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Busca pelo termo "fake news" aumenta mais de 30 vezes em um ano

O maior número de pesquisas foi no dia seguinte às denúncias de campanha pró-Bolsonaro no WhatsApp.

por Bruno Costa
22 Outubro 2018, 4:38pm

Imagem: reprodução/Google

Abrir o Google, digitar "fake news", pesquisar. É o que tem feito o brasileiro nos últimos tempos. O pico máximo dessa relevância de interesse, como mostra o Google Trends (medidor de tendências das pesquisas no buscador), se deu no último dia 19, um dia após as denúncias sobre campanha feita por WhatsApp em prol do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL) serem divulgadas pela Folha.

Em um ano, a busca pelo termo aumentou mais de 30 vezes em relação à média de outubro de 2017. Entre as pesquisas relacionadas estão "Haddad fake news", "fake news de Bolsonaro", "MBL fake news" (acrônimo em referência ao Movimento Brasil Livre) e "fake news eleições".

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Gráfico mostra o aumento da busca pelo termo "fake news" entre outubro de 2017 e outubro de 2018. Imagem via Google Trends

Caio Túlio Costa, professor de jornalismo digital da ESPM e CEO da Torabit, diz que pode-se imaginar que quem procura pelo termo "fake news" no Google estaria curioso para entender seu significado, e também, checar se certo assunto possa ser falso ou não.

Caio explica que há diversas modalidades de fake news, porém há duas explicações mais simples. Uma é a mentira, um fato produzido de maneira não verdadeira e que tem uma outra percepção. E a outra é quando, a partir de um dado verdadeiro, há uma distorção de um conteúdo factual. "Para se ter a notícia, tem que ter um fato, tem que ser factual, e a fake news é aquilo que é inventado, criado, fantasiado e não reflete algo correto e factual", fala.

O período eleitoral contribuiu para o aumento dessas buscas. Além de quem busca por contra própria, vivemos o advento das agências de checagem e veículos com propostas de comprovação de fatos do que circula nas redes. Segundo Caio, por mais necessária que seja essa averiguação, as agências e veículos não estão dando conta de checar tudo que tem aparecido. "Estamos assistindo no Brasil, nesse momento, uma verdadeira carnificina na criação de fake news, tanto de um lado quanto de outro", comenta o professor.

Autora do livro Como sair das bolhas, a jornalista e professora da PUC-SP Pollyana Ferrari mostra que isso não é de agora. Em seu livro, a acadêmica detalha que o termo já existia e que está em ascensão devido à propagação de memes e mentiras nas redes sociais. À VICE, ela conta que o intuito de tudo isso é interferir nessas eleições gerais. "Esses escritórios estão trabalhando desde 2014 no Brasil. Os escritórios de fake news não foram embora, eles continuaram nessa manipulação, nessa polarização. Essa máquina de construir memes, WhatsApp e história totalmente fake para confundir e polarizar", pontua.

A professora relembra que as eleições norte-americanas levaram o assunto à nível mundial, já que as manipulações aconteciam através do Twitter e Facebook, mas que muita coisa foi rastreada, mesmo com Trump eleito. Com as denuncias de campanha via WhatsApp do candidato do Partido Socialista Liberal (PSL), mostra que a plataforma não é rastreável e o aplicativo é uma caixa-preta. A pesquisadora narra que em quatro anos, a população que saiu da TV aberta está nas redes sociais, e ali, foi criado um universo, uma opinião pública, e que as fake news pós-eleição continuarão, seja qual for o resultado da votação. "É o grande mal desse momento. Temos que batalhar por políticas públicas de não deixar isso acontecer pela pressão e monitoramento da plataforma [o WhatsApp], via TSE", opina a pesquisadora.

Ainda como parte do assunto, o professor Caio ressalta que em um ano, pesquisas por ditadura também aumentaram no buscador. A Piauí recentemente divulgou que o termo "fascismo" bateu o recorde de pesquisas no Google no mesmo período. "Quero crer que [essas buscas] são para entender melhor o que essas palavras dizem, o que elas significam", comenta. Para o professor de jornalismo, todo o trabalho feito em volta das fake news estão ajudando a levar o tema à debate, e que isso também ajuda a explicar a quantidade de buscas, que tem aumentado.

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