Cientistas dizem ter desvendado o mistério do Triângulo das Bermudas

Spoiler: não é um portal para viagens no tempo.

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ago 10 2018, 1:31pm

Via YouTube.

Este artigo foi originalmente publicado na VICE Austrália.

Oceanógrafos britânicos da Universidade de Southampton acreditam que o mistério que rodeia o Triângulo das Bermudas acaba de ser desvendado. Depois de uma investigação de décadas, concluíram que os navios são sugados para o oceano por “vagalhões”, ondas isoladas de mais de 30 metros de altura.

O Triângulo das Bermudas, também conhecido como Triângulo do Diabo, é uma faixa de água entre a ponta sul da Flórida e Porto Rico, nos EUA, e as ilhas Bermudas ao norte. O Triângulo faz parte do imaginário popular desde o começo dos anos 1900, quando os meios ce comunicação começaram a dar conta do número incomum de naufrágios na zona. Um artigo do The New York Times diz que nos últimos 500 anos o Triângulo já fez desaparecer 50 navios e 20 aviões.


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Dezenas de teorias surgiram desde então, mas esta última envolve vagalhões observados pela primeira vez em 1995, quando uma onda bizarra de 18,5 metros foi medida por satélites no Mar do Norte. A chamada Onda Draupner, foi a primeira que cientistas registaram como “vagalhão”, numa época em que ondas do género eram consideradas tão mitológicas como o próprio Triângulo das Bermudas.

Mas, o que são vagalhões? Basicamente, são ondas anormalmente grandes e inesperadas em mar aberto. Segundo um estudo do Freak Waves, um vagalhão de cerca de 12 metros tem um ponto de pressão de 8,5 psi. Navios modernos conseguem resistir a ondas de 21 psi, mas um vagalhão pode desferir um golpe de 140 psi, excedendo em muito o limite que os navios conseguem tolerar.

Simon Boxall, um oceanógrafo da Universidade de Southampton que liderou o novo estudo, explica no documentário do Channel 5 The Bermuda Triangle Enigma: “Há tempestades no Sul e no Norte, que se juntam... medimos ondas de mais de 30 metros. Quanto maior o barco, maior o estrago”.

A equipe recriou os vagalhões de 30 metros através de simulações indoor. Depois, para ver o que uma onda desse tamanho poderia fazer a um barco grande, construíram um modelo do USS Cyclops, um cargueiro que desapareceu no Triângulo das Bermudas em 1918, levando 309 pessoas com ele. “Imaginando um vagalhão com picos em cada ponta, não há nada por debaixo do barco, por isso ele parte-se em dois. Se isso acontece, um navio pode afundar em dois ou três minutos”, explica Boxall.

O cientista e celebridade australiano Karl Kruszelnicki concorda que os vagalhões explicam o suposto mistério do Triângulo das Bermudas. Em 2017, escreveu um livro chamado The Author, onde aplicava ciência a mistérios populares e em que dizia que havia uma explicação simples para os aviões e navios desaparecidos no Triângulo das Bermudas, escrevendo sobre entrevistas com vários capitães e pilotos que sobreviveram a situações naquela região.

Além disso, o cientista aponta que o Triângulo das Bermudas, que é uma das zonas com maior tráfego de todos os oceanos, não tem uma taxa estatisticamente maior de desaparecimentos. “Segundo o Lloyds of London e a guarda costeira norte-americana, o número de aviões que desaparecem no Triângulo das Bermudas é o mesmo que em qualquer lugar, tendo em conta as percentagens”, garante Kruszelnicki ao News.com.


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