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A viagem anual de 1.600 km de um casal chinês para ver os filhos

Estima-se que, na China, qualquer coisa como 61 milhões​ das chamadas "crianças deixadas para trás" só vejam os pais uma vez por ano.

Por Karen Ye
17 Março 2018, 5:17pm

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O Ano Novo Chinês não é apenas um feriado. É também a maior migração humana anual do Planeta. E, para Yang Jianguo e Liu Mingchun, é a única oportunidade que têm para estarem com os filhos, que vivem a mais de mil e 600 quilómetros do casal.

Há décadas que trabalhadores migrantes como Yang têm sido o motor do espectacular boom económico da China. No entanto, embora o seu trabalho seja bem-vindo, os seus filhos não o são. O elevado custo de vida e os apertados regulamentos urbanos, tornam complicado o acesso a coisas essenciais, como escolas e serviços de saúde. Por isso, famílias como as de Yang e Liu são, muitas vezes, forçadas a separar-se.

Estima-se que qualquer coisa como 61 milhões das chamadas "crianças deixadas para trás" só vejam os pais uma vez por ano, precisamente durante as férias pagas do Ano Novo Chinês. "Como temos de fazer uma viagem de quatro dias, a única altura em que conseguimos tirar 15 dias de férias é no Ano Novo. É quando conseguimos ir a casa", explica Liu.

Em 1997, Yang deixou a sua terra natal, na região rural de Sichuan. Tinha 20 anos e tornou-se um dos 287 milhões de trabalhadores chineses migrantes que optaram pela deslocação para outras partes do país à procura de uma vida melhor. Depois de desistir do liceu, dedicou-se à agricultura, tal como os seus pais, até que um dia o tio lhe ofereceu a oportunidade de trabalhar numa fábrica de roupa em Shenzhen.


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