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Para Onde Vai O Occupy Wall Street

Não estou querendo insinuar que vai pro brejo. Tem que ser muito idiota pra querer isso, considerando que, pelo desenrolar das rebeliões anti-establishment na América, atualmente esse é a única coisa que tá pegando.

Para onde vai o Occupy Wall Street? E não estou querendo insinuar que vai pro brejo. Tem que ser muito idiota pra querer isso, considerando que, pelo desenrolar das rebeliões anti-establishment na América (e partes do Canadá), atualmente esse é a única coisa que tá pegando. Para onde, como “para que lugar ou estado”, para onde está indo? Isso vai se tornar uma insurreição completa (implicando algum tipo de revolta violenta), ou continuará sendo caótica, indisciplinada, hippie-libertária, distinguindo-se por não ter intenção nem estilo?

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Angela Davis argumentou nos anos 60 que, em termos da luta pelos direitos civis, que uma sociedade que adota uma filosofia de não violência é uma sociedade que adota a filosofia do suicídio. Ela argumentava que se seu bebê está dentro de uma casa pegando fogo, você não tira o bebê de lá gradualmente. Você não tira o bebê do fogo moderadamente. Você vai lá e arranca aquele bebê da porra da casa. Ela foi uma oradora retórica brilhante e muito persuasiva (algo notoriamente ausente entre o pessoal do Occupy Wall Street), e talvez ela tenha chamado atenção para uma questão importante: a OWS, neste ponto, de qualquer maneira, é definitivamente formada por salvadores de bebês moderados.

Eu não estou defendendo uma revolução violenta (necessariamente), e certamente não estou dizendo que revoluções violentas são uma coisa sexy. Mas até agora, a OWS é definitivamente a revolução menos sexy na qual consigo pensar. Em sua base, é um protesto populista (mais parecido com uma reclamação na verdade, o que nunca é sexy) feita por todo tipo de gente, de trabalhadores demitidos da indústria automobilística a vovós iradas que não conseguem mais comprar seus remédios até estudantes endividados sem perspectiva de futuro. Mas isso dificilmente é o tipo de militância casca-grossa que derruba governos fraudulentos ou instituições financeiras sanguessugas. Talvez seja tarde demais para tentar dar uma de “We Are the World”. As pessoas do setor financeiro — os banqueiros de Wall Street, os gestores de fundo e os barões da mídia — que tanto forçam os 99 % a saírem do armário têm demonstrado repetidamente serem os sociopatas dos livros didáticos, e eles não estão dispostos a abrir mão do poder e do privilégio assim tão fácil. E o sistema político que eles têm influenciado e corrompido tão profundamente para seus propósitos nefastos não vai ser mudado de cima para baixo por um grupo bagunçado de liberais bem intencionados.

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O Occupy Wall Street obviamente não começou nos Estados Unidos, mas sim no Oriente Médio com a Primavera Árabe, seguida pelas revoltas na Grécia e Espanha, onde tendas surgiram em cidades como Barcelona já em maio (E Nova York levando todo o crédito). Agora a Primavera Árabe parece um acampamento de férias permanente, com o poder mudando das mãos de uma entidade neoliberal ou instituição militar entrincheirada para outra, e o coro de reclamações do sul da Europa parece ser definhado um pouco, provavelmente devido à fadiga dos protestos.

As ocupações reais e pesadas, que estranhamente ninguém parece se lembrar, aconteceram na França em 2009, quando sindicalistas começaram a ocupar fábricas e manter patrões reféns para que suas reivindicações fossem atendidas no que parecia o cenário do épico trabalhista de Godard, Tout Va Bien. Na verdade, outras demonstrações aconteceram pelo mundo, muito mais violentas que o OWS, muitas delas de orientação trabalhista, depois do colapso econômico de 2008, mas essas demonstrações foram largamente ignoradas pela grande mídia, então provavelmente você nem ouviu falar delas. Só estou dizendo que vocês vão ter que se mexer, pessoal. Roma não queimou num só dia. A treta na Grécia que protesta contra as medidas de austeridade é certamente um passo na direção certa. Greves gerais são sempre sexy.

Líderes carismáticos podem ajudar, assim como prestar alguma atenção nos estilos da vontade radical (Me perdoem por citar Sontag, mas você precisa admitir que ela tem uns títulos bons). É fácil rejeitar um bando de maltrapilhos sujos e sem rumo cantando slogans como “o mundo inteiro está assistindo” (quer dizer, se não estiver assistindo pornografia na internet ou franquias de Real Housewifes) ou “que vergonha!” (que parece mais uma mãe desapontada, especialmente quando direcionado a um policial usando sua vestimenta fascista completa e mandando gás lacrimogêneo na cara de um estudante sem noção). É um pouco mais difícil ignorar alguém que tem um punhado de manifestos geniais e uma postura abertamente militante e elegante.

Fui amplamente ridicularizado quando tuitei que estilo é um componente essencial de qualquer revolução. Disse isso com certa dose de irreverência, mas no fundo acho que é verdade. Você só tem que lembrar do Baader-Meinhof ou dos Panteras Negras para entender o poder do estilo (E eu não estou falando de moda, porque até onde eu sei, a moda é contra-revolucionária). É claro que o primeiro foi um grupo terrorista extremista de esquerda que explodiu prédios e matou pessoas, e

o segundo foi uma organização negra marxista nacionalista insurrecional armada com Colts 45 e escopetas, mas calma. Atualmente, olhando para as plataformas políticas tanto do BMG quando dos Panteras, elas não estão tão longe das reivindicações do pessoal do OWS: uma distribuição igualitária das riquezas, apoio às minorias sociais mais desfavorecidas e o fim do controle corporativo do governo e da mídia. A diferença é que eles acreditavam que estavam em guerra, e queriam alcançar seus objetivos a qualquer custo. Além disso, eram muito mais estilosos.