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Tudo que o game de terror 'Agony' teve que cortar para ser lançado

AVISO: esta matéria contém referências a violência e estupro, e um vídeo com imagens fortes.
6.6.18

Experiências de terror de verdade em videogames são difíceis de encontrar — e com toda a bagagem cultural sobre violência nos games, jogos de terror podem ser mal interpretados pelo público. Essa incompreensão piorou um pouco semana passada com o lançamento de Agony, um jogo de terror de sobrevivência em primeira pessoa passado no inferno.

Agony começou como um esforço de financiamento coletivo para “a visão mais aterrorizante do inferno na história dos videogames”, e a desenvolvedora polonesa Madmind levantou cerca de $140 mil no final de 2016 para fazer o jogo acontecer. Mas com a aproximação da data de lançamento, surgiram rumores de que Agony receberia a classificação extremamente rara Impróprio Para Menores de 18 Anos da Entertainment Software Rating Board, o grupo de regulação próprio da indústria de videogames. Xbox One e PS4 não aceitam jogos de classificação 18 anos, e até o maior mercado para PC, o Steam, tem uma história complicada com jogos explícitos.

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E parece que os rumores eram verdade, com organizações de classificação como a PEGI e a ESRB nem um pouco contentes com um videogame cheio de cenas de sexo e gore sem censura recebendo qualquer coisa a menos que o aviso de “Impróprio para menores de 18 anos”. Para conseguir lançar seu jogo, a Madmind teria cortado um pouco das genitálias espinhosas e pornô com tentáculos para receber uma classificação de Conteúdo Adulto e um lançamento comercial mais amplo. Mesmo com a desenvolvedora dizendo que o material cortado é “censura”, a perda parece ser mínima. O estúdio está aproveitando a onda para conseguir publicidade grátis. Numa declaração, o estúdio garantiu aos fãs que o jogo ainda vai apresentar os seguintes elementos fundamentais:

  • Gore
  • Cenas de sexo brutal
  • Cenas de sexo lésbico e gay
  • Física de genitais
  • Olhos furados
  • Corações arrancados
  • Cabeças de criança explodindo
  • Incendiar mártires e demônios
  • Violência intensa
  • Linguagem forte
  • Drogas

Abaixo você vê o que eles acabaram cortando:

O vídeo inclui cenas como a do jogador pisoteando bebês, uma rainha demoníaca com um bumbum ondulante e uma visão em primeira pessoa do jogador estuprando uma succubus com um pênis de tentáculo de 60 centímetros.

Desde o logotipo até o design dos demônios, Agony se refestela numa estética baseada em traços femininos, como se a vagina fosse a coisa mais assustadora que os desenvolvedores conseguiram imaginar depois de dois anos de trabalho. A visão de Agony do inferno também é estranhamente tediosa, seguindo a mitologia judaico-cristã de maneira quase ortodoxa. Mulheres nuas com rabos e asas, fogo e sangue, e corpos empalados nunca foram tão “edgy” desde A Divina Comédia de Dante Alighieri.

Você sabe que ela é perigosa porque ela tem DUAS vaginas! Ha! Imagem: Madmind

Vale a pena apontar que o jogo em si não parece muito bom. Agony pode ser explícito o suficiente para deixar reguladores putos, mas as texturas de baixa resolução, animação em blocos e dublagem tosca tornam essas cenas tão chocantes quanto um projeto escolar de um moleque gótico. Alguns meios publicaram suas avaliações, que até agora não foram nada favoráveis para Agony.

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