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A Indústria da Música Eletrônica Fez Circular 7 Bilhões de Dólares em 2014

Os números são do relatório anual IMS Business Report - Índia e o leste asiático são apontados como mercados emergentes.
26 May 2015, 3:00pm

Se você comprou uma entrada de festival, pagou por um drink na balada ou até mesmo gastou pouco mais de um dólar pelo download de uma faixa, você contribuiu para o montante arrecadado pela indústria da música eletrônica que fechou 2014 com um saldo de imensos U$6,9 bilhões. O número é do relatório anual IMS Business Report entregue na semana passada, na International Music Summit em Ibiza, que compilou dados e números de inúmeras pesquisas sobre a dance music e suas diversas crias. A maioria desses quase 7 bilhões de dólares são dividendos da música ao vivo, incluindo aí a grana gerada por festivais e clubes - U$ 2 bilhões desse todo vem apenas da América do Norte.

Foi registrado um crescimento de 12% da indústria da música eletrônica entre 2013 e 2014.

Enquanto U$6,9 bilhões é um montante significativo de grana, esse valor é apenas 12% maior do que os U$6,2 bilhões arrecadados em 2013, indicando que a expansão da dance music existe, porém ainda é lenta. Numa comparação, o valor arrecadado pela indústria eletrônica em 2012 foi de U$ 4,5 bilhões e cresceu 35% em relação ao ano anterior. Enquanto 2013 viu grandes lançamentos de disco como o Random Access Memories do Daft Punk, Settle do Disclosure e True do Avicii, 2014 não teve nenhum lançamento equivalente no gênero, causando uma queda na venda de álbuns de música eletrônica tanto nos Estados Unidos quanto no Reino Unido. Por outro lado, a venda isolada de faixas tem se mantido estável ano após ano.

Dois dos maiores hits de música eletrônica de 2014, o ganhador de Grammy "Rather Be" do Clean Bandit e o remix do Robin Schulz de "Waves" indicado ao Grammy , tiveram uma venda modesta se comparada a monstros de 2013 como "Get Lucky", "Latch" e "Wake Me Up". O leve aumento no streaming de música eletrônica é uma pequena nesga de luz no horizonte, apesar da mínima taxa que os serviços repassam aos artistas deixar pouco a ser celebrado nesse ponto. Enquanto a venda de vinis tem sido forte para a indústria da música em geral, não há nenhuma menção aos bolachões no relatório do IMS, talvez por causa do fato de Random Access Memories ter sido o vinil que mais vendeu em 2013, a venda de vinis de 2014 foi dominada por nomes do rock como Jack White e Arctic Monkeys.

A fatia dance da venda de faixas digitais é 1.5x maior do que em 2011. O compartilhamento de álbuns diminuiu significativamente. E em termos de streaming, a dance music representa 6,8% do mercado da música.

A verba gerada a partir de festivais norte-americanos permaneceu estável em U$S 1,4 milhão em 2014, ainda que tenha rolado a adição do TomorrowWorld, Mysteryland e mais outros eventos de pequeno porte no calendário da eletrônica. A IMS registra a volta do Ultra Miami depois de um ano off e ainda prevê crescimento para 2015 com eventos como o CRSSD da AEG/Goldenvoice e One Tribe da SFX/ID&T, ambos na Califórnia.

Não que ninguém esteja chorando aqui, mas o relatório IMS mostra um sumário de um Relatório da Forbes do ano passado, no qual os salários de DJ também começaram a parar de crescer, com rendimentos mais altos crescendo 12% de 2013, comparado a 37% do ano anterior. Graças a um conjunto de parcerias com marcas, o total de rendimento gerados a partir de composição e produção do Calvin Harris que faz uma hora de show ao custo de um milhão de dólares, o DJ arrecada U$66 milhões no ano, mais que o dobro do DJ número dois da lista, David Guetta que aparece com U$30 milhões.

O crescimento dos festivais tem sido imenso desde 2007, mas se manteve em 2014. Muitos festivais entraram no circuito dos EUA, como TomorrowWorld, Beyond Wonderland e Mysteryland. No entanto, o calendário dos festivais permaneceu estável graças à volta do Ultra em 2014. Apesar de o Ultra ter os ingressos esgotados, os valores das entradas para 2016 diminuiu significativamente de U$450 para U$ 250.

Atenção especial é voltada ao relatório desse ano para o fato de que mercados emergentes como Índia, Leste Asiático e África do Sul tem se beneficiado de investimentos europeus e norte americanos, que podem ser vistos em invetsimentos como o Sunburn indiano. Impressionantemente, o relatório da IMS não dá nenhuma informação da América Latina, apesar da expansão de festivais por aqui.

m. Ainda assim, como uma compilação de dados existentes de fontes confiáveis (Nielsen, Forbes) e malucas (topdeejays.com, DJ Mag), o IMS Business Report é uma boa fonte de informação estatística sobre o negócio da música eletrônica.

O que os números de 2015 nos dizem ainda está para ser determinado, mas depois de vários anos de expansão explosiva (tirando algumas mudanças dramáticas em práticas dos maiores músicos da indústria) nós podemos estar prestes a entrar em outros 12 meses de inércia nas estatísticas.

Mesmo dentro dos formidáveis cálculos do residente da IMS Kevin Watson, é difícil levar a sério algumas partes do relatório como o crédito as minas da Nervo ao sucesso das DJs mulheres na Tailândia e Singapura ou colocar o Ultimate DJ, programa de Simon Cowell, e um museu em Frankfurt como o mesmo nível de prova que a "música eletrônica realmente começou a penetrar a cultura mainstrea

Leia na íntegra o IMS Business Report aqui.

Fotos cortesia do IMS no Twitter.

Z_el McCarthy é o editor-chefe do THUMP e está no_ Twitter.