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Não sejas idiota, evita a surdez parcial causada pelo volume do som nos concertos

A perda de audição induzida por ruído é vitalícia e um problema real, mas há salvação.

Por Noisey Staff
25 Abril 2017, 10:27am

Imagem via staticflickr.com

Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma Noisey.

A grande maioria de nós não usa protectores auriculares em concertos e, provavelmente, não é por isso que será amaldiçoada com problemas de audição. No entanto, com base nas estatísticas relativas à perda de audição induzida por ruído e tendo em conta o volume brutal de um concerto normal, é claro o risco que corremos. Isto porque, de acordo com os dados disponíveis, a principal causa da perda de audição é o "barulho em volumes altos".

Para alguns, tais riscos levam mesmo a consequências muito sérias. Joey Belanger, 25 anos, residente em Vancouver, Canadá, é um dos exemplos disso. Desde os 18 anos que ouve um zumbido constante e tem dificuldade em ouvir alguém que não esteja mesmo à sua frente. Belanger atribui ia situação à exposição a música em volumes altíssimos em concertos e ao facto de ter tocado numa banda durante a adolescência. Hoje, fazer alguma dessas coisas é, para ele, tarefa impossível. "Não posso ir a concertos e se vou ao cinema, por exemplo, os meus ouvidos zumbem ainda mais, portanto até isso evito e só vejo filmes em casa", explica.

Não é preciso esforçarmo-nos muito para encontrar fóruns online cheios de gente a lamentar a perda de audição, ou tinnitus (em português, acúfeno ou tinido auditivo), depois de anos a assistir a concertos sem usar protectores. Compreende-se, afinal estás empolgado com o que vai acontecer e não estás lá muito preocupado com esse tipo de coisas. Claro que o som é alto, mas geralmente não é assim tão alto assim, certo?

"Não seria maravilhoso se saísse sangue da tua orelha quando a tua audição sofre algum dano?", questiona Marshall Chasin, fonoaudiólogo de Toronto e autor de Hear the Music: Hearing Loss Prevention for Musicians. "Seria tão óbvio", diz. E acrescenta: "Mas, como a perda de audição induzida por música alta é gradual e invisível, torna-se complicado educar o público".

Os concertos, em geral, atingem entre 100 a 120 decibéis. Na casa dos 110, os danos podem ocorrer após dois minutos de exposição. Um estudo revelou que apenas oito por cento daqueles que usavam protectores auditivos sofreram perda de audição após exposição a estes níveis, contra quase 50 por cento daqueles que não usaram qualquer protecção.

Chasin explica que, ao passo que a perda de audição pode não ser perceptível até aos 40 ou 50 anos, o tinnitus pode surgir cedo e piorar com o tempo. (Abaixo um exemplo de como soa o maldito tinnitus, caso estejas curioso)

Bradley Waitman, jovem de 19 anos do Alaska, tem tinnitus. Raramente ia a concertos devido ao local onde vive. No seu caso, culpa a música alta ouvida em auscultadores horas a fio ao longo do dia. De acordo com especialistas, os millennials correm um maior risco, por causa da maior exposição ao "ruído recreativo" de concertos e discotecas, mas também à conta do tempo que passam a ouvir música com phones.

"Quando percebi, fiquei furioso por ter sido irresponsável comigo próprio, causando danos de forma irreversível, pelo que acabei por me tornar quase um recluso. Não aceitava o facto de que jamais poderei viver o silêncio, ou ouvir música sem me preocupar", diz Waitman.

E acrescenta: "Ouço bastante menos música hoje. Recuso-me a usar auscultadores, ou ir a concertos porque fico demasiado paranóico no que respeita à possibilidade de piorar a minha condição. A música agora tem menos piada. Nunca me relaxa por causa da preocupação em danificar a minha audição outra vez e isso lembra-me que ela nunca mais será a mesma".

Mais e mais locais de espectáculos oferecem, hoje em dia, protectores de ouvido grátis, ou bem baratinhos, o que pode dar uma maior visibilidade aos cuidados com a audição, tornando-os parte da experiência de um concerto e servindo como um lembrete útil para quem deixou os protectores em casa.

Geralmente, os protectores oferecidos nestes locais são de espuma, cuja sensação é a mesma de meter o dedo no ouvido - ou seja, bloqueiam a maior parte dos agudos e fazem tudo parecer meio enrolado – mas é melhor que nada. Se vais frequentemente a concertos, ou fazes questão de ouvir tudo como deve ser, há muitas outras opções razoáveis de protectores projectados de forma a preservar a fidelidade do som, ao mesmo tempo que equilibram o volume. Listamos aqui algumas opções: ER-20XS, DUBS, Earasers, V-MODA Faders VIP e LiveMus!c HearSafe. Caso queiras investir mais, uma boa ideia será ires a um fonoaudiólogo e fazeres uns especificamente para ti.

"É motivo para preocupação, mas não vou exagerar: não anda por aí uma ou duas gerações de amantes de música surdos. Temos apenas um número ligeiramente acima da média", afirma Chasin. E conclui: "Creio que é uma questão de hábito. Caso as pessoas se acostumem a separar uns protectores - quaisquer que sejam - e os colocarem na carteira ou no bolso antes de irem a um concerto, as coisas irão melhorar".


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