Música

EXCLUSIVO! O grito mais sombrio dos Paraguaii, na busca pela luz ao fundo do túnel

"Wild Horse" antecipa o novo álbum da banda de Guimarães, com edição prevista para 8 de Março.

Era certinho como o destino. O som dos Paraguaii, mais cedo ou mais tarde, iria mostrar novas nuances. Estava escrito nas estrelas… Bem, na verdade, não estava escrito nas estrelas. Estava bem explícito em "She Kills Everyone", segundo single de Dream About the Things You Never Do, editado em 2017. "Uma chapada monocromática, mais densa, negra, angustiante, um filtro cinza de uma adolescência de sonhos a desmoronar", escrevíamos por aqui na altura.

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Pois bem, em 2019 a banda de Guimarães tem disco novo a caminho (edição prevista para 8 de Março) e “Wild Horse” (vídeo acima, realizado pela banda, com filmagens de Daniel Fernandes e edição de Giliano Boucinha) é uma janela escancarada para o que aí vem. Musicalmente, mostra-nos um lado mais denso da eletrónica da banda, menos festivo e despreocupado. E isso também nos revela o sentimento de Giliano Boucinha (guitarra e voz) e Zé Pedro Correia (synths e baixo) para com o Mundo que neste momento nos rodeia.

"Há uma mudança estética de tonalidades, que se vestem das cores dos tempos que correm", avança a dupla em relação ao novo trabalho. As tonalidades são, claro, sombrias. O Mundo está todo fodido e enfrentar isso "apenas" com um sorriso nos lábios e um gingar de anca já não é suficiente para os Paraguaii. O tempo é de acção e se já no passado a libertação e o apelo à igualdade eram uma tónica presente na narrativa dos vimarenenses, o que ouvimos agora é, como os próprios descrevem, "um grito mais sombrio e escuro, num vaguear de uma realidade que se mistura com o receio de ditaduras do passado e que cria novas barreiras entre povos".

“Take me out!!! Fuck all the fences!! Break all the borders of all nations!!”. Cantam em "Wild Horse". Pois bem, cantemos com eles, até porque entre o negrume, o peso dos dias e o olhar desassombrado sobre o futuro, os Paraguaii garantem: "Há uma luz ao fundo do túnel para todos nós, mas, no entretanto, precisamos de ouvir a escuridão que temos de percorrer até lá chegarmos".


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