William DuVall, Sean Kinney, Jerry Cantrell e Mike Inez. Foto: Divulgação

O Alice in Chains mantém vivo o ofício do rock

Uma conversa com Mike Inez, baixista da veterana banda de Seattle que volta ao Brasil para mostrar o disco novo e seus clássicos grunge.

|
07 Novembro 2018, 3:20pm

William DuVall, Sean Kinney, Jerry Cantrell e Mike Inez. Foto: Divulgação

Um dos principais nomes da cena de Seattle do final dos anos 1980 e início dos 1990, o Alice in Chains chega a 2018 em um dos momentos mais criativos e ativos da sua já longa carreira. Em agosto, o quarteto lançou o o ótimo Rainier Fog, seu sexto full-length e o terceiro com o vocalista William DuVall (Comes With the Fall, Neon Christ, Giraffe Tongue Orchestra), que assumiu os vocais do grupo há cerca de 10 anos, após a trágica morte de Layne Staley em 2002.

Gravado no lendário Studio X, lar de discos clássicos do Pearl Jam, Soundgarden e outros gigantes de Seattle, o novo álbum é o primeiro do grupo gravado em sua cidade natal em cerca de 20 anos e traz a banda revisitando seu já característico som denso e melódico ao longo de dez músicas, com destaque para a trinca de abertura e para a última faixa do álbum, a épica “All I Am”.

Na entrevista abaixo, o simpático baixista Mike Inez fala, obviamente, sobre o disco novo e esse retorno à Seattle, os shows no Brasil com o Judas Priest (as bandas tocam juntas em SP, RJ e Curitiba), como foi tocar com Ozzy no início dos anos 1990, na época do clássico No More Tears (1991), o avanço do conservadorismo pelo mundo e as bandas que mudaram a sua vida, entre outras coisas.

Noisey: O Rainier Fog é o primeiro disco da banda gravado em Seattle em cerca de 20 anos – mais especificamente no Studio X, onde vocês tinham gravado o disco auto-intitulado, de 1995. Qual foi a ideia principal de voltar à cidade após tanto tempo — já que vocês não são mais uma banda de Seattle exatamente — você e o Jerry vivem em Los Angeles, enquanto o William é de Atlanta?
Mike Inez: Ah, sim, acho que já era hora de meio que voltar para casa e gravar com a banda. Não sei se você já esteve em Seattle, mas há algo mágico em estar cercado por aquelas montanhas, à beira-mar, respirando aquele ar e bebendo aquela água — é algo incrível, sabe? Acho que nós finalmente estávamos prontos para voltar, queríamos voltar para gravar no Studio X antes que fechasse. O Studio X agora não existe mais — eles estão mudando para outro lugar, onde vão abrir um novo estúdio. Então nós fomos a última banda a gravar um disco de rock naquele prédio, então estávamos felizes por voltar e fechar o estúdio de uma maneira tão grandiosa. Lá foram gravados discos como o Vs (1993), do Pearl Jam, o Superunknown (1994), do Soundgarden, o disco do Heart que tem “Barracuda” (o Little Queen, de 1977), e até mesmo coisas da Steve Miller Band, como Fly Like An Eagle (1976). Há tantas coisas importantes que foram gravadas naquele espaço. Por isso, só queríamos ir até lá e sermos as últimas pessoas a gravar lá. Ficamos de coração partido quando eles fecharam o estúdio, mas foi legal passar o verão lá gravando e fazendo barulho com os meus amigos (risos).

Como foi o processo de composição? As coisas ficaram mais naturais, talvez mais colaborativas, ao longo dos 10 anos que William está na banda?
Ah sim, nós apenas entramos na sala e fazemos um monte de barulho. O Jerry (Cantrell, guitarrista e vocalista da banda) escreve muitas músicas, o Will tem algumas ideias — todos temos ideias. Apenas as juntamos e tentamos escolher as melhores. Quando você está escrevendo o disco, é um processo interessante. Porque você tem músicas que tem certeza que vão dar certo, que vão virar um single. E você também tem outras músicas que não acha que são tão boas, mas você as grava de qualquer modo. E dessas 20 ou 30 faixas, é surpreendente que algumas das que você achava que seriam hits acabam nem entrando no disco porque elas não crescem no estúdio para virar uma música boa. E outras músicas crescem no estúdio e acabam se tornando incríveis, como a “All I Am”, que é a faixa que fecha o disco novo. Ela é uma dessas músicas em que aconteceu isso, ela cresceu para se transformar em uma música grandiosa no estúdio. Então esses são os momentos excitantes para um músico, em que você pode realmente criar algo, não apenas recriar uma demo. Por isso, é legal ver as coisas crescerem no estúdio.

Aliás, vocês estão prestes a voltar ao Brasil após cinco anos, desta vez em uma turnê especial com o Judas Priest. Quais as suas expectativas para esses shows?
Nós estamos animados com os shows com o Judas Priest. Ao longo dos anos, pudemos abrir para muitos dos nossos ídolos da época do colegial, bandas como Iron Maiden e Metallica, que crescemos ouvindo — aliás, ainda não tocamos com o AC/DC, mas acho que foi a única com que não tocamos (risos). Mas o Judas Priest era uma dessas bandas com quem nunca tínhamos tocado, então essa foi uma oportunidade que apareceu. E quem sabe? Com o Glenn (Tipton, guitarrista original do Judas, que não faz mais turnês com a banda) ficando doente e tudo mais. Pensamos que seria melhor tocar com eles agora, enquanto temos a chance de fazer isso. Eles são apenas uma parte enorme das nossas vidas, sabe? E eu conheço o Richie Faulkner (guitarrista que entrou no Judas em 2011 após a saída de KK Downing), ele é meu amigo. Também conheço o Rob (Halford, vocalista do Judas) há anos, de quando eu tocava na banda do Ozzy. E ele é um cara realmente incrível. São apenas cinco shows (com o Judas pela América do Sul) e pensamos que seria uma viagem incrível para encerrarmos o ano, já que vamos tirar férias depois disso. Acho que o show do Rio de Janeiro será o nosso último em 2018. Se não me engano, vamos fechar o ano tendo rodado algo entre 26 e 28 países no total. Por isso, vamos descer praí e fazer uma grande festa no Rio de Janeiro para encerrar o ano, será um ótimo dia.

Com você disse, o Alice In Chains já fez turnês com nomes clássicos como Iron Maiden e Metallica, mas também com bandas mais alternativas, vamos dizer, como Deftones e Mastodon, entre outras. Por que acha que a banda se encaixa tão bem com todos esses gêneros e subgêneros diferentes no rock/metal?
Ah, nem eu sei. É engraçado porque nós lançamos discos acústicos que chegaram ao topo das paradas nos EUA e é engraçado ver isso. Mas meio que não pensamos muito sobre isso. Apenas gostamos muito de tocar. E nós amamos essas bandas que você mencionou, Mastodon e Deftones — aliás, compartilhamos nossa empresa de gerenciamento com o Deftones, então eles são uma banda irmã. Então é algo meio divertido para nós. Há três ou quatro semanas, tocamos em um festival em San Diego, na Califórnia, em que abrimos para o Robert Plant e para a Katy Perry. É engraçado e incrível. Estamos muito confortáveis na nossa própria pele. Então apenas aparecemos e tocamos a nossa música, não tentamos nos encaixar com ninguém. Apenas meio que fazemos amigos naturalmente quando vamos a esses lugares. É uma vida muito abençoada para a gente, sabe (risos)? É realmente divertido.

Aliás, esse festival em que vocês tocarão na América do Sul, o Solid Rock, é mais voltado ao classic rock, tendo trazido Deep Purple, Cheap Trick e Tesla no ano passado. Você já tinha pensado no AiC como uma banda de rock clássico após 30 anos de estrada? E é estranho ser visto como um grupo de classic rock?
Para nós, são apenas shows, sabe? Nós apenas aparecemos e tocamos. As outras pessoas que colocam essas etiquetas, vamos dizer. Mesmo quando você volta para o que falamos antes, a chamada “era grunge”. Até naquela época, as pessoas ficavam dizendo “você é uma banda grunge, você é uma banda grunge”. Mas nenhuma dessas bandas, seja o Soundgarden ou o Nirvana ou o Alice in Chains, nunca ouvi nenhuma delas dizer que eram uma banda grunge, sabe? (risos). É realmente incrível que a banda esteja aí há 30 anos, é apenas uma prova da nossa amizade o fato de ainda estarmos juntos. Eu mesmo completei 25 anos de banda recentemente. E ainda apenas somos amigos, estamos nisso juntos. Se vamos viver disso, penso que não poderia ter escolhido caras melhores para fazer isso do que meus melhores amigos. É como mantemos as coisas. Se outras pessoas acharem que a gente é classic rock ou grunge, está tudo bem. Venha ao show, nós vamos colocar tudo bem alto, não importa como você chama (risos).

Falando nisso, além dos 25 anos com o Alice in Chains, você também tocou com o Ozzy, na época do No More Tears, com o Heart, e gravou com o Slash e com o Black Label Society, entre outros projetos. Por isso, queria saber do que você tem mais orgulho na sua carreira ao longo desse tempo todo?
Orgulho? Ahh, acho que apenas tentar ser consistente. Sempre digo isso para os mais jovens quando eles me perguntam sobre conselhos para a carreira. É realmente sobre respeitar a sua arte, o seu ofício. Eu sempre tento ser o melhor baixista que eu posso em qualquer um desses projetos. Com o Ozzy, eu sempre digo que frequentei a "Universidade Ozzy Osbourne" — eu e o Zakk Wylde sempre dizemos isso (risos). Ele nos ensinou tanto quando éramos tão jovens; eu e o Zakk éramos os mais novos da banda, então foi algo muito bom. Também é legal ver o Zakk tocando novamente com o Ozzy. Tocamos com eles recentemente na Dinamarca, em Copenhague, e foi legal reencontrar o Ozzy. Ele sempre será um pai para mim — ou um irmão mais velho. Apenas tenho tanto respeito por ele, por ter me recebido nesse mundo em um nível tão alto. E então depois eu entrei para o Alice in Chains, acho que em janeiro de 1993. E essa foi uma experiência de aprendizado diferente para todos nós. Porque de repente o lance do grunge decolou e todas as bandas ficaram gigantes, é muita coisa para digerir em um período tão curto de tempo, mas permanecemos juntos, sabe? E Ann e Nancy Wilson (do Heart)... Após a morte do Layne, foi apenas um ótimo lugar — outra banda de Seattle — para eu tocar por cinco anos e me curar, apenas ficar ao redor da energia delas. E o Black Label Society e o Slash’s Snakepit: o Zakk e o Slash são como irmãos para mim, então quando eles ligaram me convidando para tocar, foi algo óbvio. Foram todas coisas fáceis para eu dizer sim (risos). Ainda é muito divertido poder tocar baixo.

Acho que o que me deixa mais orgulhoso é o fato de que ainda gosto muito mesmo de tocar. Encontro muitos músicos das antigas que são um pouco amargos e não sabem realmente o que mais fazer — não são realmente qualificados para outras profissões. Então eles apenas continuam tocando e são infelizes fazendo isso. Sempre fui fã da filosofia do Lemmy, do Motörhead. Quer dizer, ele apenas era o Lemmy, do Motörhead, e tocava baixo e cantava. Ele tinha datas de shows agendadas no dia em que morreu, sabe o que quero dizer? Planejo fazer a mesma coisa que o Lemmy. Eu apenas realmente gosto muito de tocar rock e não me vejo parando nunca. É um trabalho pesado, mas se eu vou trabalhar muito em alguma coisa, não consigo pensar em algo mais nobre para fazer. Depois dessa entrevista, por exemplo, vou fazer a passagem de som para o nosso show em Colorado Springs, nas montanhas do Colorado. Vamos fazer um show grande aqui, depois vamos para Oklahoma. Acho que temos mais oito ou nove shows nos EUA, e depois seguimos para a América do Sul para terminar o ano. Então ainda é uma jornada fantástica.

Por favor, me diga três discos que mudaram a sua vida e por que eles fizeram isso.
Oh, Deus, que mudaram a minha vida... Hmm, essa é uma pergunta difícil. Acho que teria de voltar para quando eu era criança. A minha mãe e o meu pai eram muito ligados em música, então eu cresci ouvindo os primeiros discos do Elton John, os álbuns dos Beatles, coisas assim. Para mim, uma grande influência foi o Black Sabbath — e qualquer coisa inglesa. Tipo os pioneiros do baixo com distorção, caras como o Jack Bruce, do Cream, o Geezer Butler, do Sabbath, e o John Entwistle, do The Who. Essas três bandas acho que foram as que realmente mudaram a minha vida, as que ainda me influenciam a tentar conseguir um bom som distorcido. Então essas três bandas, não consigo dizer os discos, mas essas três bandas, Cream, The Who e Sabbath, realmente moldaram e mudaram a maneira como eu abordo o baixo — como eu gravo e o som que busco ao vivo.

O fato de você ter tocado guitarra e outros instrumentos antes de partir para o baixo tenha influenciado a maneira como você toca?
Acho que sim. Porque música é música, não importa qual instrumento você toca. Um mi ou um dó ainda serão um mi ou um dó, sabe? Não importa qual instrumento você esteja tocando. Então penso que ter crescido tocando saxofone em uma banda marcial e coisas do tipo realmente… foi bom ter estudado teoria e descobrir como tudo funciona junto. E então eu pude aplicar isso na hora de tocar baixo. Mas acho que, como disse antes, a "Universidade Ozzy Osbourne" também foi muito importante neste sentido, um tipo completamente diferente de currículo (risos).



O Alice in Chains não é uma banda política de uma forma explícita ou algo assim, mas há alguns episódios marcantes da banda, como quando o Layne bateu em um suposto neonazista em um show na Europa, e a ida do Sean à Marcha das Mulheres (Women’s March) nos EUA, em 2017, após a eleição do Trump. Além disso, vi alguns veículos afirmando que uma música do disco novo, “Red Giant”, fala contra o Trump. Por isso, queria saber como você vê essa onda conservadora que vem acontecendo nos EUA, na Europa e no mundo todo, inclusive no Brasil (Nota do Editor: a entrevista foi feita antes da eleição de Jair Bolsonaro à presidência da República)?
Nós acabamos de voltar da Europa e foi a mesma coisa. Todos nos perguntavam “O que está acontecendo no seu país?” e eu devolvia a pergunta “E o que está acontecendo no seu país?”. Não sei como chegamos até aqui, mas há todo um movimento conservador. E parece que há muitas pessoas irritadas no mundo agora. Nunca vi tantas pessoas tão irritadas e assustadas nesta era moderna quanto na nossa última turnê mundial que fizemos. Nós tentamos não ser uma banda política, porque esse é o lugar que é seguro para todo mundo vir e meio que deixar tudo de lado por uma ou duas horas e apenas ouvir a música e ficar junto. E isso para nós é maior do que qualquer lance político, são coisas da vida, coisas espirituais. Eu comecei a tocar profissionalmente em 1989 ou 1990 e olhe quantos presidentes entraram e saíram desde então. Pessoas foram eleitas, muitos erros cometidos, muitas coisas boas aconteceram, mas sabe o quê? Eu acredito no Alice in Chains e que hoje à noite nós vamos ligar nossos amplificadores (risos). Ainda estamos aqui e seguindo em frente, sabe? É com que isso que aprendi a contar, não com o rosto na tela da TV. Nós votamos religiosamente, todos votamos e... Aliás, acabei de votar para as eleições legislativas aqui no Colorado; fiz isso ontem enquanto estava aqui. E isso é tudo que você pode fazer, não acho que as pessoas realmente se importem com celebridades falando sobre qual candidato você deve votar ou não votar. Tudo o que você pode fazer é votar e tentar se envolver com o processo político do seu país — esperando que tudo corra de forma honesta; é difícil confiar algumas vezes. Essa última eleição aqui foi… Ainda se discute sobre ela aqui nos EUA, sobre uma possível interferência da Rússia ou da China, o tempo todo sobre isso, e acaba ficando cansativo. Para escapar disso, eu ligo o meu baixo e faço um monte de barulho, é por onde eu fujo (risos). Então tento não trazer esse outro mundo para o mundo musical. Quer dizer, tenho amigos que se conhecem há 20 anos que chegaram às vias de fato por causa de política, é apenas ridículo. Eles ajudaram uns aos outros a fazer mudança de casa e coisas do tipo, mas ainda entraram em brigas entre eles por causa de um cara na tela da TV que nunca irão conhecer. Não faz nenhum sentido para mim, sabe (risos)?

Bom, essas são as duas últimas perguntas. Você tem um disco favorito com o Alice in Chains?
Um disco favorito? Não realmente, eles são como filhos, então é algo como “De qual disco você gosta mais?”. Mas um álbum que tenho muito orgulho é o Jar of Flies (1994). Nós estávamos entre discos e aconteceu de estarmos em Seattle e então decidimos apenas ir para o estúdio para ver o que saía. Nós escrevemos, gravamos e mixamos o disco em algo como dez dias, eu acho. Apenas íamos lançar como um EP, meio de lado, mas chegou ao topo das paradas, foi o primeiro EP na história das paradas americanas a alcançar o número 1, o que meio que nos pegou de surpresa. E ficávamos brincando, dizendo que deveríamos ter tirado 14 dias para fazer o disco, em vez de 10 dias (risos). Mas com os erros e tudo mais, foi muito legal o álbum ter saído, tenho muito orgulho dele. Porque entramos no estúdio sem ideias, acho que talvez o Jerry tivesse uma, para uma música chamada “Don’t Follow”. Mas nós apenas meio que criamos tudo lá, foi algo excitante. O Layne estava realmente ótimo. Acho que “Nutshell”, que está neste disco, é provavelmente a minha música favorita com o Alice in Chains, é a música mais pesada, liricamente e tudo mais. Apenas poder sentar lá e ver o Layne cantando nesse disco.

Para terminar. Como você quer ser lembrado?
Apenas como um bom baixista e um bom ser humano. É preciso muito para manter a si próprio e a sua mente em um bom lugar para fazer isso por 30 anos, sabe? Há muitas baixas e pessoas infelizes. E é horrível quando vejo pessoas fazendo isso profissionalmente e apenas sendo tão infelizes. Às vezes, tenho vontade de chacoalhar as pessoas — pessoas realmente famosas, cujos nomes não vou citar — e falar algo como “Ei, talvez você não deva mais fazer isso, você não parece muito feliz fazendo isso”. Então, se há uma coisa que eu digo é que, quando eu chegar neste ponto, vou apenas parar de fazer isso, sabe? Apenas tento realmente me manter verdadeiro aos momentos e aos dias. Hoje, por exemplo, vou tocar no Colorado e apenas pretendo me divertir muito ao ligar o meu baixo de 30 anos no meu amplificador de 30 anos. Eu realmente respeito a arte da música e o ofício deste negócio. Acho que a música é muito importante, especialmente agora nesses tempos divisivos e tudo mais. Então penso que é muito importante ser um músico.

Leia mais no Noisey, o canal de música da VICE.
Siga o Noisey no Facebook e Twitter.
Siga a VICE Brasil no Facebook, Twitter, Instagram e YouTube.