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Música

O Castello Branco não me sai da cabeça

Um Castello Branco com dois éles e que canta bem? Que chique.
15.1.14

Quando googlamos Castello Branco (tem de ser com dois éles), primeiro aparece a referência da Wikipédia a Camilo Castelo Branco (ironicamente só com um éle), o nosso escritor (olá, aulas de português no secundário) de triste fim. Em seguida surge Humberto de Castello Branco, com dois éles, um marechal brasileiro, provavelmente famoso, que já participou num golpe de Estado que lhe deu a presidência do "Brásiú" pela força. Desço em “scroll” e eis que me deparo com o que porventura esperava encontrar primeiro: a cidade portuguesa da região centro, Beira-Baixa, capital de distrito, uma cidade fixe porque tem raparigas albicastrenses e é pertinho da Idanha do Boom Festival. Sei que já adivinharam, por isso será redundante escrever o seu nome.

Seguindo para baixo podemos ver a “Rodovia Presidente Castello Branco”. Opá. Uma auto-estrada das mais movimentadas no estado de São Paulo em homenagem ao tal Presidente. Fixe. Mas ainda não é o que se procura.

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Pelo meio ainda aparece uma página “Patricia Castelo Branco imdb”. Deixa ver, deixa ver, actriz, gira — scroll, scroll e, ei-lo, EI-LO, o grande Castello Branco em

www.castellobranco.nu

. Nu? Quem? A bicha socialite José?

NÃO suas bichas. O(a?) socialite também canta (ENORME PONTO DE INTERROGAÇÃO AQUI), mas não tem nada a ver com esta pesquisa. Procurava música, agora a sério, MÚSICA. Procurava um brasileiro de seu nome Lucas Castello Branco com um site misterioso que apesar de acabar em “.nu”, podia acabar com a malícia e em “.br”.

O site é simples: tem a capa do disco, a ficha técnica e um texto do artista sobre o nome do álbum:

Serviço

. O que diz o texto? Tem a ver com a sua infância passada num mosteiro, etc. Vão ao site e leiam, sff. Mais importante é a capa do disco, a porta online para a música do rapaz, que é encantatória. Tem um link para o disco inteiro, em mp3 grátis, é só “para baixar clique na capa”). Não nesta capa aqui info-chonés, na outra, dentro do site.

O supracitado Lucas tem ar de quem cita o seu evangelho, messiânico, de outro tempo, e ao ouvir a sua música esse “outro tempo” ganha uma dimensão ainda maior, porque o mano é de agora, mas faz música como os manos de antigamente. Temas com perfume a bossanova, a tropicália, ao clube da esquina e a suave psicotropicália de uma outra era que parecia perdida no outro lado do Atlântico Sul. Já não ouvia nada deste calibre desde os tempos sem rugas, nem cabelos brancos dos Novos Baianos, dos Mutantes, do Gil, do Caetano, do Milton, do Lô Borges, do Marcos Valle. Ou seja, há MUITO tempo. “Tem Mais Que Eu” é talvez a melhor canção brasileira que ouvi que não foi escrita antes de 1979.

OK, faço uma excepção, esqueci-me do grande Cazuza e da Legião Urbana enquanto foram bons. Pronto, desde 1987. Para não parar de o elogiar, basta ir escutar “Necessidade”, “Crer-Sendo”, “As Minhas Mães”, num disco inteiro que o torna, facilmente, no melhor Castello Branco de todos. Talvez um dia seja o primeiro da lista a aparecer no Google Search.