Cientistas dizem ter desvendado o mistério do Triângulo das Bermudas

Spoiler: não é um portal no tempo.
9.8.18
Via YouTube.

Oceanógrafos britânicos da Universidade de Southampton acreditam que o mistério cercando o Triângulo das Bermudas acaba de ser desvendado. Depois de uma investigação de décadas, eles concluíram que os navios são sugados pro oceano por “vagalhões”, ondas isoladas de mais de 30 metros de altura.

O Triângulo das Bermudas, também conhecido como Triângulo do Diabo, é uma faixa de água entre a ponta sul da Flórida e Porto Rico, nos EUA, e as ilhas Bermudas ao norte. O Triângulo é parte da imaginação popular desde o começo dos anos 1900, quando a mídia começou a cobrir o número incomum de naufrágios na área. Uma matéria do The New York Times diz que nos últimos 500 anos o Triângulo já sumiu com 50 navios e 20 aeronaves.

Dezenas de teorias foram oferecidas desde então, mas essa última envolve vagalhões observados pela primeira vez em 1995, quando uma onda bizarra de 18,5 metros foi medida por satélites no Mar do Norte. A chamada Onda Draupner foi a primeira vez que cientistas registraram um “vagalhão”, numa época em que ondas do tipo eram consideradas tão mitológicas quanto o próprio Triângulo das Bermudas.

Mas o que são vagalhões? Basicamente, são ondas anormalmente grandes e inesperadas em mar aberto. Segundo um estudo do Freak Waves, um vagalhão de cerca de 12 metros tem um ponto de pressão de 8,5 psi. Navios modernos conseguem resistir a ondas de 21 psi, mas um vagalhão pode entregar um golpe de 140 psi, excedendo muito o limite que os navios conseguem tolerar.

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O Dr. Simon Boxall, um oceanógrafo da Universidade de Southampton que liderou o novo estudo, explicou no documentário do Channel 5 The Bermuda Triangle Enigma: “Há tempestades no Sul e no Norte, que se juntam… medimos ondas de mais de 30 metros. Quanto maior o barco, maior o estrago”.

A equipe dele recriou os vagalhões de 30 metros usando simulações indoor. Aí, para ver o que uma onda desse tamanho poderia fazer com um barco grande, eles construíram um modelo do USS Cyclops, um cargueiro que desapareceu no Triângulo das Bermudas em 1918 levando 309 pessoas.

“Imaginando um vagalhão com picos em cada ponta, não há nada embaixo do barco, então ele se parte em dois. Se isso acontece, um navio pode afundar em dois ou três minutos”, explicou Boxall.

O cientista celebridade australiano Dr. Karl Kruszelnicki concorda que vagalhões explicam o suposto mistério do Triângulo das Bermudas.

Em 2017 ele escreveu um livro chamado The Author, onde aplicava ciência a mistérios populares. Ele dizia que havia uma explicação simples pros aviões e navios desaparecidos no Triângulo das Bermudas, escrevendo sobre entrevistas com vários capitães e pilotos que sobreviveram à região: “Era só um cara experiente, os outros eram inexperientes. E não era tempo bom, eram ondas de 15 metros”.

Além disso, ele apontou que o Triângulo das Bermudas, que é uma das partes com maior tráfego de todos os oceanos, não tem uma taxa estatisticamente maior de desaparecimentos. “Segundo o Lloyds of London e a guarda costeira americana, o número de aviões que desaparecem no Triângulo das Bermudas é o mesmo que em qualquer lugar considerando as porcentagens”, Dr. Karl disse ao News.com.

Matéria originalmente publicada pela VICE Austrália.

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