O Daniel Avery quer que a música dele permaneça com você

O produtor inglês, que toca no Rio de Janeiro e em São Paulo nesta sexta e sábado (11 e 12), trabalha com sonoridades experimentais e variedades do techno e house para compôr um som que mexa profundamente com seus ouvintes.
11.11.16
Foto: Steve Gullick

Daniel Avery circula há mais de uma década pelas pistas de Londres. Depois de sair da cidade litorânea de Bournemouth para a capital inglesa com 18 anos, o DJ passou anos comandando os decks antes que se aventurasse em fazer seu próprio som, que, depois de alguns EPs, só deu as caras no formato de álbum cheio em Drone Logic (2013).

O nome, retirado de uma entrevista em que Keith Richards diz trabalhar com um som mais "droney" da guitarra inspirado em música indiana, faz jus ao disco: Drone Logic, além de marcar a estreia oficial de Daniel, também marca o uso de uma sonoridade mais experimental no seu trabalho, como o uso de drones e de música ambient.

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Suas apresentações também experimentaram dessa mistura, jogando os sets de Daniel numa vala entre a dance music expansiva e o IDM introspectivo. Por e-mail, conversei com o produtor inglês, que se apresenta na festa em duas edições da festa ODD, no Rio de Janeiro e em São Paulo, nesta sexta e sábado (11 e 12), sobre o que o levou a trabalhar com sonoridades experimentais e seu desejo de fazer música que permaneça com as pessoas:

THUMP: Você nasceu em Bournemouth, uma cidade litorânea do sul da Inglaterra. Como você acha que aquele ambiente influenciou seu som? E como você começou a se interessar por música?
Daniel Avery: Geograficamente, é um lugar calmo e pacífico — as paisagens definitivamente tiveram um efeito em mim enquanto eu crescia — mas culturalmente a cena era incrivelmente pequena e difícil de manter. Desde que era muito novo eu gravava horas e horas dos programas de rádio que passavam de madrugada, ouvia a voz do John Peel enquanto andava até a escola e sonhava em me mudar pra Londres.

Numa cena tão grande e diversa quanto a da capital inglesa, foi difícil pra você inicialmente se encaixar e fazer música que não estivesse já sendo feita exaustivamente?
Eu toco como DJ desde que tinha 18 anos, mas demorou um pouco mais pra que eu percebesse exatamente o que eu queria dizer com a minha própria música. Eu vim a acreditar que a música te acha, e você não pode apressá-la. Quando tudo está em seu devido lugar, o processo criativo não é mais uma luta. Na verdade, é o oposto de uma luta. Por volta de quatro anos atrás, algo mudou pra mim. Eu não sei explicar exatamente o que, mas de repente tudo parecia diferente. Eu sabia que eu tinha algo meu a oferecer.

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Eu tenho a impressão que a sua música trabalha com tentar quebrar a ideia de que há música-eletrônica-para-a-balada e música-eletrônica-que-não-é-para-a-balada. Como você se sente quanto a essa dicotomia?
A música eletrônica é poderosa porque, por um lado, ela pode fazer com que uma sala inteira de completos estranhos dancem juntos, mas, ao mesmo tempo, ela tem uma bela cultura que a cerca e que pode mexer com você profundamente, muito além das festas e baladas. Eu definitivamente me interesso por essa ideia. Eu quero fazer música que vai permanecer com o ouvinte.

Depois de alguns anos tocando faixas techno e house, você começou a trabalhar também com bastante ambient e drone. Como você se interessou por esses sons mais experimentais, e que impacto eles tiveram na sua música?
Esses estilos sempre estiveram na minha vida, mas recentemente eles encontraram um caminho para a minha própria música. Eles foram elementos de Drone Logic, mas quero trabalhar muito mais com eles a partir de agora. Com a ideia do ruído extremo misturado com uma beleza intensa. Artistas como Kevin Shields, William Basinski, Allesandro Cortini, Ryoyi Ikeda… Me interesso por sons que preenchem sua mente e te fazem esquecer do mundo lá fora. Quando esses momentos te atingem num set em uma festa, parece que você para de funcionar.

Você disse numa entrevista para a Dummy Magazine, logo depois do lançamento de Drone Logic, que você gostava muito de lançar música eletrônica num formato de álbum. Você está trabalhando em um novo lançamento?
Eu sou muito fã do formato de álbum. Eu gosto de como um álbum exige paciência de seu ouvinte. Você tem que respirar fundo e escutar. Há um novo álbum a caminho, com certeza. Mal posso esperar para terminá-lo.

ODD RJ (11/11) Local a ser revelado, a partir das 23h
R$ 30

ODD SP (12/11) Local a ser revelado, a partir das 23h
R$ 35

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