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Porto

11 contra 11: no fim, ganham os Fura Del Baus

O futebol na Capital Europeia da Cultura, ao som de música clássica.

Alguns de nós andavamos ocos. É certo que houve cinema e performances; exposições e concertos; peças e leituras; danças e marionetes, mas esta sensação de vazio teimava em dar de si e preencheu-nos durante estes tempos. Uma parte do Homem que somos arrastava-se pela cidade e a imensa programação da Capital Europeia da Cultura era apenas um ligeiro paliativo para tanta dor. Estes meses foram estranhos, pois faltava qualquer coisa em Guimarães.
Ouvia falar em quintetos e quartetos pelos cafés, mas não eram de defesa nem de ataque. Murmurava-se que havia um trio em Guimarães para o qual nem o Bruno Teles, nem o Ndiaye, nem o Defendi, nem o Alex, nem o El Adoua, nem o André, nem o Douglas, nem o Barrientos, nem o Soudani e nem mesmo o Toscano tinham sido convocados. No Milenário, falava-se à boca pequena que a Sport TV ia passar a dar outra música, onde os cinco violinos não são, afinal, o Jesus Correia, o Vasques, o Albano, o Peyroteo e o José Travassos do Sporting, mas sim cinco músicos armados com instrumentos de cordas. Foi assim que ouvi falar do Fora de Portas — projecto enquadrado em Guimarães 2012, onde “através das diferentes formações de câmara da Fundação Orquestra Estúdio, a música tem sido ouvida em igrejas, nos cafés, nas praças…” É como ir ver um jogo fora de casa, mas é um concerto — e os músicos são tantos como os jogadores de uma equipa de de futsal. Digo isto porque este fim de semana tivemos vários concertos: um Septeto da Fundação Orquestra Estúdio, no Parque de Lazer de Selho São Lourenço; um Quarteto de Violoncelos na Freguesia de Gandarela e, para terminar, uma sinfonia de 11 gajos contra outros 11 no estádio D. Afonso Henriques. Debrucemo-nos sobre isto porque, nesta jornada, os quatro grandes — Vitória de Guimarães, Porto, Sporting e Gil Vicente — empataram. É um arranque de liga que parece o ano zero de algumas universidades: levas um pontito e nada mal que não tens de correr atrás do prejuízo, porque nenhum adversário directo leva avanço sobre ti… E pronto, começou a época, voltamos ao tempo das claques, dos very lights, dos cachecóis, dos penalties e dos derbies. Não nos podemos queixar, porque desporto não faltou. A volta de Portugal chegou na sexta a Fafe, nos Jogos Olímpicos chegámos à prata na canoagem, mas nada se compara com o regresso da Liga Portuguesa em plena Capital Europeia da Cultura. Enfim, é a combinação perfeita, é viver aquele filme do Jim Jarmusch, o Café e Cigarros, mas desta vez é com futebol e arte, arquitectura e performances. Assim, faço o aquecimento para o que vai ser o 2013, no qual os trios vão ser de ataque e não de sopro e nenhuma equipa em campo se chama Fura del Baus, quando passarmos da Capital da Cultura para ser a Cidade Europeia do Desporto.