VICEhttps://www.vice.com/ptRSS feed for https://www.vice.comptWed, 12 Dec 2018 11:40:40 +0000<![CDATA[Como podes retirar o teu conteúdo NSFW do Tumblr]]>https://www.vice.com/pt/article/mbypp4/como-podes-retirar-o-teu-conteudo-nsfw-do-tumblrWed, 12 Dec 2018 11:40:40 +0000Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma Motherboard.

Na semana passada, Kitty Khan – uma universitária de 19 anos que trabalha como camgirl e é criadora de conteúdo erótico para pagar os seus estudos – estava a tomar o pequeno-almoço quando, repentinamente, viu 100 notificações a caírem-lhe no telemóvel. Eram todas do chat Discord, uma app de apoio a trabalhadores sexuais de que ela faz parte. “O meu coração disparou quando abri a aplicação”, diz-me Khan por e-mail. No chat, alguém tinha postado o anúncio do Tumblr de que, a partir de 17 de Dezembro, todo o conteúdo adulto seria banido da plataforma.

“Os meus amigos estavam-se a passar. Fui imediatamente ver o Tumblr, tal como outros conhecidos meus. Durante aquele dia, discutimos plataformas alternativas e formas de mantermos os nossos seguidores”, conta. O Tumblr era uma benção para trabalhadores sexuais. O seu sistema para reblogar facilita e muito a forma de espalhar e partilhar os trabalhos. No caso de Khan, a maioria das suas vendas vêm do Tumbl. Por lá os seus fãs mandam-lhe mensagens todos os dias para encomendar vídeos ou perguntar como podem ver os seus conteúdo noutros sítios. Agora, isso acabou.


Vê: "'TRANSE': A minha vida como modelo de webcam"


O estado actual do Tumblr é triste: trabalhadores sexuais, entusiastas de fandom NSFW e artistas sentiram-se à deriva depois de a plataforma anunciar o fim do sexo. Genitálias de seres humanos no geral e mamilos de mulheres em particular serão proibidos, segundo os responsáveis do Tumblr, assim como qualquer formato que retrate actos sexuais. O Tumblr está a usar algoritmos automatizados para marcar conteúdo como NSFW, com várias trapalhadas hilariantes já registadas. A plataforma também pediu que as pessoas denunciem coisas sexuais que vejam no site.

Khan é uma entre muitos criadores de conteúdo adulto que procura agora formas de retirar o seu trabalho do Tumblr antes que a ofensiva final comece já na próxima semana. Aqui vão algumas opções de como podes exportar o teu blog para outro sítio antes de 17 de Dezembro.

Exportar do Tumblr

Fazer o backup do teu conteúdo é uma boa ideia, não importa o que estejas a planear fazer depois. Como fazê-lo no Tumblr:

- Vai às configurações da tua conta.

- Na barra lateral direita, escolhe o blog que queres exportar.

- Faz scroll até ao final da página e carrega em exportar.

Isto pode demorar um momento ou alguns minutos, dependendo de quantas publicações tens. Tentei isto com a minha própria conta e parece que o processo de exportação travou. É possível que os servidores do Tumblr estejam sobrecarregados com exportações – perguntei ao Tumblr se estavam a passar por dificuldades técnicas e actualizaremos este artigo se receber uma resposta.

Passar para um blog SFW no Tumblr

Podes repostar qualquer coisa que não seja explícita num novo blog SFW, se tens medo que o antigo seja derrubado.

Um utilizador do Tumblr cujo blog era devotado a fandom de videogames e fanart explícita (e que pediu para permanecer anónimo) diz-me por mensagem no Twitter que está a tentar ajudar outros criadores de conteúdo NSFW a descobrirem o que fazer agora: “Sei que o fandom vai continuar de alguma forma, mas toda a gente está confusa e vejo muita desinformação a ser partilhada, ainda que de maneira bem-intencionada”.

Uma opção que ele está a ajudar outros a explorar é a passagem do blog explícito para outro SFW. “Tenho muitos seguidores menores de idade e muitos seguidores adultos que não estão interessados ou não gostam de conteúdo NSFW”, salienta. E acrescenta: “Respeito isso, obviamente, portanto mantenho um blog privado NSFW, em separado, para reunir as minhas fanarts explícitas favoritas”.

Abandonar o barco de vez

Se queres passar o teu conteúdo para outro lugar, há algumas opções. O Wordpress tem um guia útil de como importar o Tumblr para um site Wordpress. Não precisas de pagar para fazer a troca, a menos que queiras usar uma URL personalizada. Mas, se quiseres mesmo passar o teu conteúdo NSFW para o Wordpress, a aposta mais segura é, provavelmente, usar um nome de domínio que possuas e pagar por ele. Só tens de fazer uma conta no Wordpress e autorizar o acesso desta ao teu Tumblr e ela faz o trabalho por ti.

Várias pessoas com quem falei estão também a considerar mudar para o Pillowfort, uma plataforma que alega que será mais aberta para liberdade de expressão do que o Tumblr. De momento, o Pillowfort está em manutenção e disse publicamente que planeia mudar domínios para algo mais inclusivo, já que o seu status actual impede conteúdo adulto.

Um utilizador do Tumblr focado em conteúdo adulto, que usa o nome soulscum no Pillowfort, conta-me que está a sair do Tumblr em parte porque essa proibição de porno já pairava sobre a plataforma há algum tempo. “Na minha opinião, já não é de agora que o Tumblr está a fazer várias coisas para afastar artistas NSFW do site”, sublinha, citando a mudança para Modo Seguro por padrão e o fracasso da plataforma em lidar com o problema de pornografia infantil.

Khan revela que está a passar o seu trabalho para o Hutt.co e Patreon como alternativas ao Tumblr: “Espero conseguir fazer com que os meus seguidores migrem para essas plataformas, mas não será fácil, porque elas exigem pagamento para seguir o conteúdo dos criadores”. E conclui: “Outra razão para o Tumblr ser útil é que as pessoas não tinham que pagar para interagir com conteúdo. Mesmo não recebendo dinheiro, eu via cada like, reblog e novo seguidor como uma interação valiosa, útil para construir o meu público e a minha veracidade”.


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<![CDATA[A Declaração Universal dos Direitos Humanos ilustrada é linda]]>https://www.vice.com/pt/article/3k9j49/a-declaracao-universal-dos-direitos-humanos-ilustrada-e-lindaWed, 12 Dec 2018 09:04:01 +0000Este artigo foi originalmente publicado na VICE Brasil e parcialmente adaptado ao português europeu.

Na última segunda-feira, 10 de Dezembro, foi dado o último passo para que Jair Bolsonaro (PSL) possa tomar posse como presidente do Brasil no dia 1 de Janeiro de 2019. Por coincidência (ou "trágica ironia", como disse Fernando Haddad), foi também o dia em que a Declaração Universal dos Direitos Humanos - adoptada e proclamada pela Assembleia Geral das Nações Unidas a 10 de Dezembro de 1948 - completou 70 anos de existência. O documento foi aprovado imediatamente pelos Estados-membro da ONU, incluindo o Brasil [Portugal viria a ratificar o documento em 1976], cuja Constituição Federal de 1988 é bastante norteada pela declaração.

Para celebrar as sete décadas do documento, o colectivo Mutirão, formado por ilustradores do Recife (PE), elaborou uma edição ilustrada do documento. Cada uma das 30 artes coloridas em formato de poster representa um dos artigos que garantem os nossos direitos à vida, à liberdade e à igualdade.

"Qualquer tentativa de sintetizar o conteúdo aqui compreendido em dois ou três parágrafos seria um falhanço anunciado", escreve o director geral, Celso Filho, no site do projecto. "As mensagens que realmente importam estão espalhadas por todas as páginas, em interpretações incríveis, feitas por diferentes vozes, traços e cores. Basta ler as figuras".

Podes ver algumas artes abaixo. O projecto está disponível na íntegra no site.

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Artigo 30º: Nenhuma disposição da presente Declaração pode ser interpretada de maneira a envolver para qualquer Estado, agrupamento ou indivíduo o direito de se entregar a alguma actividade ou de praticar algum acto destinado a destruir os direitos e liberdades aqui enunciados. Ilustração por Mascaro

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<![CDATA[Há um imperdível musical natalício de zombies nas salas de cinema]]>https://www.vice.com/pt/article/9k4gmy/ha-um-musical-natalicio-de-zombies-nas-salas-de-cinemaTue, 11 Dec 2018 20:38:32 +0000Fecha os olhos. Imagina um filme de terror, um de comédia e um musical, tudo num só, com uma temática natalício. Tenta. Não consegues? Isso é porque são três estilos que não deveriam nunca estar juntos, por isso, por mais que tentes construir uma imagem mental do que seria o resultado de tal escabrosa junção, não dá.

Mas, agora ficaste curioso. Com esta minha sugestão, nasceu na tua cabeça um ponto de interrogação latente, uma ansiedade por respostas, até, quem sabe, uma certa inquietude. Agora sim, queres saber o que raios é, afinal de contas, um musical de terror cómico natalício.

Podes relaxar os miolos, porque a resposta está numa sala de cinema perto de ti (pelo menos se viveres nas zonas de Lisboa e Porto). Na quinta-feira passada, dia 6 de Dezembro, mesmo a tempo do Natal, estreou em Portugal, via Cinema Bold, a nova obra de John McPhail, intitulada Anna e o Apocalipse (vê o trailer acima). E, aquilo que há umas linhas atrás te parecia impossível, de repente está no grande ecrã e a arrebatar os críticos.


Vê: "Os 5 comics de terror mais assustadores de sempre"


Por um lado, o filme faz lembrar High School Musical ou talvez Glee, ou talvez La La Land. É protagonizado por adolescentes que cantam e dançam em cima das mesas, nos cacifos da escola e pelas ruas fora. Há também a típica personagem principal, Anna, que sonha em viajar pelo Mundo e em tirar um ano sabático, coisa que o seu pai, o contínuo do estabelecimento de ensino, não aprova; temos ainda John, o seu melhor amigo, que está secretamente apaixonado por ela e Steph, que por ser lésbica sofre um bocadinho mais de bullying do que os restantes, mas tem as melhores piadas de todo o filme, talvez por usar o humor como escudo.

Mas, claro, não é só isto. Ah não! O filme não é o teu típico musical adolescente de domingo à tarde, daqueles que tens vergonha de contar aos teus amigos que "até gostaste". Todas estas danças, enredos de paixões, discussões entre pai e filha e rebelião millennial, passa-se durante um apocalipse zombie. Sim. Um belo de um apocalipse zombie. A cidade é atacada, as pessoas começam a transformar-se em mortos-vivos, aproxima-se o fim da humanidade, uma dentada de cada vez, com os zombies a trincarem quem se lhes atravessa pelo caminho, para levarem tudo e todos à sua condição, presos no limbo entre a vida e a morte. Todos correm perigo, a morte está em todo o lado e, antes que te dês conta, acende-se uma faísca Tarantiniana de fome por violência e por chacina, que transforma este musical num banho de sangue, num jorrar de entranhas, numa luta cantada pela sobrevivência.

Tudo isto sem nunca esquecer a comédia. Todas as personagens têm um humor trocista, irónico, em que transparece a cultura escocesa do realizador. Este humor tão europeu, o tom de troça, o ir mais além do que se espera, o ser cru e nu. Um filme de budget curto, que não se passa muito com os efeitos especiais, nem com produções exuberantes, mas que sabe manter a verdadeira essência quotidiana do que significa, frente à maior adversidade, ser humano. Mais precisamente ser um humano millennial.

Falámos com o realizador - claro! -, porque alguém que faz um filme massacre-de-zombies-cruzado-com-Glee é, definitivamente, alguém que queremos conhecer melhor.

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O realizador de "Anna e o Apocalipse", John McPhail. Foto cortesia Cinema Bold

VICE: Terror, musical e comédia… De onde veio a ideia de misturar estes três géneros e o que fez com que te apaixonasses por esta história?

John McPhail: A história original foi escrita por Ryan McHenry, que morreu em 2015 e que, infelizmente, nunca cheguei a conhecer. Apaixonei-me, porque é uma óptima história e, apesar de todo o cruzamento de géneros, queria mostrá-la crua e humana, sem me perder demasiado em dar espetáculo. Sou grande fã de comédia e talvez ainda mais fã de terror. Adoro tudo o que mete zombies.

Sou também, por outro lado, fã incondicional de John Hughes e dos seus filmes de adolescentes, como The Breakfast Club. Anna e o Apocalipse deu-me esse novo desafio, o de juntar estas duas paixões, acrescentando ainda o lado musical. Isso sim, algo totalmente novo para mim e nunca explorado, algo sobre o qual pouco sabia. Agora, já adoro também este género. Vi musicais "a dar com pau", para me preparar para fazer este filme.

É um filme muito millennial, com temas como redes sociais, homossexualidade, disparidade entre filhos e pais quanto ao que significa viver a vida da melhor maneira e por aí fora Tencionavas fazer alguma crítica específica?

Não, não! Não é uma crítica, é apenas uma representação fiel - espero. A audiência deste filme é millennial, os personagens também, por isso tinham que estar bem representados. Se houvesse hoje um apocalipse zombie, em plena era das redes sociais, o que é que fazias? Ias ver que celebridade virou zombie, ias ler os tweets das pessoas e ver as stories do Instagram. A tua primeira reacção, ao te aperceberes que estás rodeado de zombies, seria pegar no telemóvel para pedir ajuda - mas, e se estivesses sem dados, sem bateria ou sem rede? Nada disto é uma crítica, é apenas como somos. Se o filme se passasse na altura do telégrafo, a maneira de reagir das pessoas seria diferente da que seria hoje.


Vê: "Conhece os cérebros por detrás do clube de vídeo 'Jerry Maguire' em Los Angeles"


Qual foi o maior desafio de realizar este filme?

O mesmo que em todos os filmes: falta de tempo e falta de dinheiro. Trabalhámos debaixo de neve, de frio, vento, chuva e sol. Não nos podíamos dar ao luxo de parar por causa das condições atmosféricas geladas, por exemplo, porque o tempo e o dinheiro não esticam. Mas, divertimo-nos à séria, o tempo todo.

Qual é o teu personagem preferido?

É-me impossível escolher. É uma história que está comigo há muito tempo, que me tocou ao ponto de querer realizar este filme. As personagens estão no meu coração e ainda me está a custar despedir-me delas.

Apesar de ter um tom trocista semelhante, o teu filme Where Do We Go From Here é muito diferente deste, que, como já disseste, foi um salto para território inexplorado. O que te motivou a avançar?

Sou um contador de histórias. De filme para filme quero mais desafios, quero mudar completamente, quero arriscar e testar as minhas capacidades. Anna e o Apocalipse permitiu-me jogar com géneros, misturá-los. Depois disto, de fazer um musical de terror e comédia, sinto que evolui e aprendi como realizador.

Achas que o Ryan McHenry ficaria orgulhoso do filme, se pudesse ver no que se tornou a história que ele escreveu?

A 100 por cento. Acho que estaria orgulhoso, não só do produto final, como também de todas as pessoas envolvidas no filme, que deram tudo por ele, improvisaram muito para o fazer acontecer. Com um orçamento baixo, poucos recursos, mas esforçámo-nos para que o design, a música, as coreografias… para que o filme tivesse tudo a que tinha direito.


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<![CDATA[Fotos de gente, carruagens pintadas e elegância no metro de Nova Iorque ]]>https://www.vice.com/pt/article/59vwdk/fotos-de-gente-carruagens-pintadas-e-elegancia-no-metro-de-nova-iorqueTue, 11 Dec 2018 17:07:03 +0000Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma i-D Alemanha.

Crescer no Brooklyn, em Nova Iorque, fez com que Jamel Shabazz pegasse numa câmara pela primeira vez e começasse naturalmente a fotografar a comunidade afro-americana ao seu redor. Com o tempo, tornou-se uma espécie de modelo para as próximas gerações de fotógrafos de rua e documentais, que queriam ter uma relação mais íntima com os seus temas.

A nova exposição de Jamel Shabazz, City Metro, está a ser exibida na Alemanha e é dedicada ao local onde a maioria dos seus trabalhos foram fotografados: o metro de Nova Iorque. É um lugar que une pessoas de todos os géneros, classes e origens, mas não sem as suas próprias regras. Pedimos a Shabazz para nos explicar algumas dessas leis tácitas.

VICE: Que conselhos darias a alguém que nunca tenha estado no metro de Nova Iorque?Jamel Shabazz: O melhor conselho que posso dar a alguém que não está familiarizado com o sistema de metro de Nova Iorque é ser respeitoso, educado e cuidar da própria vida. Em Nova Iorque, chamamos-lhe “ficares na tua”.

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© Jamel Shabazz, Galerie Bene Taschen

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<![CDATA[A foto de um casal a pinar no topo de uma pirâmide desencadeou investigação internacional]]>https://www.vice.com/pt/article/nep9ez/a-foto-de-um-casal-a-pinar-no-topo-de-uma-piramide-desencadeou-investigacao-internacionalTue, 11 Dec 2018 16:37:51 +0000Este artigo foi originalmente publicado na VICE Canadá.

Algumas pessoas não ficaram nada contentes com o fotógrafo dinamarquês que decidiu divertir-se no gigantesco túmulo que é a Grande Pirâmide de Gizé. Na última sexta-feira, 7 de Dezembro, Andreas Hvid, o responsável pela confusão, divulgou um vídeo e uma série de fotos na em que se podia ver ele e uma mulher nua em pleno acto sexual no topo da pirâmide. As fotos não foram muito bem recebidas pelo público e governo egípcios. Segundo o meio de comunicação local Ahram Online, o ministro de Antiguidades do Egipto, Khaled Le-Anany, ordenou que as autoridades investiguem a validade das imagens e descubram se Hvid e a sua amiga modelo “realmente filmaram um vídeo pornográfico explícito no topo da Pirâmide”.

Um ex-oficial que falou com a NBC indicou que a filmagem e as fotos são falsas, porque “não há forma de alguém entrar na área das Pirâmides à noite” e que o tamanho das pedras não combina com a construção. Dito isto, é preciso apontar que outros já conseguiram escalar a pirâmide no passado. Um homem alemão foi preso exactamente por isso em 2016 (nem preciso de dizer, mas é completamente ilegal invadir e escalar as pirâmides).

Hvid não respondeu aos pedidos da VICE para comentar a situação, mas deu uma longa entrevista longa ao Ekstrabladet, um meio de comunicação dinamarquês, que foi publicada na Internet. Na versão do jornal traduzida para o inglês, Hvid diz que as fotos são reais e que se vai “manter longe do Egipto no futuro, já que há risco de ser preso se regressar”.

Hvid revela que esteve anos obcecado com a foto e planeou tudo ao pormenor. No final de Novembro, o fotógrafo dinamarquês e a sua parceira colocaram o plano em marcha. Hvid diz que ele e a mulher escalaram uma vedação bastante longe da pirâmide e, lentamente, fizeram a caminhada até ao local. Quando viram guardas, esconderam-se num templo durante uma hora e meia à espera que passassem. A partir dali, tinham uma rota planeada até ao monumento.

Quando chegaram ao lado da Grande Pirâmide, conseguiram escalá-la em menos de meia hora. Hvid descreveu a sensação de chegar ao topo como “eufórica” e a vista como “mágica”. Também publicou um vídeo que mostra o casal a esgueirar-se e, silenciosamente a escalar a pirâmide à noite. No final do vídeo, a mulher, que aparece com o rosto oculto, tira a camisola e olha para o Cairo à distância.

Depois, tiraram a foto onde aparecem a fazer o amor.

Parece que a foto ofendeu pessoas por dois motivos: uns ficaram obcecados com o facto de ele ter invadido um local histórico como as Grandes Pirâmides e outros ficaram danados, porque ele tirou uma foto que dá a entender que estava a pinar nesse mesmo local. “Em nome de todos os historiadores e arqueologistas do Mundo, espero que vocês os dois acabem na cadeia”, diz um comentário no vídeo no YouTube.

Na entrevista, Hvid afirma que a foto que tirou – que tem a hilariante tradução de “foda na pirâmide” – era uma declaração sobre a sociedade ocidental. “A 'Foda na Pirâmide' foi a ideia mais idiota que consegui realizar”, diz na entrevista. E acrescenta: “É a juventude ocidental e privilegiada na sua pior faceta. Só faltou um charro e uma garrafa de vodka”. Hvid diz ainda que não esperava que as pessoas fossem ficar tão chateadas e assegura que seguiu o código do explorador urbano: tirar “apenas fotos e não deixar nada além de pegadas”.

Aparentemente esta não foi a primeira investida de Hvid na fotografia ilegal. No seu site, diz que já se aventurou em Chernobyl e há várias fotos dessa viagem, além de imagens em topos de arranha-céus. Na biografia, o fotógrafo de 23 anos diz que é um explorador urbano desde os 10 anos de idade. Ainda no site há também fotos de Hvid a pinar com uma modelo – da mesma forma que na pirâmide. Mas, na sua conversa com o Ekstrabladet, Hvid esclarece a maior dúvida que toda a gente tinha: ele e a sua amiga modelo não estavam realmente a fazer sexo. Estavam só mesmo a posar.


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<![CDATA[Ansiedade é a nossa nova religião]]>https://www.vice.com/pt/article/wj3pvy/ansiedade-e-a-nossa-nova-religiaoTue, 11 Dec 2018 15:30:04 +0000Este artigo foi originalmente publicado na VICE US.

Há algumas semanas, falei com a psicanalista Jamieson Webster diante de uma plateia, num evento levado a cabo na NeueHouse, em Nova Iorque, EUA, a que decidimos chamar de “How to Exist OK (LIVE)”. Jamieson tinha acabado de publicar o seu livro Conversion Disorder, pela Columbia University Press, que integra uma teoria psíquica pesada com um enquadramento incrivelmente pessoal. Intelectualmente denso, mas ainda assim acessível, a obra ilustra bem aquilo que torna Jamieson única: é uma académica lacaniana que, ao contrário de todos os outros académicos lacanianos que já conheci, consegue ter uma conversa totalmente normal.

Vale a pena apontar que, enquanto conversávamos, eu estava sentado numa poltrona e Jamieson estava deitada num divã. Tinha-lhe enviado uma mensagem no dia anterior, dizendo-lhe que seria engraçado entrevistá-la como se eu fosse um seu paciente, mas ela rapidamente respondeu: “EU QUERO FICAR NO DIVÃ!”. Concordei. Ordens médicas.


Vê: "A hipnoterapeuta que trata vítimas de alegadas abduções alienígenas"


Abaixo podes ler uma versão editada e condensada da transcrição daquela conversa.

VICE: Achas que viver "OK" é, tipo, algo bom? Viver de forma "OK" é um objectivo decente para se estabelecer, ou é uma expectativa muito alta ou muito baixa?
Jamieson Webster: Em Civilization and Its Discontents, Freud ataca a questão da felicidade, o que se aplica bem aos dias de hoje, porque acho que as pessoas esperam ser felizes. E esperam que todas as armadilhas da vida moderna tenham sido criadas para as fazer felizes e, quando não as fazem felizes, as pessoas culpam-se a si próprias.

Isso é parte do meu livro - não nos sentimos apenas doentes com os nossos corpos, mas também sentimos culpa por nos sentirmos doentes com os nossos corpos, especialmente num mundo que diz que os nossos corpos deveriam funcionar muito bem, que deveríamos levantarmo-nos todos os dias, ser produtivos, bonitos, estar em forma e ter óptimos orgasmos. Quem é que consegue fazer isso tudo? Portanto, acho que “OK” está bem.

Então, a minha pergunta é: num país como os Estados Unidos, onde uma em cada seis pessoas tomam medicamentos psicotrópicos, estamos menos "OK" que nunca?
Tenho que pensar que toda a gente sempre esteve doente. Acho que seria doentio imaginar que as pessoas viviam melhor há muito tempo atrás, essa é uma nostalgia ao estilo “Make America Great Again”.

Mas, acho que há algo nas nossas expectativas que pode estar a mudar. Não tenho a certeza, mas vejo a forma como a vida contemporânea se alimenta das expectativas de que não deverias sentir-te mal. Só não vejo o que é que esse mundo te fornece além de desconforto. Acho muito desconfortável ser humano.

Uma coisa que digo sempre aos meus pacientes: ao leres a grande literatura do Mundo, se voltares, tipo, às tragédias gregas, as pessoas não estavam bem. E a vida nessa época sempre foi assolada por guerra, pobreza e doença. As mulheres morriam constantemente durante o parto.

Muitos desses aspectos materiais da vida foram resolvidos e, ainda assim, o desconforto continua. Acho isso interessante. Com a medicina moderna, podemos esperar viver muito mais, mas não podemos esperar muito mais que isso.

Quais são alguns dos principais obstáculos que encontras com os teus pacientes? O que é que se atravessa no caminho entre eles e o existirem de forma "OK"?
Há uma carta incrível de Freud para a princesa Marie Bonaparte. Ele falava sobre a depressão dela e dizia “Acho que o problema com os deprimidos é que eles, simplesmente, têm expectativas muito altas para a vida. Acham que a vida deveria ter mais significado do que tem”. Para Freud, questionar o sentido da vida, basicamente, já é ser neurótico. Uma das coisas que descobri com os pacientes é essa necessidade de encontrar significado e muito do que um psicanalista pode fazer é trabalhar para parar essa máquina que está constantemente a processar informação e a pensar que há alguma coisa que tens de entender, resolver, para fazer sentido e te poderes sentir melhor. Também acho que é por isso que as apps de meditação fazem tanto dinheiro. Porque, param-te o cérebro.

No teu livro, chamas à nossa “ansiedade colectiva” de a nossa “nova religião”. Uma palavra-chave do título, “conversão”, é, ao fim e ao cabo, uma palavra religiosa. Conversão implica um antes e um depois. O paciente antes da análise e depois da análise; os budistas são não-iluminados e depois iluminados; os cristãos estão perdidos e depois encontram-se. De certa maneira, a terapia, como a religião, às vezes promete salvação, certo?
Não quero prometer salvação. Estava interessada no facto de que a conversão na psiquiatria significa uma mudança energética radical. Lendo autores como William James, começas a ficar muito interessado em experiências de conversão religiosa; ele diz que alguma coisa tem que ser tão radical que faça com que onde estavas antes e onde estás depois sejam marcados de maneira diferente.

E a psicanálise andava a dizer a mesma coisa, que alguma mudança tem que acontecer para fazer uma diferença estrutural para a pessoa. Psicanálise significa essa literatura. Não é só tipo “Ah, agora entendo”. Significa, literalmente, que algo muda no nosso corpo. William James estava a dizer a mesma coisa sobre experiências religiosas, que algo material aconteceu àquelas pessoas. Às vezes isso acontece lentamente. Às vezes é como ser atingido por um raio. E ele estava interessado na diferença entre esses fenómenos.

Bem, uma diferença entre mudança gradual e um raio é que um raio parece mais divertido. E fácil. Num mundo que alimenta constantemente o nosso desejo de gratificação instantânea, achas que ainda temos paciência para a mudança gradual?
Depende do paciente. Quer dizer, há pacientes para quem é um raio atrás do outro. E há pacientes que passam três anos à espera que isso aconteça e, eventualmente, acontece, mas andaste na lama durante um longo tempo.

Também digo que isso depende da ansiedade. Os pacientes que são mais frustrados são aqueles que têm uma ansiedade alta. É muito difícil analisar a ansiedade. Quer dizer, o que é que estás a analisar? Tens que pressionar a pessoa para fazer algo na sua vida que obriga a ansiedade a tornar-se outra coisa, que é uma das coisas mais difíceis de fazer como analista, porque não é falar, não é analisar, não é jogar com sonhos. É, literalmente, pressionar a pessoa a fazer outra coisa em vez de ficar ansiosa. Quando penso nisso, que a ansiedade está em alta no mundo, fico muito, muito nervosa.

Queres dizer... ansiosa?
Sim. Também funciona.

Podemos estar a abordar território Zen koan, mas esperar a mudança como um raio não é o principal impedimento para experimentar esse momento?
Não é a coisa mais neurótica desejar o desejo? Quão fundo no desejo estás, no momento que desejas ter o desejo?


Vê: "'Grounded': uma curta-metragem sobre Ansiedade e Música Ambiente"


No teu livro, dizes que precisamos de voltar a examinar a psicanálise, num mundo onde “sintomas viralizaram, como bactérias resistentes a antibióticos”. Isso deixou-me curioso. Como é que as informações médicas disponíveis na Internet afectaram o teu trabalho?
Às vezes os pacientes chegam com todas essas ideias do que acham que está errado neles e isso não vem de dentro. Vem da Internet. Às vezes ficam danados comigo quando lhes digo “De onde tiraste essa ideia?”. E às vezes acabam por ter uma ideia reafirmada.

Também dizes no livro que temos de reexaminar a psicanálise num mundo onde “a contradição do anseio por fama instantânea acontece numa geração que fica em casa mais tempo que nunca, viciada numa vida virtual”. Como é que a Internet, no geral, mudou a nossa habilidade de existir de forma "OK"?
No Japão, 40 por cento das pessoas dizem ter nojo de sexo. Nos EUA, supostamente houve um declínio de 15 por cento na actividade sexual. As pessoas já não querem foder. Os adolescentes no ensino secundário não andam a trocar mensagens picantes. Preocupo-me com o facto de as pessoas já não quererem chegar perto dos corpos umas das outras. Há uma coisa de lutares contra o teu corpo, contra os nossos corpos, os corpos das outras pessoas e o quão horrível os corpos das outras pessoas são, que ajuda a lidar com a sexualidade na vida. E, se não estamos a fazer isso, não sei o que vai acontecer.

Para mim, não é que a intimidade já não esteja a acontecer, mas sim que está a acontecer no reino digital. Pode parecer tonto, mas acho que esta é uma questão pós-moderna séria do nosso tempo: é realmente assim tão diferente fazer sexo no mundo real e fazer sexo pelo telemóvel?
Há uma diferença. Não estás a controlar a pessoa como quando ela está à tua frente. Também não estás a ter o controlo do teu corpo como quando ele está em contacto com outro corpo. Portanto, acho que o mundo virtual te dá uma sensação de falso controlo e omnipotência, que te ajuda a filtrar a ansiedade. Mas, talvez eu seja, tipo, só antiquada. Não quero ser antiquada.

Como é alguém consegue existir de forma "OK"?
Não sei se há uma resposta.


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<![CDATA[O "Pirate Bay da ciência" continua a ser atacado em várias partes do Mundo]]>https://www.vice.com/pt/article/gy7d7j/o-pirate-bay-da-ciencia-continua-a-ser-atacado-em-varias-partes-do-mundoTue, 11 Dec 2018 11:56:03 +0000Este artigo foi originalmente publicado na nossa plataforma Motherboard.

O Sci-Hub, um depósito online de pesquisas pensado para fornecer acesso livre a dados científicos, viu os seus domínios bloqueados na Rússia depois de um tribunal do país declarar que o site violava os direitos autorais de editores. Este é o novo capítulo de uma guerra global.

Criado em 2011, o Sci-Hub é em grande parte ideia de uma mulher: a investigadora científica e hacker, Alexandra Elbakyan. Apelidado de “Pirate Bay da ciência”, o repositório de pesquisas de Elbakyan é a solução da cientista para o problema global de paywalls e restrições de copyright que mantém investigações valiosas fora do domínio público (se já tentaste ler um estudo científico inteiro na Internet, sabes do que estamos a falar. É quase impossível encontrar um sem pagar).


Vê: "Matar o Cancro"


Quase como um tipo de rede de pesca online, o Sci-Hub actua com um script que descarrega páginas em HTML e PDF da Internet – incluindo dados bloqueados por paywall. Dar acesso grátis a mais de 48 milhões de artigos académicos, obviamente não agrada aos editores tradicionais, que lucram com o acesso restrito aos seus conteúdos.

Em 2015, a editora holandesa Elsevier abriu um processo nos EUA contra Elbakyan por “ilegalmente aceder e distribuir documentos protegidos por direitos de autor”, resultando num pedido de indemnização de 15 milhões de dólares. Outros editores tiveram também sucessos legais semelhantes na Alemanha e Suécia, onde um provedor de Internet sueco bloqueou o site da Elsevier, depois de tribunais ordenarem a censura de 20 domínios associados ao Sci-Hub.

Recentemente, na Rússia, os tribunais ficaram do lado da editora académica do Reino Unido, Springer Nature Limited, que afirma que o Sci-Hub partilhou três dos seus trabalhos focados em saúde do coração e cérebro, alegando que essa partilha infringia leis de copyright. Como resultado, o regulador russo Roskomnadzor ordenou que provedores de Internet do país bloqueassem o acesso dos utilizadores a vários domínios do Sci-Hub e da Library Genesis. Mas, os utilizadores ainda podem encontrar alguns desvios e continuar a aceder ao material proibido, segundo especialistas em direitos de autor.


Vê o primeiro episódio de "Cyberwar"


“O Sci-Hub sempre se mostrou melhor no jogo do gato e do rato que os gigantes do monopólio editorial de ciência que ele mina”, assegura o activista e autor, Cory Doctorow, em entrevista à por Motherboard por e-mail. E acrescenta: “Dito isto, a menos que a tua ciência seja pública, isso não é ciência, é alquimia. Com os grandes financiadores da ciência no Mundo a declararem guerra a editoras como a Springer, é bizarro que se foquem no Sci-Hub em vez de abordarem o facto que o resto da comunidade científica acha que eles são parasitas inúteis e gananciosos”.

Enquanto Elbakyan garante que pode fazer domínios alternativos para contornar os bloqueios (até que os tribunais reparem também nesses), esses domínios também serão alvos para editores e tribunais. “O domínio sci-hub.se funciona, mas por quanto tempo não tenho como saber. Portanto, para acederem ao Sci-Hub, usem ferramentas para contornar a censura da Internet – que podes procurar no Google, ou através do bot do Telegram: @scihubot”, escreveu Elbakyan nas redes sociais VK e Telegram.

Elbakyan argumenta que apenas oferece aos investigadores e ao público atalhos mais eficientes para terem acesso livre aos estudos. “O sistema tem de mudar para que sites como o Sci-Hub possam trabalhar sem problemas. O Sci-Hub tem um objectivo e mudar o sistema é um dos métodos para o alcançar”, afirmou Elbakyan no ano passado num blog.

O problema dos ataques legais de editoras ao Sci-Hub é que acabam por apenas chamar mais a atenção para a necessidade de acesso livre a estes dados (ou seja, o Efeito Streisand). Como resultado, vários conselhos de pesquisa europeus anunciaram recentemente um esforço de publicação de acesso aberto, visando abordar mais seriamente o problema.


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<![CDATA[Para autor de livro sobre o punk, o rock tem que voltar a pensar fora da caixa]]>https://www.vice.com/pt/article/kzvp5n/para-autor-de-livro-sobre-o-punk-o-rock-tem-que-voltar-a-pensar-fora-da-caixaTue, 11 Dec 2018 10:59:17 +0000Este artigo foi originalmente publicado na VICE Brasil e parcialmente adaptado ao português europeu.

No final dos anos 1990, o jornalista Michael Azerrad viu na televisão uma série documental sobre a história do rock. O episódio dedicado ao punk começou, naturalmente, a falar sobre Ramones, Sex Pistols e seguiu com toda a cena pós-punk e new wave de Nova Iorque. Eis que, de repente, o documentário salta dos Talking Heads directamente para os Nirvana. "Espera lá, pensei eu, e os Black Flag, Hüsker Dü, Dinosaur Jr, Fugazi e todas essas bandas muito boas, muito influentes? E toda a década de 80?", recorda Azerrad, em entrevista concedida à VICE por e-mail. E acrescenta: "Foi assombroso terem saltado uma década inteira de óptimas bandas – as bandas que inspiraram e tornaram possível que os Nirvana e muitas outros grupos da geração seguinte existissem".

Com aquilo na cabeça, o jornalista – que já tinha escrito uma biografia sobre os Nirvana, intitulada Come As You Are: the Story of Nirvana – pensou que a história daquelas bandas, tão escondidas sob a poeira que o estatuto mainstream do rock levantou nos anos seguintes, precisava de ser contada. E a própria força que elas tiveram para fazer tudo com as próprias mãos foi o que levou Azerrad a assumir a tarefa pra si. Nos três anos seguintes escreveu o que mais tarde se tornaria num clássico do jornalismo musical, Our Band Could Be Your Life - Scenes From The American Indie Underground 1981-1991, lançado em 2001. Este mês, 17 anos depois, a obra ganhou pela primeira vez uma tradução em português do Brasil, publicada pela Powerline Music & Books, sob o nome Nossa Banda Podia Ser Sua Vida.


Vê: "Hardcore de Nova Iorque"


Na entrevista que podes ler abaixo, Azerrad fala sobre o processo de escrita do livro, o que mudou no jornalismo musical desde que o título foi lançado e os formatos conservadores que o rock assumiu desde então.

VICE: Como é que decidiste sobre que bandas escreverias? Porque é que foram estas as mais importantes?
Michael Azerrad: Sabia que não conseguiria escrever sobre toda a comunidade indie norte-americana dos anos 80 – era uma cena demasiado grande. Então, decidi escolher algumas bandas que representaram vários aspectos chave da comunidade: cidades, estilos musicais, editoras, formas de conduzir a carreira, etc. Não eram necessariamente as mais importantes, mas as mais representativas, na maneira como eu as via. Os Black Flag representam o hardcore da Califórnia e o nascimento da SST; os Big Black representam a cena de Chicago e a Touch and Go Records; os Mudhoney representam o grunge, Seattle e a Sub Pop Records e por aí fora. Coloquei-as numa sequência que esperava que fosse sugerir uma progressão do que estava a acontecer em 1981, o início do período de tempo do livro, até 1991, que é o fim do período de tempo do livro.

O livro começa em 1981, porque muitas bandas chave começaram naquele ano, ou pelo menos assumiram a sua forma mais reconhecível, ou lançaram os seus primeiros discos. Algo estava s acontecer naquele ano. E, claro, Ronald Reagan assumiu a presidência dos Estados Unidos em 1981, o que foi uma espécie de inspiração negativa para muita da cultura underground que se seguiu. E 1991 foi o ano em que Nevermind foi lançado, o que catapultou a cultura indie para o mainstream, portanto parece-me um ponto final lógico. Acontece que foram exactamente 10 anos, pelo que funcionou muito bem.

Como foi o processo de pesquisa para o livro? Aprendeste muita coisa que não sabias?
A primeira pessoa que entrevistei para o livro foi Mike Watt, dos Minutemen, num quarto de hotel em que eu estava hospedado perto da sua cidade natal, San Pedro, Califórnia. Conversámos durante muitas horas, ao longo de três dias. E o espírito de Watt, bem como o espírito dos Minutemen, ecoa mai ou menos ao longo de todo o livro. Quando outras pessoas souberam que falei com Watt, perceberam que o projecto era bom e concordaram em falar comigo. Depois continuei a entrevistar pessoas, viajando para Los Angeles, Seattle, Chicago, Washington, DC, Austin, Minneapolis, Boston, Massachusetts, e por aí fora, a encher cassetes com conversas com toda esta gente envolvida. Há mais de 100 entrevistas no livro.

E sim, havia muita informação que não sabia antes. Quando entrei no projecto, sabia que teria muita informação que desconhecia, mas não tinha ideia de que seria tanta. Foi um processo de aprendizagem muito grande e meio assustador, porque o projecto continuava a expandir-se em direcção ao horizonte e parecia não ter fim. Mas, continuei – inspirado, como disse, pelas pessoas sobre quem estava a escrever – e, eventualmente, o fim chegou. E isso aconteceu depois de três anos a não fazer nada além do livro, dia e noite, todos os dias.


Vê: "Glam Rock"


Publicaste Our Band Could Be Your Life há 17 anos. Hoje, olhas para o livro de forma diferente?
Quando publiquei Our Band Could Be Your Life acho que fiquei mais aliviado do que qualquer outra coisa. Foi exaustivo. O livro teve algumas críticas muito positivas, incluindo uma de um crítico muito severo e muito bom, chamado Robert Christgau, portanto fiquei muito orgulhoso. Mas, as vendas andaram bastante devagar – Our Band Could Be Your Life foi publicado pouco antes do 11 de Setembro de 2001. A digressão de promoção do livro estava programada para começar alguns dias mais tarde, em Chicago. Portanto, o livro ficou um pouco perdido entre o luto, a confusão e a raiva daquela época. E vejo mais ou menos o livro nessa forma, mesmo que ele seja sobre eventos que aconteceram 10, 20 anos antes. Todavia, cerca de um ano depois, as vendas misteriosamente aumentaram. Não sei porquê, mas o livro pegou e tem sido editado desde então.

A diferença entre quando o publiquei e o presente são muitos anos de pessoas a virem falar comigo em concertos e a dizerem-me, “acho que já estás cansado de ouvir isto, mas…” e a contarem-me o que o livro significou para eles. Tento fazer com que essas pessoas tenham a certeza que nunca, nunca me vou me cansar de ouvir essas coisas. É muito emocionante saber que algo que eu fiz inspirou pessoas que nunca conheci. Não era essa a minha intenção quando escrevi o livro – achava apenas ridículo que aquelas grandes bandas estivessem a ser ignoradas pela história-padrão – mas, aconteceu e é incrivelmente comovente.

Neste momento, estou constantemente a ser lembrado do legado contínuo do livro e das bandas de que a obra fala - em breve haverá uma versão audiobook, em que eu lerei a introdução e o epílogo, mas músicos e outras pessoas notáveis que adoram o livro vão ler os capítulos sobre as bandas que os inspiraram. Jeff Tweedy lerá o capítulo sobre os Minutemen, Colin Meloy lerá o dos Hüsker Dü, Fred Armisen lerá o dos Butthole Surfers e anunciaremos o resto nos próximos meses. Há muitas pessoas realmente óptimas envolvidas. Vai ser publicado no dia 21 de Maio de 2019 e mal posso esperar.


Vê: "O Outlaw Country mantém vivo o espírito renegado e independente"


As bandas sobre as quais escreves no livro não tinham muita cobertura da imprensa na época. Achas que nós, como jornalistas de música, temos a responsabilidade de investigar bandas e movimentos que não estão a receber tanta atenção quanto a que deveriam?
Acho que alguns jornalistas de música devem cobrir a música underground, mas nem todos precisam de o fazer. Alguns jornalistas de música podem cobrir música mainstream e tudo bem. Toda a gente tem a sua própria especialidade jornalística. No entanto, acho que é muito importante escrever sobre coisas que não nos estão a ser impingidas por grandes corporações, para mostrar que existem alternativas ao mainstream. Jornalistas que fazem isto - em qualquer área - estão a prestar um óptimo serviço ao Mundo.

O que mudou na forma como se faz jornalismo musical desde que começaste?
A Internet. Tanto a pesquisa como a música está agora na ponta dos teus dedos. Graças à Internet, toda a gente é um crítico de música. Se vais a um concerto e postas algo no Twitter sobre isso, és um crítico de música. O que, num certo nível, é bastante fixe – escrever sobre algo significa que te estás a envolver com isso a um nível mais profundo. Mas, também significa que há muita informação e opinião a voarem à solta por aí. E nem toda a informação é exacta, em parte porque ser jornalisticamente sólido é uma capacidade que nem toda a gente possui, ou sequer percebe que não possui. É uma arte moribunda, até mesmo entre os profissionais. E isso é parte de todo o fenómeno das "fake news", por exemplo.

Não sei exactamente qual é a situação nos EUA, mas, pelo menos no Brasil, o rock tornou-se algo conservador e os roqueiros estão a tornar-se mais e mais intolerantes (por exemplo: recentemente, muitos fãs de Pink Floyd ficaram perplexos, porque Roger Waters fez uma declaração contra o presidente brasileiro eleito de extrema-direita, Jair Bolsonaro). O que achas que tornou essa mudança possível? Como é que o rock pode resistir enquanto forma de arte progressista nos dias de hoje?
É engraçado que alguém tenha ficado surpreso com o que Roger Waters disse sobre Bolsonaro – há décadas que Waters tem sido politicamente progressista. Será que aqueles fãs prestaram atenção ao que ele dizia em The Wall, em 1979? Isso é tão estranho para mim...

Pergunto-me se o rock ainda pode ser um bom veículo para a resistência. Está a tornar-se um bocado antiquado ver um grupo musical com guitarras e bateria, portanto o rock tornou-se meio conservador nesse sentido e não progressista. Embora tenha sido essa a génese do movimento punk: queria que o rock voltasse ao que costumava ser e isso é, na verdade, uma ideia conservadora, mas o movimento acabou por assumir formas muito originais.


Vê: "Krautrock Alemão"


Uma razão pela qual o rock foi uma forma progressista durante algum tempo foi o facto de que democratizou a produção musical. Quase qualquer pessoa poderia comprar e tocar uma guitarra. E o rock faz barulho - alto - com poucas pessoas, o que o torna mais económico do que uma big band de jazz, ou uma orquestra. Mas, agora, sintetizadores e samplers tornaram a música ainda mais democrática – mais barata, mais fácil de aprender, mais portátil –, portanto talvez essa seja, agora, a verdadeira música do povo.

O famoso teórico cultural norte-americano, Marshall McLuhan, disse: "O meio é a mensagem". Talvez o meio do rock se tenha tornado um meio de conservadorismo. Vê uma banda como os Greta Van Fleet – o NME chamou-os de "Led Zeppelin pós-millennial". Isso não é progresso. A coisa mais progressista que podes fazer é "pensar fora da caixa". Se o rock conseguir fazer isso outra vez, fazer sons fora da caixa para inspirar as pessoas a pensarem fora da caixa, então talvez possa ser novamente uma forma progressiva. Acho que bandas americanas como os Deerhoof e Dirty Projectors conseguem fazer isso. E adoraria ouvir algumas bandas brasileiras que fazem isso. Mas, como disse anteriormente, não queres viver a mesma coisa uma e outra vez e é realmente emocionante ouvir novos tipos de música, que estimulam novas partes da tua mente e abordar este tempo em particular, com a tua própria nova política e tecnologia e tudo o mais.

Quais são os teus livros sobre música preferidos?
Rock Encyclopedia — Lilian Roxon
Hit Men — Fredric Dannen
Mystery Train — Greil Marcus
Can’t Stop Won’t Stop: A History of the Hip-Hop Generation – Jeff Chang
Dino: Living High in the Dirty Business of Dreams — Nick Tosches
The Rest Is Noise: Listening to the Twentieth Century — Alex Ross
The True Adventures of the Rolling Stones — Stanley Booth
Rip It Up and Start Again — Simon Reynolds
Noise: The Political Economy of Music — Jacques Attali
Please Kill Me — Gillian McCain e Legs McNeil
England's Dreaming — Jon Savage
African Rhythm and African Sensibility — John Miller Chernoff
Our Noise — John Cook com Laura Ballance e Mac McCaughan

E vários outros de que me estou a esquecer!


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<![CDATA[Um adolescente de 16 anos morreu electrocutado pelos próprios headphones]]>https://www.vice.com/pt/article/pa5mng/um-adolescente-de-16-anos-morreu-electrocutado-pelos-proprios-headphonesTue, 11 Dec 2018 09:24:02 +0000Este artigo foi originalmente publicado na VICE Austrália.

Na passada semana, um adolescente foi electrocutado até à morte pelos headphones que estava a utilizar ligados a um telemóvel. Mohd Aidi Azzhar Zahrin, de 16 anos, foi encontrado pela mãe na casa da família em Rembau, Malásia, caído imóvel no chão e já frio, segundo relata o New Straits Times. O jovem tinha sangue a sair das orelhas.

Exames iniciais não encontraram ferimentos externos no corpo de Mohd, além de queimaduras na orelha esquerda, mas, mais tarde, a autópsia confirmou que a causa da morte foi electrocussão. Sabe-se que estava a ouvir música com auriculares enquanto carregava o telefone. Segundo a Seven West Media, o irmão também sentiu um pequeno choque quando tocou no cabo do carregador, o que pode indicar que o aparelho apresentava algum defeito - no entanto, o fabricante e o modelo do aparelho e do carregador ainda não foram confirmados.


Vê: "Os 'engenhocas' que reciclam baterias de laptops para alimentarem as suas casas"


Mohd é pelo menos a quarta pessoa a morrer em 2018 por choque eléctrico infligido por headphones. Em Fevereiro, a estudante Luiza Pinheiro, 17 anos, teve uma morte semelhante e foi encontrada no chão da sua casa em Riacho Frio, Piauí, Brasil, depois de uma “grande descarga eléctrica” lhe passar pelo telemóvel e os phones derreterem nos ouvidos da jovem. “A avó da rapariga disse ao médico que a encontrou inconsciente, deitada no chão com os phones nos ouvidos”, avançou na altura ao G1 um funcionário do hospital local. E acrescentou: “Disseram que acreditavam que ela apanhou um choque, porque o telefone estava a carregar e os auriculares estavam derretidos”.

Em Maio, uma mulher de 46 anos da aldeia indiana de Kanathur foi electrocutada depois de adormecer a ouvir música, segundo o The Times of India - com a polícia local a apontar um curto-circuito como a possível causa do incidente. Um mês depois, um homem de 22 anos de outra localidade indiana, Pandyo, estava a ouvir música de um telemóvel a carregar quando a electricidade de sua casa foi abaixo. Quando a energia voltou, o homem apanhou um choque através dos auriculares e também morreu, de acordo com a NDTV.

Já em 2014, uma australiana de 28 anos foi encontrada morta em sua casa, em North Gosford, Nova Gales do Sul, depois de ser electrocutada por um cabo USB que estava a usar para carregar o telefone enquanto ouvia música com phones. Neste caso, o choque fatal foi pelo menos parcialmente atribuído a um carregador com defeito, segundo a ABC. “Sabemos com certeza que o carregador era defeituoso e criou um arco entre a entrada de 240 volts e a saída de cinco volts”, avançou na época Lynelle Collins, do serviço de protecção ao consumidor de NGS. E acrescentou: “Temos fotos, desmontámos o aparelho, portanto sabemos que o carregador foi o problema”.

As investigações descobriram que o carregador em questão não estava em conformidade com os padrões de qualidade australianos e o comissário do serviço de protecção ao consumidor, Rod Stowe, emitiu um alerta sobre os perigos de usar produtos não certificados. “Esses aparelhos representam um risco sério de electrocussão e incêndio”, afirmou na altura. O serviço de protecção ao consumidor australiano alertou mesmo os cidadãos para não usarem qualquer aparelho enquanto estiver ligado a uma tomada a carregar.


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<![CDATA[Há mais um teaser da terceira temporada de "Stranger Things" ]]>https://www.vice.com/pt/article/yw7xvw/ha-mais-um-teaser-da-terceira-temporada-de-stranger-thingsMon, 10 Dec 2018 19:27:59 +0000O marketing à volta da série da Netflix e, em particular, da nova temporada é de outro nível. Há vídeos sobre cada personagem, mini docs sobre os cenários e efeitos especiais, pequenos teasers do “Dia de Stranger Things”, ou do dia em que os actores chegaram ao estúdio para a primeira leitura de guião da terceira temporada, blá, blá, blá. Saiu até um vídeo que mostrava um anúncio de televisão sobre aquela que, supõe-se, será uma localização importante para a história: o centro comercial Starcourt, para onde, ao que parece, Steven vai trabalhar. A provocação não acaba, mas continua sem haver data fixa de estreia - sabemos apenas que é em 2019.

E esta diarreia de vídeos que nos emocionam de cada vez que nos deparamos com um, enchendo-nos de (falsas) esperanças, que fazem o nosso coração palpitar mais depressa com a sensação de que, finalmente!, vamos sacar alguma pista sobre o que aí vem, não tem fim à vista: hoje, 10 de Dezembro de 2018, a Netflix lançou novo teaser da terceira temporada. Mais uma vez, abri o vídeo com tremeliques nos joelhos, unhas na boca, auriculares com o volume no máximo e concentração total e absoluta, preparada para atentar nos detalhes e, assim de caras, decifrar, qualquer coisinha...

Não consegui.


Vê: "A hipnoterapeuta que trata vítimas de alegadas abduções alienígenas"


O vídeo, como todos os outros, abre com a já tão conhecida música - que, por si só, nos deixa com pele de galinha e um nó no estômago. Apuro os meus olhos de lince à espera de imagens mas, em vez disso, o ecrã mostra-me oito títulos, o nome dos oito episódios pelos quais ansiosamente aguardamos. "Nada mal", penso de mim para mim. "Embora lá interpretar estes títulos":

  • Suzie, estás aí?
  • Os ratos de centro comercial
  • O caso da salva-vidas desaparecida
  • O teste na sauna
  • A origem
  • O aniversário
  • Nos tentáculos do monstro
  • A batalha de Starcourt

Pois. Quem é a Suzie? Ainda não recuperámos do choque de perder a Barb e já andamos a tentar encontrar a Suzie? O episódio “A origem” tem um nome imponente, pode vir a ser um ponto de viragem na história, já que nas temporadas anteriores havia sempre um episódio em que tudo se tornava, por fim, mais claro ao nosso entendimento. No entanto, a única coisa que se torna óbvia com este teaser é o que já sabíamos: que o tal centro comercial vai ser palco de cenas importantes.

De resto, continuamos todos aos papéis. Vê o vídeo acima para, de forma completamente vã, ficares com os nervos à flor da pele. Como eu fiquei.


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