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Aborto legal, seguro e gratuito avança na Argentina: um dia histórico em fotos

Deputados argentinos aprovaram o projeto que legaliza o aborto em uma votação apertada: 129 votos contra 125.

por Bruno Grappa; fotos por Bruno Grappa; Traduzido por Pedro Falcão
15 Junho 2018, 7:09pm

Enquanto dentro do recinto cada deputada e deputada fazia uso da palavra para dar seus argumentos, as ruas em volta do Parlamento se dividiam entre cidadãos que estavam a favor e contra a lei. A jornada histórica deu luz a imagens e testemunhos inesquecíveis, capturados pela lente do fotógrafo Bruno Grappa pra VICE Argentina.

Carlos, 66 anos. "Estou aqui porque sempre participei de diferentes lutas. Minha forma de pensar, mais que política, é filosófica, e penso que os iluminados, os grandes oradores políticos tomam as nossas vitórias, e acabam levando a novos caminhos que nos obrigam a voltar a lutar. Acredito que o que está passando, essa visibilidade e este protagonismo das mulheres, vá nos levar a uma cultura nova que não somente elimina o patriarcado, mas também todas as expressões de poder que durante a história nos foderam a vida, e a todos os humanos."

Pilar, estudante de psicopedagogia, 29 anos. "Venho ao Congresso pela luta das mulheres, pelo direito de aborto, quero que seja seguro e gratuito, e porque finalmente se implemente a Educação Sexual Integral em todas as escolas."

Pilar

Milagros, 21 anos. "Hoje estou aqui porque, de verdade, acredito que a lei de direito ao aborto que nos negaram por muitos anos, foi arquivado por todos os governos que passaram e esta é a primeira vez que estão tratando do assunto. É um direito que merecemos, porque a ausência dessa lei leva todos os anos à morte de 600 mulheres da classe trabalhadora, da classe mais pobre, e isso não pode mais acontecer."

Milagros

Belen, 30 anos. "Viemos em uma caravana lá de Mercedes (nos arredores de Buenos aires) chamada Assembleia da Mulheres Mercedinas, porque apoiamos a causa do aborto legal e porque acreditamos que essa é uma medida de saúde pública que serve para que as mulheres adquiram pleno direto sobre seus corpos, em especial as que estão sob maior risco de vulnerabilidade."

Guillermo, 41 anos. "Isso me deixa triste, porque aprovar essa lei significa romper com um mandamento de Deus: não matarás. E essa lei [do aborto] significa que sangue inocente será derramado. Vim apoiar o movimento Salvemos las Dos Vidas e com a intenção de me aproximar dos Deputados para ler a eles os mandamentos de Deus. Temos que nos aprofundar nesse tema como ensina a Igreja de Jesucristo de los Santos de los Últimos Días, e a Igreja Católica, e não devemos ter relações antes do matrimônio, o que evitaria um monte de problemas como esse."

Yanina, 42 anos. "Viemos de Entre Rios, Deus nos moveu até aqui porque a vida está no poder do Senhor. Nós emanamos da presença do Senhor e por isso acreditamos que a vida acontece no momento da gestação em todo o seu esplendor. Ninguém tem o direito de tirar a vida de si ou de outra pessoa, porque somos instrumentos da vida, não instrumentos da morte."

ACAMPADA FRENTE AL CONGRESO

Matéria originalmente publicada na VICE MX.
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