Como hippies transformaram uma cidade universitária na 'capital da erva'

No começo dos anos 70, ativistas de extrema-esquerda tiveram a chance de governar Ann Arbor. A primeira coisa que eles fizeram foi basicamente legalizar a maconha.

por Adam Woodhead; Traduzido por Marina Schnoor
27 Maio 2019, 1:59pm

John Sinclair em 1968. Foto por Leni Sinclair. 

A série de eventos que levou a uma reforma radical das leis de cannabis em Michigan, e a transformação da cidade universitária no lugar mais 420 dos EUA, começou com dois hippies, Louis e Peg, que na verdade não eram hippies coisa nenhuma.

Por meses começando no outono de 1966, a dupla fez amizade com membros do coletivo Trans-Love, localizado no Detroit Artists' Workshop perto da Wayne State University. O prédio era um centro de ativismo e propaganda de esquerda na Motor City – lar do jornal Fifth Estate, escritório local do Comitê Pelo Fim da Guerra no Vietnã, e futuro estúdio de ensaio da banda de rock revolucionária MC5. Em 24 de janeiro de 1967, a polícia invadiu o prédio, procurando pelo gerente local John Sinclair. “Peg”, para quem Sinclair tinha dado de presente dois baseados, na verdade era uma oficial da Polícia de Detroit chamada Jane Mumford Lovelace. “Louis” não era um fabricante de velas artesanais, mas outro policial chamado Vahan Kapagian, que deixou o cabelo e a barba crescerem para se misturar.

A polícia prendeu mais de 50 pessoas, incluindo a esposa de Sinclair, Leni, mas Sinclair foi o único a enfrentar acusações sérias depois de ser solto sob fiança. Um poeta beat obcecado por cultura jazz negra, além de agitador de esquerda, Sinclair chamou a atenção do “Esquadrão Vermelho” da Polícia de Detroit, que monitorava grupos de esquerda. Mas na tentativa de prendê-lo, eles desencadearam uma batalha legal de anos, e os policiais acabaram o ajudando a se tornar um ícone daqueles tempos.

Hoje, nos EUA, a legalização é considerada uma posição mainstream, com até políticos de direita como John Boehner apoiando o movimento e se juntando a operadores interestaduais agora manobrando o controle da indústria de cannabis. Sinclair e seus contemporâneos ajudaram a criar as condições para que essa indústria existisse, mas não estavam na melhor posição para lucrar com ela. Um dos contemporâneos mais radicais de Sinclair, o ex-líder do Weather Underground, Bill Ayers – que morou com o colega Pantera Branca de Sinclair, Milton “Skip” Taube, na Universidade do Michigan – não acha que Boehner deveria poder se infiltrar nas linhas de frente desse movimento.

“Ouvi uma entrevista no rádio onde perguntaram pra ele 'Você não se sente mal pelas muitas pessoas que foram pra cadeia e tiveram suas vidas destruídas?' E ele disse 'Não, porque esse era o jeito como eu entendia as coisas na época'. Isso é conversa fiada”, Ayers disse a VICE. “Legalizar a maconha precisa ser parte de algo maior. Tem que incluir reparação, e isso significa responsabilizar as pessoas que nos trouxeram para o lugar catastrófico onde nos encontramos. Pessoas como John Boehner.”

Mas Sinclair vê seu lado como tendo conquistado uma vitória apesar dessas pessoas. “Eles odeiam maconheiros. Eles costumavam nos mandar pra cadeia. Agora grande parte da população nos apoia, mas eles ainda não se acostumaram com isso. Logo, você não conseguirá ser eleito se não apoiar a legalização da maconha”, disse o homem de 77 anos. “É muito bom ver a mesa virando nesses filhos da puta mentirosos. Toda essa merda de estado policial. É o tecido da vida cotidiana dos EUA que precisamos rasgar e dispensar. Essa vai ser a parte difícil, pegar toda a merda da nossa cultura e jogar fora.”

Os ativistas da maconha da era de Sinclair conseguiram uma vitória importante: a legalização da cannabis se espalhou por todas as regiões dos EUA agora. Mas a história deles mostra quão difícil é conseguir uma mudança duradoura.

The band the MC5 and their associates.
O MC5, John Sinclair (direita) e amigos em 1967. Foto por Leni Sinclair/Michael Ochs Archive/Getty Images

Sinclair foi descrito uma vez pelo Detroit Free Press como o “hippie-chefe” da cidade, uma figura “descabelada” e “bigoduda”. Ele era um radical, um membro de uma geração de ativistas pró-cannabis que via o uso da droga como parte de sua resistência ao capitalismo e ao estado, e a consideravam um objeto de fervor quase religioso. Sinclair via maconha ocupando um lugar similar ao sexo no livro 1984 de Orwell. Ela colocava os desejos básicos dos adolescentes contra o establishment capitalista, e era a arma-chave para o “ataque total à cultura” que o movimento hippie estava tentando.

Mas o antiautoritarismo estridente do Detroit Artists' Workshop – alguém pendurou uma faixa da janela durante as infames revoltas de 1967 que dizia “Burn Baby Burn” – levou ao que os ativistas chamaram de assédio da polícia, e violência de pessoas com sentimentos anti-hippie. Depois do atentado com bomba ao ônibus do MC5 e uma série de ataques contra as mulheres do grupo, o Trans-Love Energies se mudou para uma casa em Hill Street em Ann Arbor, perto da Universidade do Michigan.

Foi lá que John e Leni Sinclair deixaram o que é sem dúvida seu legado mais permanente, como parte de um grupo de agitadores que fez a cidade universitária adotar as políticas de maconha mais progressistas do país, fazendo de Ann Arbor, como o New York Times escreveu anos depois, “A Capital da Erva do Meio Oeste”. Lá, o Trans-Love sonhava em construir um enclave revolucionário como os grupos maoistas que eles admiravam. Diferente de Detroit, Sinclair diz agora, os policiais não podiam sair chutando portas. E de maneira crucial, a região era em grande parte branca.

“Em Ann Arbor só tinha filhos de ricos”, disse Sinclair. “A polícia era instruída a não causar problemas pra eles. Eles se tornariam advogados, médicos, essas coisas. Então tiramos vantagem disso. Por isso mudamos pra lá. Porque eles só tinham umas dez viaturas da polícia.”

Como nos campi ao redor do país, Ann Arbor em 1968 estava cheia de jovens radicais, mas algo na fórmula do Trans-Love era especialmente atraente. No MC5, o coletivo encontrou uma ponte entre sua ideologia de esquerda, o amor beatnik de Sinclair por maconha e a emergente cena do rock da classe trabalhadora de Detroit. A banda tocava para um público jovem e suburbano no Grande Ballroom de Detroit, aí voltava para casa em Ann Arbor para fazer shows grátis ao ar livre. Como empresário da banda, Sinclair arranjou para eles tocarem na Convenção do Partido Democrata em Chicago naquele agosto. Eles voltaram para formar o Partido dos Panteras Brancas – batizado em homenagem ao Partido dos Panteras Negras – e criaram um programa de dez pontos para a revolução através de “rock 'n' roll, erva e transar nas ruas”.

O grupo até estabeleceu um ramo eclesiástico sem fins lucrativos, A Igreja de Zenta, baseada no uso ritual de maconha e alucinógenos. “Zenta é a religião para acabar com todas as religiões”, disse Leni Sinclair. “É assim que a vejo. Porque é a única religião que diz 'sim' quando as outras religiões dizem 'não'. Bom, hippies dizem 'sim'. Sim, fume maconha. Faça sexo. Seja você mesmo... Qualquer pessoa que fuma maconha é um crente de Zenta, conhecendo o termo ou não.”

Em 1969, os líderes dos Panteras Brancas, incluindo Sinclair, foram acusados de conspiração relacionada a atentados com bombas em Ann Arbor visando prédios associados ao exército e CIA. O chefe do setor do FBI R. L. Shackelford chamou os Panteras Brancas de “potencialmente a maior e mais perigosa organização revolucionária dos EUA”, e o grupo começou a ser vigiado sob o programa COINTELPRO da agência. (O caso dos atentados chegaria até a Suprema Corte dos EUA, que decidiu que o governo tinha grampeado ilegalmente o Partido dos Panteras Brancas; e as acusações depois seriam derrubadas.)

Mas a coisa que gerou mais polêmica foi a sentença de Sinclair, dada em julho de 1969, para os dois baseados que ele deu à policial disfarçada: dez anos de prisão.

Bobby Seale speaks on a stage surrounded by bodyguards and musical equipment.
Bobby Seale (centro) fala no Comício de Liberdade de Jon Sinclair em 1972, ladeado por dois guarda-costas. Foto por Leni Sinclair/Getty

A pena desproporcional o tornou uma causa célebre, levando figuras da esquerda – do fundador do Partido dos Panteras Negras, Bobby Seale, a John Lennon – a sair em defesa dele. No Comício de Liberdade para John Sinclair em 1971, Lennon e Yoko Ono tocaram uma nova música, “John Sinclair”, que destilava o caso: “Eles deram a ele dez por dois – o que mais os bastardos podem fazer?”

Dias depois, Sinclair foi libertado sob fiança e sua condenação foi revertida no ano seguinte, quando a Suprema Corte do Michigan declarou que as leis de cannabis do estado eram inconstitucionais. O caso reduziu a pena por “posse simples” para contravenção, e derrubou a sentença máxima de dez para um ano. A sentença máxima por venda de maconha foi reduzida de prisão perpétua para quatro anos. Em 1º de abril, quando o novo regime entrou em vigor, os simpatizantes de Sinclair se reuniram no campus de Ann Arbor para comemorar a vitória dele. A festa acontece todo ano desde então, no que é conhecido como o Festival Hash Bash de Ann Arbor.

“A atmosfera depois que John saiu da cadeia era de grandes expectativas para o futuro”, disse Leni Sinclair. “Estávamos no palco nacional e tivemos muito sucesso com o Comício de Liberdade para John Sinclair. Isso até o governo intervir e exigir a deportação de John Lennon e Yoko Ono, e eles tiveram que sair das atividades políticas. Mas até então havia um sentimento de euforia, das coisas melhorando dali em diante.”

Depois que John saiu da cadeia, os Sinclairs se tornaram menos combativos, rebatizando o Partido dos Panteras Brancas para Partido Popular Arco-íris (RPP em inglês) e se envolvendo em política eleitoral. Formando uma coalizão com o progressista Partido dos Direitos Humanos, o grupo conseguiu duas cadeiras do conselho municipal de Ann Arbor. O New York Times destacou a disposição da nova coalizão de concorrer contra o Partido Democrata local, em vez de pedir seu apoio, e atribuiu seus sucessos à campanha de base e ao alcance dos estudantes da Universidade do Michigan. Os novos membros do comitê eram Jerry DeGrieck, um estudante, e Nancy Weshsler, do Partido Popular Arco-íris. DeGrieck e Wechsler assumiram as cadeiras com apenas 22 anos de idade, e mais tarde se assumiriam, se tornando os primeiros gays oficialmente eleitos da história dos EUA.

A coisa mais radical que os novos membros do conselho fizeram foi aprovar uma lei reduzindo a pena para posse de cannabis para uma multa de US$ 5, cerca de US$ 30 hoje. O Times relatou que a proposta original da campanha era uma multa de 25 centavos, mas que eles aceitaram US$ 5 para cobrir custos administrativos e de tribunal. O diretor da Polícia Estadual do Michigan disse ao jornal que iria aplicar a lei estadual em Ann Arbor, citando preocupações de que a nova lei pudesse transformar o Condado de Washtenaw num paraíso do tráfico de drogas. Mas os hippies comemoraram.

“Por causa da lei estadual, não podíamos legalizar a maconha dentro da cidade”, DeGrieck disse. “Então a multa era a melhor opção.”

Assim a cidade se tornou a primeira do país a tratar posse como uma infração civil, como estacionar em lugar proibido. Isso marcou uma grande mudança em todo o país, e no ano seguinte Oregon adotou uma lei similar em nível estadual. A cobertura de Ann Arbor no Times focava na tendência do consumo aberto, com o Xerife Frederick Postill descrevendo as leis estaduais mais duras como “impossíveis de impor”, considerando a abrangência do uso de maconha na cidade, que o chefe de polícia Walter Krasny estimava ser de 450 quilos por semana em 1972. “Acho que, infelizmente, a maconha está se tornando parte das nossas vidas”, Krasny disse ao Times.

Sinclair serviu como presidente do RPP, ajudando a formar alianças com elementos mais moderados da coalizão, e encontrar consenso na lei de $5 de multa para maconha, que o grupo via como um desafio ao poder do departamento de xerife do condado. Mas quando moderados dentro do HRP expressaram reservas sobre enfrentar o xerife nas eleições locais, Sinclair liderou a saída do RPP do grupo, uma ação de que ele se arrepende hoje.

Mas por um tempo, Ann Arbor realmente foi meio que um santuário hippie. Um sistema de estruturas paralelas de poder cresceu da comuna Trans-Love, incluindo uma força de segurança, um serviço de aconselhamento de drogas, e uma vasta rede de mídia alternativa de propaganda pró-cannabis como o “Marijuana Revolution” de Sinclair, que argumentava que a proibição de drogas tinha se tornado uma das contradições da sociedade capitalista no Ocidente, abrindo caminho para o comunismo pós-escassez.

“Se os democratas e o Partido dos Direitos Humanos estavam em coalizão, podíamos aprovar qualquer coisa, e foi o que fizemos”, disse Leni Sinclair. “Apropriamos o dinheiro para uma creche, uma clínica médica gratuita, uma clínica de dentista, abrigo para crianças fugitivas, uma cooperativa de alimentos e um centro comunitário, o People's Ballroom. Foi uma utopia por um tempo.”

Em certo ponto, o Ann Arbor Sun fez um concurso onde os leitores podiam ganhar 450 gramas de cannabis. O prêmio foi dado pelo representante estadual e membro do Partido Democrático Socialista da América Perry Bullard.

“Começamos um incêndio em Ann Arbor que durou alguns anos”, disse John, “e foi muito divertido”.

Os republicanos retomaram o controle do conselho municipal em 1973, e pressionaram para repelir a lei dos US$ 5. Mas esse não foi o fim da batalha. Numa audiência do conselho em julho, membros do RPP lotaram a reunião, acendendo baseados dentro da câmara do conselho. No ano seguinte, o HRP trouxe a lei dos US$ 5 de volta como referendo. Ann Arbor votou por aprovar a medida em abril de 1974, com uma margem de 52 para 48. A lei continuou em vigor até 1990, quando a multa subiu para US$ 25.

A splitscreen of letterhead from the Zenta church and a portrait of John Sinclair
Esquerda: papel timbrado da Zenta criado por Gary Grimshaw. Direita: um retrato de John Sinclair por Leni Sinclair/Michael Ochs Archive/Getty

Os Sinclairs não tiveram o mesmo sucesso em mudar as leis além do Condado Washtenaw, mas tentaram. Dois esforços para legalizar a cannabis em Michigan falharam em 1972 e 1974, quando eles não conseguiram assinaturas suficientes numa petição para levar a proposta para votação. Na Califórnia, Leni se encontrou com os diretores da organização sem fins lucrativos Amorphia, e eles fundaram a Proposição 19, que descriminalizaria a maconha, vendendo seda de folha de cânhamo. A proposta foi derrotada em 1972, recebendo 33% dos votos. O casal voltou para Detroit no final dos anos 1970, onde Sinclair trabalhou com a administração progressista de Coleman Young para liberar os arquivos da unidade anticomunista da polícia que o perseguiu nos anos 60. (Desde então, os Sinclairs se separaram.)

Os eleitores de Michigan finalmente aprovaram a maconha recreativa em 2018, mas isso não é mais considerado um símbolo de revolução. Em vez disso, alguns agora temem que a indústria de cannabis seja dominada por grandes companhias e homens brancos. A empresa canadense Acreage Holdings, cujo comitê executivo inclui Boehner, fez uma série de investimentos multimilionários em Michigan, e em abril, o estado aprovou uma lei que facilitava para grandes companhias adquirirem licenças comerciais, limitando a verificação de antecedentes dos investidores. Em estados como Massachusetts, que legalizou a cannabis em 2016, operadores atuando em múltiplos estados conseguiram contornar regulamentações e se posicionar para efetivamente controlar o mercado emergente.

Cannabis foi de um sacramento aos olhos de John Sinclair para um medicamento sob a lei e agora uma commoditie valiosa, mesmo que com status legal ainda incerto. Um sinal da mudança dos tempos é um esforço para eliminar o fornecimento do Programa de Maconha Medicinal de Michigan, que permite que pacientes cedam seu direito de cultivar 12 plantas para um ajudante, que pode ter até 72 plantas. Aqueles que querem acabar com o sistema dizem que maconha medicinal muitas vezes acaba no mercado negro, e, em 2 de maio, conseguiram uma grande vitória quando um regulador estadual decidiu que os ajudantes não podem mais vender seus produtos para dispensários. Mas esse programa também dão a pacientes como Sinclair acesso à maconha barata – atualmente ele recebe 56 gramas gratuitamente por mês – e ele vê os planos para acabar com o programa como uma manobra agressiva.

“Eles se opunham a essa lei que as pessoas aprovaram. Então tentaram de tudo para nos foder e se livrar dos ajudantes”, disse Sinclair. “Não é só o objetivo deles, mas dos grandes fornecedores, produtores e distribuidores que pagam US$ 150 mil por uma licença. Eles querem se livrar dos ajudantes porque eles são competição. Se você não pode mais conseguir maconha dos ajudantes, você vai ter que comprar deles.”

O próprio Sinclair nunca lucrou com a maconha, apesar de ter emprestado seu nome para vários negócios de cannabis com os anos. Depois que a nova lei entrou em vigor em 2018, Sinclair virou notícia com uma parceria com um negócio de Detroit para criar o primeiro lounge público para uso recreativo no Michigan. O acordo logo desandou, entre o que Sinclair disse ser uma tentativa dos donos de explorar sua celebridade canábica. Atualmente ele vive de aposentadoria, e está no processo de ceder seus direitos de propriedade intelectual para a Fundação John Sinclair de Amsterdã. “Isso está em formação”, disse Sinclair. “Estou tentando criar um repositório criativo de tudo que é meu, para que essas coisas entrem para a história.”

Se agarrar a esses direitos é uma das maneiras como ícones como Tommy Chong e Willie Nelson conseguiram lucrar com seu status de maconheiros, lançando suas próprias cepas, bongs e cigarros eletrônicos. Mas Sinclair parece não ter interesse em capitalizar com a legalização, mesmo que seu ativismo tenha ajudado o país a chegar aqui. Depois de todos esses anos, ele diz que não liga para dinheiro ou propriedade. “Não dou a mínima para a indústria”, ele disse. “Não tenho ações na indústria. Não me importo com o que eles fazem. Só quero minha maconha.”

Adam Woodhear é um jornalista freelance de Detroit.

Matéria originalmente publicada na VICE EUA.

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