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O rap resiste contra Bolsonaro

As faixas diss contra o capitão da reserva dão um gostinho do que pode ser o hip hop brasileiro pelos próximos quatro anos.
29.10.18
Capa do single "DISScanse em Paz", de Diomédes Chinaski
Foto do Instagram de Diomédes Chinaski

Em entrevista no começo desse mês, Edi Rock me disse que o que resiste ao retrocesso é a arte. Eu não poderia concordar mais: por décadas, o que mais permaneceu conosco durante períodos sombrios da história brasileira como, é claro, a Ditadura Militar foram a literatura, a música, o teatro e todo o restante das resistências estéticas à repressão que sofremos durante décadas.

Durante esse período violento e pesado que foram as eleições do Brasil, o nosso hip hop fez questão de se posicionar quanto ao racismo, misoginia e incentivo à tortura do agora presidente eleito Jair Bolsonaro. Além de um vídeo que a comunidade do rap fez em apoio ao movimento #EleNão, alguns rappers se posicionaram nas redes sociais e em seus: Marcelo D2 arranjou até uma mini-treta com Bolsonaro no Twitter, enquanto Mano Brown causou discórdia na esquerda por criticar o PT no próprio comício do partido, mas declarou em um show que "Bolsonaro é o caralho!"

Mano Brown está do lado certo

Apesar de alguns poucos rappers que insistem em posicionar-se a favor do presidente eleito, o grosso da comunidade se mostrou contrário ao autoritarismo e isso transpareceu principalmente nos sons que foram lançados contra Bolsonaro. Listamos aqui os sons que dão um gostinho do que pode ser o rap brasileiro nos próximos quatro anos.

1. Coruja BC1, Akira Presidente, Black, Rod 3030, Don L - "Lei Rua Neles"

A Pineapple reuniu alguns os grandes rappers que temos hoje pra fazer uma cypher estilo "Poetas no Topo", mas com a mira virada para Bolsonaro. O destaque especial vai pro verso do Don L, que deu um salve no Shawlin por apoiar o presidente eleito: "Se o Shawlin é aluno de Olavo / Eu sou Bruce Lee e mato MCs paga pau de mão branca."

2. Diomedes Chinaski - "Disscanse em Paz"

O primeiro som a sair em repúdio a Bolsonaro, Diomédes não pegou leve na caneta pra demonstrar o desgosto pelo presidente eleito e cumprir sua missão de "salvar o Brasil", fazendo um som que em alguns momentos vai na pegada bem violenta do horrorcore.

3. Bocaum, Leoni, Adikto, Axant, Mary Jane, Vk Mac & Dudu - "Primavera Fascista"

Novos e velhos nomes do rap capixaba se reuniram em "Primavera Fascista", cypher que descreve mais do que alguns motivos para não eleger Bolsonaro: a homofobia, o fascismo, o racista, o retrocesso e muitos outros. Como Leoni bem coloca, "dá o Brasil pro hip hop que nós resolve o problema."

4. Emicida

O Emicida tava tão puto com a — até aquele momento, apenas hipótese de — eleição do Bolsonaro que soltou um freestyle contra ele sem beat mesmo, direto no Instagram, falando que jamais votaria em quem relativiza escravidão e quer estragar o corre das minas por igualdade. E tá errado?

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