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O Mistério da 'Única Câmera que Voltou da Lua'

O espaço pode ser um lugar complicado, principalmente quando ele está à venda.
16.7.14
Foto: WestLicht-Auction.com

O espaço pode ser um lugar complicado, principalmente quando ele está à venda.

Após uma furiosa disputa de lances recentemente em Viena, um colecionador de câmeras japonês comprou uma câmera Hasselblad por 910 mil dólares (cerca de 2 milhões de reais), um valor recorde, no leilão daquela que vem sendo chamada de a "única câmera que voltou da Lua".

Mas ao contrário do que se afirmou repetidamente pela internet, essa não é a única câmera que voltou da Lua.

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Na verdade, alguns acreditam que ela pode nunca ter pousado de fato na Lua. E graças a normas sobre a maior parte das propriedades da NASA, sua venda pode ter, no fim das contas, violado a lei americana.

Uma coisa de que podemos ter certeza: a Hasselblad 500 70mm é uma das quatorze câmeras de ponta que os astronautas usaram enquanto estavam na órbita e na superfície lunar durante o programa Apollo. Esta câmera específica foi, conforme relata o Verge, juntamente com muitas outras, "usada na Lua durante a missão Apollo 15 em 1971", e "é especial pelo fato de que foi trazida de volta à Terra". Isso porque geralmente os astronautas eram instruídos a abandonar suas câmeras na Lua de forma a economizar espaço e peso preciosos para levar rochas lunares na viagem de volta.

Mas embora a maioria das câmeras do programa Apollo tenha sido deixada na Lua, algumas voltaram pra casa. Enquanto parte dos registros da NASA sobre objetos do espaço tenham sido perdidos, o que restou indica que ao menos quatro delas voltaram à Terra com seus cinegrafistas amadores.

Em 2011 eu toquei em uma delas. Foi pouco depois de a câmera se tornar o centro de uma controvérsia bizarra, que também destacou a ambiguidade histórica e legal dos artefatos espaciais, e nosso enormefascínio por eles.

Alguns meses antes da recém-leiloada Hasselblad ir ao espaço em 1971, os astronautas da Apollo 14 Edgar Mitchell e Alan Shepard fizeram suas caminhadas na Lua (e deram algumas tacadas com um taco de golfe improvisado) sob o olhar de um outro tipo de câmera, uma câmera Maurer, montada dentro do módulo lunar.

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Como de costume, por conta da necessidade de economizar espaço para rochas lunares, os seus supervisores instruíram Mitchell a tirar o filme e largar a câmera na Lua, junto com o resto do lixo, antes de voltar à Terra.

Mas Mitchell – que por acaso também é o único astronauta a conduzir um experimento psicológico no espaço – ficou sem tempo enquanto arrumava as coisas para partir.

"Alan [Shepard] disse: 'pegue a câmera e não se preocupe com isso'", Mitchell me contou em 2011. Ele guardou a câmera no módulo lunar e a trouxe pra casa. Quando saiu da quarentena, três semanas depois, Mitchell encontrou a câmera em sua mesa, junto com alguns outros itens da missão, presenteados a ele pela equipe de apoio da Apollo como uma lembrança.

Em 2011, Mitchell, que tem agora 83 anos, anunciou seus planos de vender a câmera em leilão. Leiloar coisas "viajadas" como broches e emblemas e outras coisas que estiveram no espaço é algo comum entre os astronautas da Apollo. Mas essas câmeras – que foram projetadas especificamente para serem usadas pelas 19 pessoas que pousaram ou orbirtaram ao redor da Lua – não são objetos lunares comuns.

Quando o presidente Kennedy anunciou, em 1963, seu projeto para uma missão tripulada à Lua até o final daquela década, a NASA sabia que a câmera se tornaria um dos principais instrumentos científicos da missão, e uma ótima ferramenta política também.

Em 1965, a companhia sueca Hasselblad lançou sua câmera EL, atraindo a atenção dos engenheiros da NASA que precisavam de uma câmera que pudesse tirar uma sequência de fotos em intervalos curtos de tempo. A agência enviou suas especificações finais à Hasselblad em setembro de 1968, e suas exigências eram precisas. Para construir a Hasselblad 500, a empresa modificou o mecanismo do obturador, selecionou lubrificantes especiais para as lentes, e acelerou o desenvolvimento do compartimento de filmes de 70mm.

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Junto com a nova câmera surgiria uma lente completamente nova, projetada especialmente por Carl Zeiss para diminuir a distorção. As câmeras definitivas para a Apollo 11 foram entregues pela Hasselblad em primeiro de março de 1969, apenas quatro meses antes do lançamento.

Essas câmeras e outras similares – montadas dentro do módulo de comando orbital ou afixadas nos trajes espaciais na altura do peito – produziram todas as imagens que temos daquela e das missões lunares que se seguiram.

Enquanto as Hasselblads e Zeiss eram as câmeras favoritas da NASA, algumas outras empresas também fizeram trabalhos lunares; Nikon, Kodak e Angenieux também estão listadas em registros da época. A máquina de Mitchell, desenvolvida pela companhia de J.A. Maurer, era uma câmera de filme de 16mm projetada pra registrar tanto fotografias de terreno como dados de engenharia, com especificações e recursos similares à Hasselblad. Uma porção de outras câmeras que estiveram no espaço, se não na Lua, circularam pelos mercados de souvenir. Uma delas, uma Hasselblad 500 EL usada no início do programa Apollo, foi vendida no eBay por cerca de 95 mil reais.

Nos últimos anos Mitchell se sustentou, como boa parte dos astronautas, com uma tímida carreira de palestrante e escritor, e ele esperava ter um bom lucro colocando sua lembrança a leilão. A Bonhams de Nova York incluiu a Maurer em um catálogo em 2011.

Mas antes que o leilão pudesse ocorrer, Mitchell recebeu uma surpresa desagradável de seus antigos patrões: uma ação judicial exigindo que ele devolvesse a câmera e algumas outras lembranças.

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"Quarenta anos depois", disse Mitchell, "algum – com o perdão da palavra – cuzão da NASA decide que eles querem algumas dessas coisas de volta".

A câmera Maurer de 16mm que Edgar Mitchell trouxe para casa se tornou objeto de uma indecente ação judicial da NASA. Crédito: NASA.

A questão se os astronautas têm ou não o direito de levar souvenires pra casa – e o direito de vendê-los – silenciosamente se tornou uma preocupação crescente na agência espacial. Muitas dessas coisas, diz a NASA, tecnicamente pertencem ao governo dos Estados Unidos, ou ao lixo.

Mitchell observou que é um antigo costume da NASA deixar os astronautas levarem lembranças para casa. E ademais, ele disse, quaisquer ações da NASA sobre bens roubados eram velhas demais para serem válidas. Mas um juiz rejeitou esta moção de Mitchell, e em 2012 ele fez um acordo com a NASA no qual aceitou ceder a câmera ao Museu Aeroespacial da Smithsonian.

Porém naquele ano, as reivindicações de Mitchell e outros astronautas vivos por seus souvenires foram validadas por uma nova lei sancionada pelo presidente americano Barack Obama. Ela dizia que os astronautas das missões Mercury, Gemini e Apollo tinham plenos direitos sobre suas lembranças, desde que tivessem sido autorizados a levá-las para casa anteriormente. (Os astronautas de programas espaciais posteriores, como o Ônibus e a Estação Espacial, já tinham restrições do que poderiam possuir ou vender). A lei começa com uma definição simples:

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SEÇÃO 1. DEFINIÇÃO DE ARTEFATO.
Para os fins desta Lei, o termo 'artefato' significa, com relação a um astronauta descrito na seção 2 (a), qualquer item dispensável utilizado em missões para os programas Mercury, Gemini, Apollo ou durante a realização do Apollo-Soyuz Test Project cuja devolução à National Aeronautics and Space Administration (NASA) não tenha sido expressamente exigida após a conclusão da missão e outros itens dispensáveis, descartáveis ou de uso pessoal utilizados por tal astronauta durante a participação em qualquer destes programas.O termo inclui registros pessoais, listas de verificação, manuais de vôo, protótipos e artigos de prova utilizados em treinamento e equipamentos de vôo descartáveis recuperados de módulos lunares abandonados. O termo não inclui rochas lunares e outros materiais lunares.

O administrador da NASA Charles Bolden disse que a lei esclareceu "desentendimentos fundamentais e regras pouco claras". Mais importante, ela evitou a terrível imagem da NASA perseguindo mais ex-astronautas – e heróis nacionais – no tribunal.

Ainda assim, a questão se os astronautas e outros funcionários da NASA têm direitos sobre as coisas que levam pra casa – e o direito de vendê-las –  silenciosamente se tornou uma preocupação crescente na agência espacial. Além das roupas e mochilas pessoais que os astronautas levam pro espaço – tipicamente cheias de coisas como selos, objetos pessoais e às vezes coisas mais incomuns – a maioria do equipamento usado pelos funcionários da NASA tecnicamente pertence ao governo dos Estados Unidos. E por motivos de saúde e segurança, a NASA diz que parte deste material tem que ser destruído ou enterrado.

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"O que percebemos é que ao longo dos anos – e estamos falando de muitos anos passados – não houve um controle muito rigoroso dessas coisas", disse Jim Hull, que supervisiona o arquivo profundo de artefatos espaciais da agência em Washington.

Quando conversamos em 2011, enquanto a NASA se preparava para descartar o programa Shuttle (Ônibus Espacial) e todos os seus objetos, Hull sabia que um controle rigoroso sobre o material da agência era complicado não só pela ocasional perda de registros, mas pelo tradicional costume de permitir a todos os funcionários da NASA que levem lembranças para casa.

"Digamos que um cara na flor da idade trabalhou na Apollo", disse Hull. "Então ele se aposenta. Ele é presenteado com um dos objetos com que trabalhou como uma lembrança pelos seus 30 anos de trabalho, assinado por astronautas. Talvez uma placa, assinada por Buzz e Neil, alguma coisinha que tenha viajado na Apollo 11."

"Trinta anos depois a pequena Lulu herda este objeto. Ela tem 14 anos e descobre que ele vale dezenas de milhares de dólares, então ela coloca o objeto no eBay."

É aí que entra o inspetor geral da NASA. O IG checa regularmente o eBay e outros sites de leilão procurando vendas não-autorizadas de propriedade da NASA. Em 2011, a polícia da Florida prendeu um contratado da NASA depois que a agência o acusou de roubar 11 das placas térmicas especialmente projetadas pro ônibus espacial e vendê-las no eBay, onde elas chegaram a centenas de dólares cada. O contratado não havia apenas roubado propriedade da NASA ao levar as placas pra casa, disse a NASA: ele havia violado controles de exportação do Departamento de Estado ao vendê-las para compradores fora dos Estados Unidos, e quebrado normas que exigem que todas as placas sejam enterradas em um aterro sanitário devido a questões legais e de saúde.

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Porém, disse Hull, "roubo" na NASA não é algo assim tão simples. "Quantas garotas de doze anos você quer levar ao tribunal por vender propriedade federal? O inspetor geral não vai atrás dessas coisas se elas não fizerem sentido."

E pela lei de 2012 sobre memorabilia espacial, os astronautas podem manter as lembranças que foram expressamente dadas a eles.

Esta Hasselblad 500 foi a primeira câmera a ir para a Lua. Um modelo posterior acabou de ser leiolado em Viena. Crédito: NASA

Quanto à recém-leiloada Hasselblad por exemplo, não é claro como exatamente ela foi parar nas mãos de particulares, e portanto se sua venda foi legítima antes de qualquer coisa.

Westlicht, a galeria austríaca que leiloou a câmera, disse que ela foi usada pelo astronauta James Irwin durante a missão Apollo 15. Mas ela não foi dada oficialmente a Irwin como uma lembrança. Se ela tivesse sido desapropriada pela NASA, teria sido por outros meios. E se isso não foi feito por canais oficiais, a câmera pode tecnicamente ter sido "roubada".

"Nós simplismente não sabemos", me contou o historiador espacial Robert Pearlman por email. "A venda pode ser legal se a câmera passou pelos procedimentos de descarte de propriedade estabelecidos na NASA, mas não temos qualquer informação pra dizer se passou ou não."

"Se ela é de fato a câmera que foi usada por James Irwin, então ele não a trouxe à Terra como uma lembrança, logo a lei de 2012 que tornou legal que os astronautas da Apollo mantenham (ou vendam) suas lembranças trazidas da Lua parece que não se aplicaria (e ninguém está alegando que a câmera originou de Irwin ou de sua herança) ."

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"Me desculpe, eu não sei", disse Stefan Musil, um porta-voz da Westlicht, quando perguntei como a câmera passou da NASA para mãos privadas. Eu também pedi à NASA, mas a agência não comentou o caso.

Um dos polêmicos envelopes da Apollo 15. A Foto é cortesia de Ross Smith.

Enquanto não é claro se Irwin usou esta câmera na superfície lunar, esta não é a primeira vez que o astronauta está ligado a um caso polêmico de memorabilia espacial. Depois de voltar à Terra em 1971, Irwin e seus colegas de tripulação foram reprimidos pelos administradores da NASA por levar uma série não autorizada de envelopes comemorativos à lua a pedido de um negociador de selos alemão.

Quando os oficiais da NASA descobriram que os envelopes estavam à venda na Alemanha alguns meses após o fim da missão, eles afastaram Irwin e seus companheiros de tripulação dos trabalhos de vôo. O Congresso iniciou uma investigação.

O "incidente do selo postal" como ele ficou conhecido, veio na esteira de um incidente similar envolvendo a tripulação da Apollo 14, que havia levado uma série de medalhões à Lua a pedido da Franklin Mint. Como resultado da controvérsia, a NASA estabeleceu uma norma em 1972 que limitava cada astronauta a "não mais que 12 itens pessoais pesando não mais que 250 gramas" e guardados em sua mochila, assim como uma proibição de comercializar quaisquer desses itens. (Irwin faleceu em 1991, e os 300 envelopes que ele e sua tripulação levaram ao espaço ainda são itens valorosos entre colecionadores espaciais. Em 2008, um deles foi leiloado por 33 mil reais.)

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À parte das questões sobre a legalidade da venda da Hasselblad, também existem dúvidas se a câmera foi de fato usada na Lua. Alguns historiadores com olhos de águia sugeriram que a câmera foi usada apenas a bordo do veículo orbital lunar, e nunca desceu à superfície da Lua com Irwin.

De acordo com o código serial listado no site da Westlicht, a câmera já foi posta a leilão antes ao menos uma vez. Em 2012, pouco antes de passar a lei que deu direitos aos astronautas da Apollo e da Mercury sobre seus objetos espaciais, Alain Lazzarini, um colecionador de Hasselblads e autor do livro "A Hasselblad e a Lua", vendeu a câmera em um leilão em Boston por 95 mil reais, com lentes e compartimento de filme diferentes. Naquele momento, a câmera foi descrita como tendo apenas viajado no módulo de comando da Apollo na órbita lunar, e não como tendo pousado na Lua.

"Estou certo de que esta câmera viajou no módulo de comando da Apollo em uma ou mais das viagens lunares", escreveu o ex-cinegrafista da NASA Dick Williamson em uma carta incluída no leilão anterior.

O astronauta Charles Conrad Jr., comandante da Apollo 12, usando uma câmera de mão Hasselblad similar à que foi leiloada recentemente. Crédito: NASA

Desde que as questões sobre a câmera começaram a circular em Janeiro, a Westlicht – que vendeu um protótipo Leica de 1923 por um valor-recorde de 2,16 milhões de euros em 2012 – endossou uma afirmação anterior de que esta era "a única" câmera que voltou da Lua.

A casa de leilões disse que a câmera seria vendida com "vasta documentação" de seu próprietário anterior. Quando questionei Musil, o porta-voz da Westlicht, sobre os documentos que poderiam fornecer validação extra sobre a origem da câmera, ele se referiu apenas à carta de Dick Williamson que foi vendida com ela no leilão de 2012.

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Em Janeiro, Peter Coeln, diretor da Westlicht, apontou uma evidência aparentemente forte: pelo fato de a placa de vidro interior da câmera, conhecida como placa Reseau, ter o número 38 estampado, assim como nas fotos tiradas por James Irwin durante sua caminhada lunar, Coeln tinha "uma prova 100% certa de que esta câmera é verdadeira e de fato esteve na Lua", ele contou à AFP.

Mas alguns entusiastas de objetos espaciais ainda não estão convencidos de que a câmera sequer foi à Lua, e apontam algumas outras discrepâncias.

Por exemplo, a mira e o número "38" que aparecem nas fotos tiradas pela casa de leilões não parecem alinhar-se com as das fotos que Irwin tirou na Lua.

"Eu acho que é óbvio que ambos não são idênticos", um colecionador de memorabilia disse a Pearlman depois de comparar as fotos (abaixo), mas acrescentou que o corpo da câmera ainda pode ter viajado. "Pode ser que depois da missão a placa Reseau original tenha sido danificada e precise ter sido substituída."

Uma comparação da placa de vidro da câmera leiloada com uma foto tirada na Lua. A foto é cortesia de CollectSpace.com

"Para resumir esta câmera", escreveu outro historiador amador do site de Pearlman, CollectSpace.com, "na minha opinião a placa Reseau foi substituída, os adesivos LMP estão faltando, os números de série estão errados, o compartimento de filme está errado, o velcro e a lente foram adicionados posteriormente. Considerando a quantia de dinheiro que alguém pagará por este item da forma que ele está sendo promovido, eu fico irritado e surpreso que ninguém está nem mesmo levemente preocupado com essas discrepências sobre a sua autenticidade."

Ainda assim, a câmera, comprada por um colecionador japonês chamado Terukazu Fujisawa, alcançou o valor astronômico de 550 mil euros (1,7 milhões de reais), mais taxas, superando e muito seu preço estimado de cerca de 200 mil euros.

Geralmente casas de leilão se protegem de alegações de fraude, disse Pearlman, desde que possam demonstrar que eventuais imprecisões foram acidentais.

"Erros acontecem, e casas de leilão por vezes dependem do que seus consignadores lhes contam", ele disse. Mas mesmo depois que a Westlicht forneceu mais informações sobre a câmera depois do leilão, Pearlman disse que "ainda resta uma porção de questões não respondidas."

Em suma, como a NASA não deu a câmera a Irwin como uma lembrança, não temos certeza de como ela foi parar em mãos privadas, portanto, se sua venda é legal segundo a lei dos Estados Unidos. E não temos certeza se a câmera pousou na Lua ou apenas orbitou ao redor dela.

Mas Coeln, o leiloador, produziu outra prova depois do leilão no sábado: "Tem poeira lunar nela", ele disse.

Curiosamente esta alegação, como muitas outras sobre a câmera de quase um milhão de dólares, não foi mencionada no catálogo do leilão e não foi cuidadosamente verificada. Mas a ambiguidade deixa uma lição interessante sobre a história material das viagens espaciais. Ou ao menos sobre um leilão de grandes proporções e uma manchete atraente.

Tradução: Stan Molina