​Uma Homenagem aos Pássaros e Sua Importância para a Humanidade
John James Audubon (1785-1851), Gavião Atacando Perdizes, c. 1827. Óleo sobre tela, 66 x 101.6 cm, cortesia da Galeria & Museu Victoria, Universidade de Liverpool. Esse fotografia é reproduzida com a permissão da Galeria & Museu Victoria, Universidade de Liverpool.

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​Uma Homenagem aos Pássaros e Sua Importância para a Humanidade

A exposição The Wonder of Birds traça a história e o impacto cultural de nossos amigos cheios de penas.

Quem diria? O mês de setembro marca o centésimo aniversário da extinção dos pombos-passageiros. A éspecie, que já foi uma das mais populosas do planeta, desapareceu quando o último pombo-passageiro (que atendia pelo nome de Martha), morreu no Zoológico de Cincinnatti no dia primeiro de setembro de 1914. Bendito seja o seu bico.

The Wonder of Birds é uma exposição que conta com 220 pinturas, desenhos, gravuras, fotos, esculturas, animais empalhados, tapeçarias e artefatos arqueológicos que ilustram a importâncias dessas criaturas aladas. Em cartaz até dia 14 de setembro, a exposição, que ocorrerá no Museu & Galeria de Arte do Castelo de Norwich, quer mostrar a importância dos pássaros em nossas vidas – nossos amigos alados que nos dão os travesseiros de penas, os apanhadores de sonhos e até mesmo os sanduíches de frango.

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Um Pombo-Passageiro (Ectopistes migratorius) empalhado, Museu do Castelo de Norwich.

É bem provável que a obra mais fascinante da exposição seja uma foto do legendário fotógrafo de fauna selvagem, Eric Hosking. "Ele foi pioneiro de muitas técnicas de fotografia de pássaros; os seus favoritos eram as corujas", disse Francesca Vanke, curadora de arte decorativa, que coordenou a exposição junto do curador de história David Waterhouse. Hosking começou a fotografar corujas na década de 1930, mas só criou sua técnica com flash nos anos 40, quando fotografou a famosa Coruja-das-Torres Heráldica.

Os flashes eletrônicos de alta velocidade estavam entrando no mercado, e Hosking descobriu uma forma de usá-los engenhosamente para fotografar pássaros no escuro: nesse processo, o flash era disparado automaticamente por um sensor infravermelho, e não pelo fotógrafo.

Eric Hosking (1909-1991), Coruja-das-Torres Heráldica, 1948. Fotografia, 28 x 42 cm, © Fundo de Caridade Eric Hosking

O pássaro, originário de Suffolk, ganhou essa alcunha em razão de seu visual majestoso: na foto, suas asas estão abertas como em um brasão medieval. "Ele conseguiu fotografar essa pose dramática porque a própria coruja disparou o flash", disse Vanke. "Ela tinha acabado de caçar um ratinho para o jantar."

A exposição, um aglomerado de asas dentro de um castelo medieval, combina arte e história, seguindo o modelo das exposições fixas do museu sobre rochas e flores. "Achamos que poderíamos seguir a mesma abordagem em uma exposição sobre pássaros", disse Vanke. "A exposição foi planejada para exibir todos os tipos de relações entre humanos e pássaros."

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Autor desconhecido, Peitoral com figura híbrida humano-pássaro, Colômbia, c. 1000-1600. Ouro e liga de cobre (Tumbaga), 30 x 20.5 x 2 cm, © Os Curadores do Museu Britânico

A peça mais antiga da exposição é um pato de pedra, esculpido a mão há 4 mil anos atrás. A exposição conta com um colar colombiano enfeitado com uma imagem de uma quimera meio pássaro, meio humana – a peça era usada em cerimônias religiosas. Os visitantes também podem ver um chapéu modernoso com penas de faisão dos anos 60. Mas nem tudo é moda: A exposição também fala sobre a morte de milhares de pássaros, fenômeno que incentivou a criação da Sociedade Real de Proteção aos Pássaros.

A exposição conta com seis áreas dedicadas a diferentes representações de pássaros, indo de imagens de aves do pântano a cenas de interação entre predadores e presas. Uma das seções é dedicada aos pássaros migratórios que migram do Ártico até a África; outra contém tudo que há de exótico, incluindo uma taxidermia antiga e rara de um periquito-do-paraíso, que costumava viver na Oceania.

Frederick Strange (1826-1854), Periquito-do-paraíso adulto, Psephotus pulcherrimus, Morton Bay, Queensland, Australia (1851), extinto desde 1927. Espécime empalhada, 20.5 x 9 x 20 cm, Galeria de Arte e Museu do Castelo de Norwich/Acervo do Museu de Norfolk © Acervo do Museu de Norfolk

Também podemos observar obras mais recentes, como o Cuco Primaveril, uma escultura de metal da artista Harriet Mead, e um enorme esqueleto de um Calau criado pela artista Katrina van Grouw. O pombo-passageiro está entre uma coruja risonha, pinturas de dodôs, um molde de um fóssil de Archaeopteryx e uma réplica do extinto pássaro-elefante. "Tentamos cobrir a maior área possível", disse Vanke, "para mostrar a importância dos pássaros em nossa cultura".

Uma das obras mais peculiares pertence ao artista russo Nikolaevich Deni: um pôster onde lê-se "A gralha fascista descobriu que não é um gavião". O gavião é um símbolo do poder e do fascismo, e a pobre gralha está sendo esmagada por um soldado.

Outros objetos chegaram lá por acaso. Um desses itens é uma casca de ovo quebrada, cortesia de Charles Darwin, que a coletou em uma viagem ao Uruguai por volta de 1830. O ovo de inhambu-açú (um parente do avestruz) foi esmagado por Darwin. "Ele o colocou em uma caixa pequena demais", disse Vanke. "Ele mesmo o quebrou. Esse é um ovo quebrado por Charles Darwin em pessoa."

A coleção do Castelo de Norwich conta com mais de 20 mil pássaros, o que tornou a escolha dos itens que entrariam na exposição muito difícil. No final, os curadores escolheram os pássaros mais simbólicos. "Eles são as criaturas mais distantes de nós, pois podem voar; ao mesmo tempo eles estão muito perto, pois convivemos mais com eles do que com outros mamíferos", disse Vanke. "Usamos travesseiros de penas e comemos sanduíches de frango. Os pássaros estão muito mais perto do que nós imaginamos."

Tradução: Ananda Pieratti