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O que Aprendemos com as Tretas de 2014

Quase nada. Ou não.

A gente sabe que foi um ano desgraçado. Mas mesmo com Copa do Mundo e as eleições presidenciais, as nossas experiências cobrindo as Jornadas de Junho do ano anterior deixaram bem óbvio que, mesmo tendo uns protestos, e mesmo a gente tendo apanhado um tanto no meio dos rolos, sacamos que o caldo das manifestações ia entornar. Dos antigos, sobrou pro Rafael Braga, não por coincidência negro e pobre, que continuou preso.

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Foi também um ano cheio de casos horrorosos de julgamentos populares seguidos de linchamentos de rua. Nessa onda, até um professor de História foi confundido com um ladrão, espancado e preso. Travestis foram apedrejadas e até um candidato gay foi agredido durante a campanha eleitoral.

Na Cracolândia de São Paulo deu bom e deu ruim. A violência policial foi uma questão global que ainda não deu em nada. Os pixadores de São Paulo se deram especialmente mal com a violência policial e também protestaram. Ferguson tendo, até aqui. O caso coincidiu com outra treta gigante sobre racismo aqui mesmo, no Brasil, envolvendo o goleiro Aranha e a torcida do Grêmio.

Ainda em SP, acompanhamos um pouco o crescimento dos movimentos de luta por moradia (teve até amor), em especial o do MTST, que ganhou força política. Inclusive (se você tá clicando nos links vai entender o "inclusive"), durante nossas investigações sobre os rolezinhos que assustaram tanta gente (frangos) descobrimos a It Girl da Zona Sul. Mas moradia não foi uma questão só em São Paulo: teve Porto Alegre, Recife e, bem, no resto do planeta.

Teve quem comemorasse o aniversário do Golpe de 1964, teve quem protestasse contra os ataques israelenses à Faixa de Gaza – uma passeata que, aliás, terminou com a PM dando tiros para o alto.

Na Síria e no Iraque cabeças rolaram, com o Estado Islâmico botando para quebrar com vários sequestrados. A VICE News colou nos insurgentes para um dos rolês jornalísticos mais impressionantes de 2014. A Rússia levou a melhor na queda de braço com Ocidente e impôs sua vontade na região da Crimeia, que a partir de 2014 se descolou da convulsionada Ucrânia. Mas o pau não comeu apenas no Oriente Médio e no Leste Europeu. A Grécia continuou muita treta, assim como o México.

Sabe o que a gente aprendeu? Que ano que vem pode ser pior. Ou não.