EUA vai proibir turistas de viajarem para Coreia do Norte
Foto acima: Associated Press
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EUA vai proibir turistas de viajarem para Coreia do Norte

Agências de turismo confirmam decisão do governo em confiscar o passaporte de norte-americanos que tentarem visitar o país comunista.
21.7.17

Esta matéria foi originalmente publicada na VICE News .

Os EUA devem anunciar uma proibição de visita de turistas norte-americanos à Coreia do Norte, como informam duas agências de viagem que organizam visitas ao reino ermitão. A proibição deve entrar em vigor no final de agosto e qualquer cidadão que violar o decreto poderá peder o passaporte.

Washington já vinha considerando uma proibição completa de viagens à Coreia do Norte há algum tempo, mas eventos recentes como a morte do estudante norte-americano Otto Warmbier e os testes com mísseis de longo alcance em Pyongyang forçaram a Casa Branca a tomar uma ação decisiva.

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Apesar de a administração Trump ainda não ter confirmado oficialmente a proibição, a Koryo Tours e Young Pioneer Tours, duas agências que realizam viagens para o país, disseram que a decisão deve ser anunciada em 27 de julho — coincidindo com um feriado norte-coreano chamado Dia da Vitória.

A embaixada sueca em Pyongyang, que cuida das questões norte-americanas na Coreia do Norte, começou a ligar para as agências de viagem nesta sexta (21) para informá-las sobre a proibição e pedir que todos os cidadãos norte-americanos deixem o país o mais rápido possível. A embaixada agora está tentando saber o número exato de cidadãos norte-americanos na Coreia do Norte. Estima-se que cerca de 1.250 cidadãos norte-americanos viajam para o reino ermitão todo ano.

Relatórios sobre quanta renda os turistas fornecem aos cofres de Pyongyang variam entre algo em torno de US$30 milhões a US$100 milhões, e o dinheiro é muito útil ao governo. "A Coreia do Norte funciona com despesas gerais bastante baixas e qualquer forma de renda legal é útil para disfarçar a origem de renda ilegal", disse o analista Joshua Stanton à VICE. "Essa é a essência de como lavagem de dinheiro funciona."

Espera-se que exceções à proibição sejam consideradas, permitindo que jornalistas norte-americanos e pessoas trabalhando em organizações de caridade continuem no país.

"Fomos informados que o governo norte-americano não vai mais permitir que cidadãos do país viagem para a RPDC [Coreia do Norte]", disse a Young Pioneer Tours, com sede na China, numa declaração. "Espera-se que a proibição entre em vigor dentro de 30 dias a partir de 27 de julho. Depois desse período, qualquer cidadão norte-americano que viajar para a Coreia do Norte terá seu passaporte invalidado pelo governo dos EUA."

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A Koryo Tours disse que a decisão foi infeliz, já que a mídia estatal do país apresenta uma visão negativa dos norte-americanos. "Uma coisa contrariando isso — das poucas pessoas que podem interagir com eles — é contato humano. E agora isso não é mais uma opção", disse Simon Cockerell, gerente-geral da agência com sede em Pequim, a NK News.

"Espera-se que a proibição entre em vigor dentro de 30 dias a partir de 27 de julho. Depois desse período, qualquer cidadão norte-americano que viajar para a Coreia do Norte terá seu passaporte invalidado pelo governo dos EUA." — Young Pioneer Tours

Em junho, Otto Warmbier, de 22 anos, que viajou para a Coreia do Norte com a Young Pioneer Tours — foi trazido de volta para os EUA em coma depois de ser sentenciado a 15 anos de prisão por roubar um cartaz de propaganda em 2016. Ele morreu uma semana depois, com a família dizendo que ele foi submetido a "horríveis maus tratos".

Três cidadãos norte-americanos continuam sob custódia na Coreia do Norte, dois presos no começo do ano depois de trabalhar para a Universidade de Ciência e Tecnologia de Pyongyang (UCTP).

Em maio, o congresso dos EUA introduziu uma legislação que limitava as visitas de cidadãos norte-americanos à Coreia do Norte. "Viagens turísticas à Coreia do Norte não fazem nada além de fornecer fundos para um regime tirano — essa renda acabará sendo usada para desenvolver armas que ameaçam os EUA e seus aliados, como vi em primeira mão numa rara visita a Pyongyang", disse o representante da Carolina do Sul Joe Wilson na época.

Já era esperada uma decisão vinda de Washington capaz de conter os desenvolvimentos de mísseis nucleares na Coreia do Norte, mas um analista acredita que essa ação será mais "latido que mordida".

"Isso não terá um efeito perceptível nos programas proibidos da RPDC ou na estabilidade do regime, e vai contra as recomendações da Comissão de Inquérito da ONU para os países expandirem interação com a isolada RPDC", disse Tristan Webb, analista sênior da NK PRO.

Tradução: Marina Schnoor

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