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O DJ Magal É o Passado, o Presente e o Futuro da Música Eletrônica Brasileira

Dono de um vasto repertório, personagem ícone da eletrônica nacional promete um long-set memorável de seis horas nesta sexta (11), no Skol Beats Factory

Ele tem pouco mais de três décadas no currículo dedicadas à música eletrônica. Fez e viveu a evolução da cena clubber no Brasil, desde os idos do lendário Madame Satã nos anos 80 em São Paulo. De lá pra cá muita coisa mudou, algumas tendências se firmaram, outras viraram pura nostalgia, novas ondas vieram e se foram, e o DJ Magal sempre conseguiu se reinventar sem deixar de lado sua identidade, construída sobre as bases do pós-punk, synth-pop, industrial, EBM e acid house. Atualmente vivendo uma ótima fase, após se apresentar recentemente no Boiler Room BR com um set que deixou todo mundo boquiaberto, Magal segue em alta e mais afiado do que nunca.

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Atração desta sexta (11) no Skol Beats Factory, o carismático e desenvolto DJ apresenta um long-set de seis horas em que promete uma performance digna de entrar para a história. Magal assume os decks a partir das 18h no Beats Lounge, pincelando todas as suas fases e influências, na esteira da ótima repercussão que teve no Boiler Room. Bati um papo com o fera sobre o que esperar da apresentação, algumas curiosidades de sua carreira, novidades e o parecer dele sobre o contexto da dance music atual. Se liga aí.

THUMP: O que você pretende apresentar ao público no Skol Beats Factory? Você já tem algum recorte musical em mente?
DJ Magal: Será um long-set com seis horas de duração. Eu sempre penso no que posso tocar antes de minhas apresentações. Pretendo mostrar todas as minha influências nessa noite e algumas coisas inusitadas também.

Hoje em dia, quando a gente fala "long-set", soa até como algo diferenciado. Mas quando você começou era comum um DJ ter que tocar ao correr da noite e madrugada adentro, né?
Para mim isso é uma coisa normal. Na minha noite (Oldschool Friends) no extinto Vegas eu tocava de cinco a seis horas. No inicio da minha carreira, em 1983, no Madame, eu cheguei a tocar por 11 horas seguidas.

Quantos anos você tinha quando começou a discotecar e como que você entrou nessa? Teve alguma figura responsável pela sua entrada na eletrônica?
O responsável por tudo isso foi meu irmão, Ronaldo. Ele era um cara muito inteligente que aprendeu a consertar aparelhos eletrônicos apenas lendo revistas. Em nossa adolescência ele montou uma equipe de som para fazer festas em garagens. Com 14, 16 anos a gente já possuia vários equipamentos e discos em casa. O Marquinhos MS, que também tinha uma equipe, foi em uma dessas festas e sugeriu de se juntar à nossa. Percebemos que tínhamos várias coisas em comum. Nossa curiosidade e a vontade de aprender fez o resto.

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O EBM, o industrial, o new beat e a acid house são estilos pelos quais você acabou ficando marcado. Tais gêneros ainda te empolgam como quando eram considerados novidade?
Todos estes estilos, incluindo a disco, estão inseridos direta ou indiretamente nos meus sets atuais. Em minhas pesquisas eu sempre procuro músicas que tenham essas referências. Gosto muito de mesclar coisas obscuras dessa época com as atuais.

A onda electroclash, quando surgiu, teve um significado ou impacto especial na sua carreira?
O electro e o electroclash foram muito importantes para mim, pois são estilos totalmente influenciados pelos anos 1980. Por meio deles eu consegui me recolocar no mercado novamente.

Como foi a sua experiência recentemente no Boiler Room?
O Boiler Room foi maravilhoso! Na noite em que toquei, vários amigos que estavam lá tornaram a sala num ambiente de pista perfeito! E depois eu recebi várias mensagens de gente de toda parte do mundo elogiando e me pedido o track list. Foi uma experiência muito gratificante, sem dúvida.

Fala-se muito em EDM. Podemos dizer que esse tipo de som é uma evolução de algo que já rolava na época em que você começou a tocar?
O mercado da música eletrônica cresceu muito de uns tempos pra cá. Festivais, clubs, revistas especializadas, equipamentos para DJs… Para mim o termo EDM surgiu para globalizar e comercializar tudo isso.

O que mudou no seu estilo ao longo dos tempos? Teve coisa que você deixou pra trás e nunca mais tocou?
Sim, alguns gêneros como o breakbeat, bigbeat e trip-hop que eu não toco com muita frequência. Mas como a música sempre está mudando, eu não duvido que um dia eu volte a tocar isso novamente. Hoje eu não me importo muito essas coisas. Se a música for boa eu toco, independente de estilos.

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Quais foram os momentos mais importantes da sua carreira até aqui?
Eu tive vários momentos especiais na minha carreira. Entre eles minha entrada no Madame em 1983. O outro foi o início da minha residência no Cio, em 2000, no Stereo. Minha primeira tour na Europa em 2004. Minha apresentação no primeiro Sónar SP, também em 2004. E a última delas, meu DJ set no Boiler Room.

Atualmente você está trabalhando em algo que possa adiantar para os leitores? O que tem de novidade pela frente?
No momento estou trabalhando em parceria com alguns produtores. Também ajudo a promover as festas Cio no Lions Nightclub, Caravana da Coragem na Trackers e Beats & Pieces no Nola Bar. Além disso, dou aulas de discotecagem no curso de produção de música eletrônica da Anhembi-Morumbi.

Há algum tipo de experiência ou campo da eletrônica onde você ainda gostaria de se aventurar?
Sou uma pessoa muito eclética. Gosto de vários estilos e estou sempre aberto a novas experiências musicais. Uma coisa que eu gostaria de fazer é atuar no campo da direção artística de um club ou evento. Quem sabe um dia?

Qual o panorama que você tem da cena nacional hoje, em termos de infraestrutura?
Nós estamos num momento muito bom aqui. Temos ótimos DJs e produtores. Não devemos nada em termos de organização e estrutura. Eu apenas acho que deveriamos ter uma quantidade maior de clubs, eventos e festivais. Também acho que a burocracia daqui acaba atrapalhando um pouco. Em Berlim, por exemplo, se você quer fazer uma festa é mais facil e seguro.

BEATS LOUNGE

Sexta, 11/7. Das 18h à 0h.
Entrada gratuita. Sujeito a lotação.

SKOL BEATS FACTORY
Rua Pedroso de Moraes, 1036, Pinheiros, São Paulo.
Tel.: (11) 3814-7383