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​É Oficial: 'Mario Kart' Faz as Pessoas se Sentirem Bem

Para livrar-se do péssimo humor, vá de Peach Beach (50cc) e mantenha-se longe da Rainbow Road.
Crédito: Youtube/Nintendo

Jogos de videogame tem se tornado cada vez mais populares e as perguntas sobre seus efeitos na sociedade já não giram em torno de argumentos batidos como a ameaça de violência. A visão atual, embora um tanto indecisa, é de que eles não seriam intrinsecamente bons ou ruins. Pesquisas recentes sustentam a ideia de que comportamentos como acertar o Donkey Kong com um casco de tartaruga em Mario Kart pode, na verdade, fazer com que as pessoas se sintam muito bem.

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O ato de jogar um joguinho eletrônico evoluiu muito desde os anos 90. Ele agora é reconhecido como um passatempo voltado muito mais para adultos – a Entertainment Software Association apontou que 68% dos gamers tem mais de 18 anos –, e os questionamentos de muitos psicólogos e cientistas sociais começaram a focar menos na relação entre o videogame e o desenvolvimento infantil, e mais em como os jogos afetam o dia a dia dos adultos de formas mais sutis.

Uma dessas pesquisas, desenvolvida por pesquisadores alemães e holandeses e publicada na revista Computer in Human Behaviour, lançou a teoria de que o os games são um exercício social benéfico. Os pesquisadores sugerem que mesmo sessões curtas podem ser altamente benéficas por aliviarem os sentimentos de frustração, estresse e ansiedade que surgem quando enfrentamos tarefas difíceis. Eles descobriram que esse efeito é ainda mais forte quando o gamer é bom no jogo.

Durante a pesquisa, eles tentaram descobrir se jogar duas partidas de Mario Kart no Wii teria algum efeito no humor de um grupo de voluntários que tinha acabado de resolver um problema altamente frustrante de matemática, e também se ter sucesso no game faria alguma diferença.

O experimento foi baseado na teoria da gestão do humor: a ideia de que as pessoas são compelidas a agir para corrigir ou melhorar estados negativos de humor, e que o envolvimento com mídias como livros, televisão ou videogames, faria parte deste processo comportamental.

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Os pesquisadores descobriram que, em comparação com filmes ou televisão, os "videogames ajudam a restaurar o humor porque requerem um alto nível de atenção, o que por sua vez distrai o gamer de humores desagradáveis". Isso sugere que os games, ao proporcionarem desafios momentâneos e gratificantes, podem desempenhar um papel único ao distraírem as pessoas do seu estresse cotidiano.

Obviamente, nem todas as pessoas compartilham dos mesmos níveis de estresse. Os pesquisadores precisavam encontrar um método cientificamente comprovado para causar frustração e ansiedade em todos os voluntários antes de deixá-los se divertir na pista de corrida. Então se voltaram para o teste de adição serial PASAT ("Paced Auditory Serial-Addition Task"): um desafio de matemática que foi desenvolvido originalmente para avaliar lesões cerebrais traumáticas.

O PASAT consiste em uma gravação de áudio que enuncia um número novo a cada três segundos, o qual precisa ser somado ao número anterior antes que o próximo número seja dito (a sequência 2, 8, 3, tem como respostas 10, 11).Os médicos reclamam que o PASAT é "muito difícil de aplicar em um contexto hospitalar", e que é "desnecessariamente estressante". Mas ninguém precisa acreditar nessa avaliação: você pode experimentar e tirar as suas próprias conclusões.

Os voluntários da pesquisa fizeram o teste PASAT até falharem, em seguida preencheram um questionário sobre o seu humor para que os pesquisadores pudessem se certificar de que eles estavam frustrados o suficiente. Depois jogaram duas partidas de videogame e passaram por uma nova avaliação do humor.

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Todos os voluntários relataram uma sensação aumentada de prazer e alegria depois de jogar, o que prova (de uma forma nada surpreendente) que jogar Mario Kart é muito mais divertido do que fazer exercícios cronometrados de matemática até falhar.

Os pesquisadores descobriram uma coisa mais interessante ainda: embora um "game light e engraçado como o Mario Kart" possa ter influenciado os níveis de felicidade, os níveis de satisfação geral estavam mais atrelados a sentimentos de autonomia e competência, os quais foram relatados pelos voluntários depois das partidas -- isso é algo que outros estudos também já identificaram como típico de videogames, em comparação com mídias mais passivas.

A principal pergunta dos pesquisadores – se as sessões curtas de videogame aliviavam a raiva e a frustração induzidas pelo teste PASAT – mostrou-se dependente do sucesso do jogador. Embora alguns dos 48 voluntários jamais tivesse jogado Mario Kart na vida e os demais fossem jogadores de habilidade mediana, quanto mais alto o sucesso na corrida, mais propensos estavam a sentirem níveis reduzidos de raiva e frustração.

"A restauração do humor foi correlacionada ao sucesso no jogo (classificação), enquanto a sensação de prazer é mais impulsionada pela satisfação das necessidades (autonomia e competência)", concluiu o estudo.

Os pesquisadores também observaram que Mario Kart é um game que geralmente tem jogadores múltiplos, e que ao utilizar um modelo de jogador único o estudo não abordou os sentimentos de "conexão" junto com a autonomia e competência. Claro, jogar com outras pessoas aumentaria a sensação de "conexão", mas a sensação de competência poderia ser prejudicada se o amigo o jogasse para fora da pista durante uma partida no "Jungle Parkway" do Donkey Kong.

No final, a pesquisa sugeriu que, apesar de os games serem prazerosos de forma geral, quando um jogador manda especialmente bem em um deles isso pode ajudá-lo a lidar bem melhor com a frustração e o estresse causados por fontes externas no seu universo não gamer.

Em outras palavras, quando você estiver se sentindo estressado e precisar escolher uma corrida para livrar-se do péssimo humor, vá de Peach Beach (50cc) e mantenha-se longe da Rainbow Road.

Tradução: Janaina Ribeiro