Japan, que tem um trabalho muito interessante e consistente. Eles tentam encurtar a distância entre o Japão e a Europa, através da cultura. Apresentámos o nosso projecto e eles mostraram-se interessados. Convidaram-nos para ir ao Japão conhecer dezenas de artistas e sugerir alguns para virem ao G noc noc. Acabámos por convidar alguns desses artistas e, como resultado desta viagem, estarão em Guimarães 20 projectos de 24 artistas japoneses. Vão convidar o Fernando Alvim só pra lhe dizerem "Eu sei onde foste buscar a ideia"?
Não nos tínhamos lembrado disso, mas é uma boa ideia. Aliás, devíamos tê-lo aliciado… Sabes que muita gente nos veio dar os parabéns pelo “Mi casa es tu casa”. Julgavam que tínhamos sido nós a organizar. Às tantas, se o Alvim andar por aí no fim-de-semana do G noc vão-lhe fazer o mesmo. [risos] A verdade é que, à primeira vista, parece o mesmo, mas não é. O G noc é artisticamente transversal e aberto a toda a gente que queira participar. Implica um investimento pessoal e económico de quem participa. O “Mi Casa” é só de música, os artistas são convidados e — deduzo eu — pagos pelo trabalho que fazem. Coisa que não acontece no G noc noc, onde ninguém (nem a organização) ganha um centavo com isto. Seja como for, o formato do G noc não é algo totalmente inventado por nós. É um formato que existe em Madrid, nas Caldas da Rainha e, suponho, em muitas cidades do mundo. O que nós fizémos foi adaptar a ideia à realidade vimaranense e acabou por resultar muito bem.