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Design

O logo “roubado” da Airbnb: design de sucesso nem sempre é original, mas tudo bem

Designers respondem ao tuíte "Nada é original" de Spencer Chen.

por Catherine Chapman
14 Junho 2016, 7:37pm

Foto por Luis Carreño, da página  trademarksandsymbols.com, via

A originalidade nunca foi uma aliada do século XXI, época em que músicas, filmes, a moda e até a arte constantemente são acusadas de serem nada além de ideias recicladas. Spencer Chen, celebridade das startups e vice-presidente de marketing e desenvolvimento do site de compras online Alibaba, acredita que esta é uma afirmação que se aplica especialmente ao design. Chen publicou no Twitter, no mês passado, uma comparação entre os logos de companhias atuais aos que encontrou em um livro de design de 1989.

Medium, Flipboard, Beats e Airbnb estão entre as marcas que apresentam semelhanças com as ilustrações contidas na publicação de 1989 Trademarks & Symbols of the World: The Alphabet in Design, de Yasaburo Kuwayama — essencialmente um dicionário de logos.

Mas a alegação de Chen sobre originalidade certamente não é nada original. A similaridade entre o logo de 2014 da Airbnb e um símbolo encontrado em uma públicação de décadas atrás foi “descoberta” em um post pela Reddit quase um ano atrás e, curiosamente, o mesmo logo também foi criticado por ser idêntico à identidade visual da empresa de desenvolvimento de software Automation Anywhere. A questão levantada por Chen é, contudo, sobre o papel do design e os processos por trás da criação de um logo. Uma questão sobre a qual qualquer designer concordará: nada é original.

“Logos não podem ser únicos demais”, diz Mike Hankin, designer de produtos da empresa de design londrina morrama. “Design está mais para a ciência do que para a arte. Na arte, você pode inovar e experimentar coisas novas constantemente. A arte, diferentemente do design, não tem um trabalho fixoa priori.” Designers têm clientes que querem se destacar, e a função de um logo é comunicar os valores de uma empresa ou o propósito de um produto. Por outro lado, se destacar demasiadamente em um mercado saturado pode resultar em algo desastrosamente desconfortável ou igualmente pouco marcante, como o design criado para as Olimpíadas de Londres de 2012, criticado por lembrar um símbolo nazista. Também não é todo mundo que gosta do logo da Airbnb.

Nada é original, sobretudo em #design. (Não, estes não são os logos de Medium AirBNB, Flipboard e Beats).

Hankin explica que logos tendem a usar formas comumente reconhecíveis porque a clientela acredita que suas marcas preferidas compartilham dos mesmos valores e ideais. São esses logos que representam esses valores na forma de desenho. “Pense em um ícone na forma de um alfinete num mapa”, diz. “Todo mundo usa esse desenho sem nenhum estranhamento ou acusação de plágio. Isto acontece porque trata-se de um símbolo instantaneamente reconhecível e compreensível, então por que não usá-lo?”

Segundo Hankin, logos também têm um “ciclo de tendências”. Em 2016, a tendência é a do menos é mais. “Isso é essencialmente limitante”, diz ao Creators Project. “No design de logos, há umas poucas linhas que você pode usar em umas poucas posições, para evitar sair dos padrões seguros do minimalismo bidimensional e, digamos, cool. Se você não presta atenção, cai no abismo da cafonice do fim dos anos 1990 e começo dos anos 2000: balões de texto, WordArt de arco-íris e coisas assim”.

O design minimalista de logos, com o qual empresas são reconhecidas por simples formas, parece ser atualmente onipresente, com, inclusive, o lançamento do novo logo do Instagram na quarta-feira desta semana. Muito antes do livro de Kuwayama, a tendência minimalista podia ser encontrada na década de 1960 e no trabalho do designer industrial alemão Dieter Rams, conhecido por seu trabalho com a empresa Braun e sua visão inovadora de design, e serviu de inspiração para a Apple, uma das empresas com o logo e produtos de maior sucesso.

“Podemos dizer que o que era um bom design 50 anos atrás ainda é um bom design hoje em dia”, diz Hankin.

No design de logos, originalidade não define sucesso — mas a habilidade de monopolizar uma indústria com apenas algumas linhas. Independentemente de quantos aspectos forem emprestados de ideias anteriores, chegar à fórmula correta é como o trabalho de um DJ, e requer seu próprio processo criativo.

"Artistas trabalham com ideias que ainda não existem”, diz Hankin. “Eles precisam trabalhar e criar para chegar às suas ideias. Designers e trabalhadores da mineração, no entanto, trabalham com o que já existe em seu entorno. Precisam, no entanto, trabalhar para garimpá-las e, quanto melhor forem em sua busca, mais bem lapidada será sua ideia. Às vezes dois designers simplesmente tiveram a mesma ideia.”

O que você pensa sobre as últimas polêmicas do design? Leia Trademarks & Symbols of the World: The Alphabet in Design aqui e diga-nos o que achou no Instagram ou no Twitter.

Tradução: Flavio Taam